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Ministro das Cidades chora e atribui denúncias a “preconceito contra nordestinos e mulheres”

Durante solenidade oficial em Salvador, o ministro das Cidades Mário Negromonte chorou ao falar sobre as denúncias de corrupção em seu Ministério, e as atribuiu ao “preconceito da imprensa do Sul” contra mulheres e nordestinos. Notícia do Estadão:

O ministro das Cidades disse ser vítima de “fogo amigo” dentro do governo e acusou a imprensa de ter preconceituosa com mulheres e nordestinos. “Identifico fogo amigo, claro que sim! Partidos da base aliada e o próprio PP nacional – não da Bahia – têm interesse no ministério”, admitiu.

“As denúncias surgem porque o ministério é importante. A gente toma conta de diversos programas, como o Minha Casa, Minha Vida, de R$ 170 bilhões, o de saneamento básico, de R$ 50 bilhões, o de mobilidade urbana, de R$ 30 bilhões. E a gente contraria muitos interesses. Aqui e acolá tem meia dúzia de insatisfeitos na bancada, é normal.”

Preconceito. O ministro participou, durante a manhã, de um evento no qual foi anunciada a construção de imóveis da segunda etapa do Programa Minha Casa, Minha Vida. Deputado eleito pela Bahia, Negromonte também disse ser vítima de preconceito por ser nordestino – e acusou a “imprensa do sul”.

“As denúncias vêm de parte da imprensa, insatisfeita com o governo federal, interessada em enfraquecer a presidente Dilma (Rousseff). É uma mulher e existe discriminação”, especula. “Existe discriminação com o nordestino também. Fizeram uma ilação com a Festa do Bode (Negromonte é acusado de tráfico de influência para ajudar a financiar o evento). Se fosse a Festa da Uva ou da Maçã, certamente ninguém faria discriminação. Mas como é Festa do Bode, coisa de nordestino, e o ministro é nordestino, tome cacetada.”

(…)

Demissão. Sobre sua permanência no cargo, Negromonte disse estar “tranquilo”. “Quem me ligou foi o ministro Gilberto Carvalho (secretário-geral da República), dizendo que eu ficasse tranquilo, que a presidente da República conhece todo o trâmite, que por ela não tem problema nenhum”, afirma.

“Não tenho apego a cargo, não vou ficar de joelho para ninguém”, diz o ministro. “Fico muito honrado de fazer este trabalho junto com a presidente Dilma, a primeira mulher presidente do Brasil, mas só vou ficar lá se me sentir confortável e ela também. Se eu sentir que ela não me quer, eu vou lá e entrego.”

(grifos nossos)

Comentário

Os argumentos de Negromonte são primorosos. No caso da Festa do Bode, o ministro acredita que seu erro foi não ter se autopromovido ilegalmente em outro tipo de evento. Seguindo seu raciocínio, o estado mais discriminado pela tal “imprensa do Sul” é São Paulo: os já defenestrados Palocci e Wagner Rossi são paulistas – e certamente não foram demitidos apenas porque Dilma é mulher…

Ao menos o ministro inovou na reação. Depois do “eu te amo” de Lupi, o choro de Negromonte chega a parecer até decoroso.

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