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Mentiras da Carta Capital ridicularizadas em público. De novo.

por Flavio Morgenstern

O que é escolhido para ser publicado, pelas regras do jornalismo, passa pelos crivos da relevância para a população, da raridade da notícia e de algum aprendizado que possa ficar ao público. Falar da Carta Capital é um atentado a tais regras. A Carta Capital é irrelevante. Suas mentiras são rotina. A única coisa que o pastiche consegue ensinar é a ser mau exemplo.

Recentemente, a revistinha hiperfaturada em dinheiro público do sr. Mino Carta tentou atacar a concorrente Veja. Em vão. Suas mentiras vieram a público aqui no Implicante (e foram reproduzidas no blog de Augusto Nunes na própria revista Veja) e não convenceram ninguém, senão os fanáticos leitores da revista. Como lembrado aqui, absolutamente ninguém no orbe terrestre lê Carta Capital buscando se informar: apenas ficam sem chão ao tentar defender o petismo anti-capitalista de resultados, e não podem ler qualquer outro canal de jornalismo sob risco de perceber as falcatruas do PT como governante.

Cynara Menezes, jornalista autora da reportagem (e também autora de imperdíveis entrevistas com ex-BBB’s, com perguntas do quilate de “Você sempre quis ser famosa, é?” ou “E qual é a parte mais apetitosa da Siri?”), não conseguiu responder ao seu, digamos, contato heterodoxo com a verdade exposto aqui. Mesmo perguntada por que inverteu quem falava e quem ouvia em uma conversa ouvida pela PF (usada também erroneamente pela Record do bispo Macedo, velho inimigo da revista Veja, em “reportagem” orquestrada por Paulo Henrique Amorim), preferiu sempre tergiversar para não encarar a realidade: todo o seu ataque à revista Veja era baseado em uma mentira que Carta Capital plantou de estro próprio e vendeu a seus leitores – todos predispostos a acreditar de antemão, por wishful thinking, em qualquer besteira que se diga a favor do PT e contra a imprensa livre.

Para piorar, a saída de Cynara foi outro ataque cego, que igualmente foi desmontado como mentira adolescente aqui no Implicante e também reproduzido no blog do Augusto Nunes na Veja. Além de tergiversar para disfarçar as mentiras, acabou só provando que mentir para omitir é, afinal, tática de quem ou foi pego com a boca na botija, ou não tem mesmo o menor apreço pela verdade.

Como se não bastasse tal ridículo (se eu caísse duas vezes numa situação humilhante dessas no mesmo mês, faria uma plástica e trocaria de nome, profissão e, se possível, país), a revista resolveu se superar.

O busílis da vez foi um jornalista investigativo da Carta Capital (por paradoxal que isso seja, já que a revista nunca investiga nada, nem consegue uma denúncia exclusiva de nada contra um político corrupto num país com esse grau de corrupção) que citou o famoso site Consultor Jurídico como fonte de suas “investigações” de Ctrl C + Ctrl V para atacar seus desafetos. O problema é que a própria fonte citada se sentiu ofendida em aparecer nas páginas de uma publicação mequetrefe como a Carta Capital.

Se a revista se acha no direito de criticar os métodos de sua concorrente, sem perceber que com isso contradizia a si própria, o texto de agora mostra como são os métodos de, digamos, “produção de verdades” da Carta Capital. O texto no Consultor Jurídico é de Márcio Chaer:

Revista mostra como se desfaz reportagem para atacar

A revista CartaCapital desta semana publicou metade de uma reportagem sobre processo judicial, já encerrado, que acusa de falcatruas o ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes. O texto da revista menciona este site.

A metade da reportagem que a revista ficou devendo aos leitores é a que deveria informar o lado da defesa no litígio. Textos apenas com acusação, sabem os profissionais do ramo, são tão autênticos quanto um jogo de futebol com um time só em campo ou uma luta de vale-tudo em que apenas um lutador sobe ao ringue: já se tem o resultado antes da peleja.

No trecho que fala desta publicação, o jornalista investigativo da revista, em meio a um amontoado de insinuações criminosas, diz que detalhe importante da trama é que uma especialista em informática e administração que trabalhou no Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP), do ministro, “é sobrinha de Márcio Chaer, diretor do site Consultor Jurídico”. O desmazelo apontado seria o seguinte: Gilmar Mendes “usou uma servidora pública contratada por ele, quando presidente do CNJ, para tocar um trabalho paralelo em sua empresa privada”.

