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Metas de governo de Haddad ignoram mais de 600 promessas de campanha

Plano de metas do prefeito de S. Paulo contém apenas 100 dos 728 compromissos do então candidato; Grande parte dos projetos que seguem prometidos dependem de ajuda de governo federal

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Reportagem da Folha de S. Paulo:

O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), apresentou ontem um plano de cem metas para sua gestão (2013-2016) que ignora boa parte do que prometeu durante a campanha eleitoral.

Entre as promessas excluídas estão a reforma dos corredores de ônibus, a ampliação para toda a cidade do programa de proteção ao pedestre e o aumento dos radares para fiscalização do trânsito.

Também ficaram fora a instalação de dois novos museus, a criação de um parque tecnológico na zona leste e uma série de obras viárias.

Agora, ele promete “projetar, licitar, licenciar e garantir fonte de financiamento” -mas não construir- obras do Plano Viário Sul, que inclui, entre outros, o alargamento da estrada do M’Boi Mirim.

Haddad é o segundo prefeito obrigado a apresentar o plano. Ele reduziu a menos da metade o número de compromissos em relação ao antecessor. Gilberto Kassab (PSD) entregou em 2009 plano com 223 metas, mais que as 196 promessas eleitorais.

(…)

O plano do petista tem cem metas e 21 “objetivos estratégicos”. Para cumprir os objetivos, afirmou, serão necessários cerca de R$ 23 bilhões.

AJUDA FEDERAL

Boa parte das metas precisa de ajuda federal, como ampliar o número de inscritos no programa Bolsa Família.

Na eleição, o programa de governo de Haddad continha 728 propostas, a maioria genéricas, sem que fosse possível estabelecer uma meta objetiva -como “reorganizar a gestão da saúde municipal”.

Mas a Folha identificou ao menos 16 promessas que poderiam ser listadas como objetivos do governo, mas foram excluídos do plano de metas.

Haddad também não detalhou como cada meta será cumprida. Ele prevê, por exemplo, 400 km de vias cicláveis -que podem ser usadas por bicicletas-, mas não estabelece quais serão elas.

Segundo ele, o detalhamento será em abril, quando haverá audiências públicas.

“Plano de metas não é tudo o que a administração vai fazer, é o que precisa de acompanhamento, é o que é mais difícil”, disse Haddad.

A secretária do Planejamento, Leda Paulani, disse que a gestão “tentou ser mais conservadora do que ousada” nas propostas de metas.

Questionado se admite concluir o mandato sem cumprir todas as metas, Haddad recorreu a uma metáfora futebolística. “Quando você entra numa partida para ganhar de 3 a 0, não adianta dizer que ganhou de 1 a 0 e ficou satisfeito. Nós estamos entrando para ganhar de 3 a 0.”

(grifos nossos)

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