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Maria do Rosário: “Hora do governo dar um basta na entrada ilegal dos haitianos”

por Flavio Morgenstern

Definitivamente a coisa mais impressionante no governo Dilma é termos 15 meses dilmistas, uma penca de ministros ejetados do cargo, mas nenhum escândalo com Maria do Rosário orquestrando a Secretaria dos Direitos Humanos com status de ministério.

Mas o poder muda bastante as pessoas. Ainda mais quando são petistas. Se antes tínhamos aquela Maria do Rosário ’89 sem riscos, agora já temos uma Maria do Rosário que precisa prestar contas das idéias que apregoa. De uma Maria do Rosário que enfia o dedo na cara de Bolsonaro, agora temos uma Maria do Rosário mais soft, mais conversinha e menos defensora de direitos humanos de esfaqueador.

Pra piorar, temos uma Maria do Rosário que não defende mais direitos humanos nem sequer de trabalhadores honestos fugindo da opressão.

Saiu n’A Gazeta.net:

O secretário Nilson Mourão (Direitos Humanos) disse na manhã desta quarta-feira (30), que o governo do Acre não tem mais condições de manter ajuda humanitária aos haitianos que buscam refúgio no Brasil, por intermédio do estado. A declaração foi dada depois que Mourão tomou conhecimento da existência de um novo grupo de 120 haitianos na cidade de Iñapari (Peru) prontos para entrar no país.

Segundo o secretário, dos R$ 3 milhões investidos pelo governo acreano na assistência aos estrangeiros, apenas 10% foram repassados pelo governo federal.

A ministra Maria do Rosário (Direitos Humanos) declarou que está na hora do governo brasileiro dar um basta na entrada ilegal dos haitianos no país.

De acordo com a ministra, essa imigração desenfreada de haitianos no país é reflexo do comércio dos “coiotes”, que acabam lucrando com toda essa mazela social. “Chegou a hora de o Brasil começar a dizer não”, frisou.

Haitianos passam fome em Iñapari

A praça central de Iñapari, no Peru, voltou a ficar movimentada com a presença dos haitianos. Uma nova leva de 120 haitianos está há mais de um mês na cidade.

Por enquanto não estão dormindo na praça. O grupo ocupou um velho escritório de uma empresa e se alojou. Cerca de 20 pessoas dormem no mesmo quarto. A maioria fica no chão.

O imóvel ainda tem alguns sanitários e a água chega todos os dias. Ela não é potável, mas é a que mata a sede.

Hoje o grupo só tem farinha para comer e vai ter que se alojar no coreto da praça. A empresa não aceita que eles fiquem no local e os governos peruanos e brasileiros não estão oferecendo ajuda humanitária.

Viram como Maria do Rosário ficou humanitária até os dentes no leme da Secretaria dos Direitos Humanos?! Uma regra de mercado muito fácil para enriquecer pessoas é diminuir as barreiras. Não existe forma de enriquecimento mais rápida do que a imigração: as pessoas saem de um país mais pobre para um país mais rico, fatalmente de economia com mais mercado e menos barreiras estatais (e pra quem acreditou no professor de Geografia que apregoava que o Haiti é um exemplo de “capitalismo selvagem”, basta ver que posição ele ocupa no Índice de Liberdade Econômica, e ver como só se foge de países estatizantes para países de livre mercado, os únicos capazes de enriquecer os pobres, como já expliquei no Ordem Livre).

Conforme definiu o impecável @mkarl, Rosário confunde causa e efeito: os “coiotes” são filhos da restrição; e a solução simples da sua cabeça agora é que o problema são os coiotes, e não os haitianos. É o tipo de inversão que você só enfia na cabeça quando, afinal, é o responsável por resolver a porcaria do problema. É a tática do “Vamos combater os traficantes sendo mais duros ainda na proibição às drogas!”, o que não parece estar dando lá muito certo – e não se esperaria logo de uma Maria do Rosário…

Mas, talvez, mesmo assim ainda seja melhor do que a Maria do Rosário que defende que seqüestrador, estuprador e degolador é “apenas uma criança”… ou alguém sentiu saudade daquela época?

 

Flavio Morgenstern é redator, tradutor e analista de mídia. Viu Maria do Rosário e Tarso Genro juntos e misteriosamente se lembrou de certos boxeadores cubanos. No Twitter, @flaviomorgen

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