Este redator não tem sobrinha nenhuma em Brasília, não conhece a moça, seus pais ou parentes — há apenas coincidência de sobrenome. Feita averiguação, o que jornalistas profissionais fazem sem dificuldade, constatou-se: é fato, a moça trabalhou no IDP até 2007 e quase 1 ano depois foi contratada no Conselho Nacional de Justiça. Não acumulou funções, não foi contratada pelo ministro e, é claro, não guarda nenhum parentesco com ninguém deste site.

O autor da lambança é Leandro Fortes, dono de um itinerário atípico na profissão. Ele foi da Aeronáutica no governo militar; na administração FHC era considerado aliado pelas hostes tucanas (quando trabalhou no jornal O Globo e na revista Época). Na era Lula foi trabalhar para o governo. Mas nem sempre se deu bem. Acabou demitido de O Globo e do jornal O Estado de S.Paulo “por inépcia”. Na Radiobrás respondeu ação por assédio moral. Nessa trajetória de adesão, CartaCapital veio a ser um desdobramento natural da carreira. Ali, seus talentos e suas características são valorizadas e bem aproveitadas para os propósitos da publicação.

Procurado para se manifestar, justificar sua conduta e explicar as áreas nebulosas de sua trajetória, Leandro Fortes parece ter se assustado. Gaguejou, silenciou e desligou o telefone abruptamente assim que este interlocutor se identificou. Nova tentativa. A ligação foi rejeitada. No recado, como costumam fazer jornalistas que querem fazer reportagens inteiras, ficaram gravadas as perguntas e um número de telefone para resposta, que não veio. Foram feitas mais duas tentativas. Em ambas o telefone foi desligado pelo não tão incisivo jornalista.

Leandro Fortes chegou a Brasília apresentando-se como sargento da Aeronáutica. Há dúvidas a respeito. Até onde se sabe, sua maior patente na Força Aérea foi de cadete na Escola Preparatória de Barbacena. Ele é lembrado nas redações por momentos emocionantes do jornalismo, como quando foram divulgadas como verdadeiras as falsidades do famoso “dossiê Cayman”. Fortes chegou a ser denunciado pelo Ministério Público Federal por ataques contra os policiais federais que investigaram a origem do dossiê.

Precisão e acurácia não parecem ser características de seus textos. Entre um desmentido e outro, como quando levou a revista Época a publicar que uma reunião de trabalho no Palácio do Planalto tivera a participação de um torturador — o que não acontecera —, Fortes deixou de herança à revista uma condenação de R$ 40 mil, mais uma vez por notícia errada. Esta, contra o atual presidente do Tribunal Regional Eleitoral.

Recentemente investiu contra três profissionais respeitáveis de Brasília: atacou o chefe da sucursal da revista Veja, Policarpo Júnior; o assessor de imprensa do Tribunal Superior do Trabalho, Renato Parente; e o diretor da sucursal da revista Época, Eumano Silva, seu desafeto e a quem Fortes atacou, reconhecidamente, por vingança. Diferentemente de seu algoz, Eumano detém o respeito de dez em cada dez jornalistas de Brasília.

A fraude estampada na CartaCapital desta semana é um prodígio e pode ser resumida em três parágrafos. Gilmar Mendes, um dos três sócios do IDP, encomendou uma auditoria para entender o que acontecia com a escola. A conclusão foi que a administração precisava ser profissionalizada. O sócio-gerente não quis sair e recorreu à Justiça.

Escorou suas razões justamente na auditoria que condenou sua gestão. Mas imputou a Gilmar Mendes as mazelas pelas quais só quem tinha a caneta (o administrador) poderia responder. O gestor, Inocêncio Mártires Coelho, foi derrotado em todas as tentativas judiciais.

Sem alternativa, vendeu sua parte por R$ 8 milhões — valor que os sócios restantes tomaram emprestado em banco privado, que não hesitou aceitar a garantia do prédio, avaliado em valor bem superior ao do empréstimo. Para o atilado Leandro Fortes, hoje apelidado pelos muitos ex-amigos de Brasília como “sargento Demóstenes”, isso tudo foi altamente suspeito. Não foi difícil fazer parecer convincente, contando apenas metade da história.

(grifos nossos)

Então quer dizer que a “investigação” da Carta Capital é supor parentesco graças à coincidência de sobrenomes?! Não era de se esperar uma dessas em tempos de Google. Mas alguém aí sabe como é a sensação de citar uma fonte para atacar um desafeto, e sua fonte chamar seu texto de “lambança”? Eu não sei como é. Melhor perguntar pro Leandro Fortes. Se ele continuar sem atender o telefone, perguntem pra Cynara Menezes. Ela costuma ter desculpas um pouquinho melhores.

 

Flavio Morgenstern é redator, tradutor e analista de mídia. Já está com dificuldade pra fazer piadinha com a Carta Capital melhor do que a revista faz consigo própria. No Twitter, @flaviomorgen

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