Notícias

Metrô do RJ compra trens chineses que não cabem nas estações

Reportagem do Estadão:

RIO – A concessionária MetrôRio está fazendo obras em túneis e estações por causa do iminente início de operação dos 19 trens comprados na China. Sindicalistas e especialistas em transportes dizem que as adaptações são necessárias para evitar que as novas composições, mais leves que as atuais, sofram colisões laterais. A concessionária afirma que são apenas ajustes para “adequação a padrões internacionais”.

No centro da discussão está o novo modelo do trem, diferente do que vem sendo utilizado no Rio e em São Paulo. Enquanto as composições atualmente em uso são formadas por vagões independentes com tração em todos os eixos, o que permite total aderência aos trilhos, os novos trens chineses são “reboques”, com alguns vagões motorizados e outros que operam sem tração. Nesse caso, mais leves, têm aderência menor e a tendência é movimento lateral maior.

“É mais ou menos como um carro de tração 4X4: tem dois eixos que funcionam como peso, chamado peso aderente. Isso faz com que ele possa sair de situações mais adversas e possa usar toda a potência do motor”, explica o professor de Engenharia de Transportes da Coppe (pós-graduação de Engenharia da UFRJ) Hostílio Ratton Neto. “Quando você só tem dois eixos, você não pode usar toda a potência do carro porque o peso aderente é bem menor. É o que talvez seja o problema desse sistema”, avalia.

De acordo com Fernando MacDowell, especialista em Engenharia de Transportes, professor da Escola Politécnica da Universidade Federal do Rio (UFRJ) e ex-diretor de Planejamento do Metrô (1975/1979), a concessionária não teria levado em consideração o gabarito aerodinâmico dos novos trens, o que poderia causar descarrilamentos, colisões em estruturas de concreto e outros acidentes. “Quanto maior a velocidade, mais o trem chacoalha. Se o tamanho do túnel for muito estreito, os chacoalhões podem causar colisões.”

O gabarito dinâmico é o tamanho mínimo para a passagem do comboio, em um cenário em que se apresentem as condições mais adversas no trajeto. É preciso levar em conta, portanto, medidas como dimensões dos carros, velocidade operacional, desgaste dos trilhos, suspensão dos vagões, espaço para as passarelas de emergência e raio das curvas do trajeto.

“Para evitar acidentes, deveriam ser feitos ajustes de 2cm até 3cm em alguns trechos e estações”, diz MacDowell. O MetrôRio admite que está realizando obras de adequação em alguns túneis e plataformas, mas nega que as intervenções sejam decorrentes de problemas.

Projeto. Com um investimento de R$ 320 milhões, o MetrôRio promete colocar em operação, até março de 2013, 19 novos trens, com seis vagões cada – o que implica aumento de 63% na frota. As três primeiras composições já chegaram à cidade e estão em testes. A previsão é de que o primeiro trem inicie as operações em agosto. Além desses, outros 17 serão adquiridos para operar na Linha 4, atualmente em obras de expansão para ligar Ipanema, na zona sul, à Barra da Tijuca, na zona oeste.

Em maio do ano passado, a Agência Reguladora de Serviços Concedidos de Transportes (Agetransp) multou o Metrô Rio em R$ 374 mil por não ter colocado os novos trens chineses em circulação em agosto de 2010. O prazo havia sido estipulado no sexto termo aditivo ao contrato de concessão, assinado em dezembro de 2007.

(grifos nossos)

Comentário

O blog Metrô do Rio já havia informado há 10 dias sobre as obras nas estações e os problemas com os trens chineses:

(…) À noite, funcionários do metrô estão usando uma máquina que literalmente serra o concreto utilizado nas estações de metrô construídas nos anos 70, 80, 90, e 2000. Nos últimos dois meses foi possível perceber entulho e poeira deixados para trás. Quando os trens começarem a operar, o vão entre o trem e a plataforma será maior e o usuário poderá cair no trilho.

Outro ponto importante é que os trens chineses não têm motor em todos os vagões, como os do atual metrô do Rio. Os carros do nosso metrô são totalmente independentes entre si. Os chineses dependem exclusivamente da locomotiva.

Ou seja, a concessionária comprou trens errados com aval do estado do Rio de Janeiro.

To Top