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Ministro de Dilma diz que tolera “idiotas” no governo

Em cerimônia realizada ontem (30) no Senado, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, chutou o balde ao subir à tribuna para ler seu discurso em homenagem aos 80 anos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Dirigindo-se ao antigo chefe, a quem elogiou pelo seu estilo conciliador, Jobim citou Nelson Rodrigues para dizer que hoje precisa ter “tolerância e compreensão também com os idiotas”, referindo-se aos atuais colegas de governo.

Abaixo a reportagem de Vera Magalhães e Cátia Seabra publicada na Folha:

Jobim observa alguém do governo: a tolerância acabou?

O ministro Nelson Jobim (Defesa) fez um discurso ontem na homenagem ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso que foi interpretado como sinal de insatisfação com sua situação no governo Dilma Rousseff.
Começou dizendo que faria um “monólogo” dedicado a FHC -de quem foi ministro da Justiça e que o indicou para o Supremo Tribunal Federal-, e que deixaria “vazios” que o tucano iria “compreender perfeitamente”.
Jobim elogiou o estilo conciliador do ex-presidente. “Nunca o presidente levantou a voz para ninguém. Nunca criou tensionamento entre aqueles que te assessoravam”, disse. A referência foi interpretada como uma alusão ao estilo duro de Dilma com seus auxiliares.
“Se estou aqui, foi por tua causa”, afirmou, sem mencionar Lula nem Dilma.
Disse que, quando presidente, FHC construiu “um processo político de tolerância, compreensão e criação”.
“E nós precisamos ter presente, Fernando, que os tempos mudaram.” E citou Nelson Rodrigues: “Ele dizia que, no seu tempo, os idiotas chegavam devagar e ficavam quietos. O que se percebe hoje, Fernando, é que os idiotas perderam a modéstia. E nós temos de ter tolerância e compreensão também com os idiotas, que são exatamente aqueles que escrevem para o esquecimento”.
Esse encerramento da fala provocou perplexidade em governistas da plateia. “O que ele está querendo dizer?”, indagou um petista.
Questionado sobre a fala, FHC disse que não viu nenhuma tentativa de fazer “comparações”. Sobre os “idiotas”, FHC sorriu e concordou: “É, aquilo foi forte”.
Já o presidente do Instituto Teotonio Vilela, Tasso Jereissati, avaliou que o titular da Defesa “fez um discurso cheio de recados”.
Aliados do ministro dizem que ele está, de fato, insatisfeito com Dilma. Recentemente se queixou a correligionários de que não é convocado para opinar política e direito, como Lula fazia.
Ele também ficou incomodado com o corte do orçamento de sua pasta. Assessores da Defesa negam que Jobim tenha manifestado a vontade de deixar o cargo. Hoje pela manhã o ministro tem audiência agendada com a presidente. (Grifos nossos)

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Comentário:

Tenho várias restrições à conduta do ministro Jobim, mas nessa terei de concordar. Afinal, a que categoria pertence uma pessoa que indaga: “O que ele está querendo dizer? depois de ouvir uma declaração tão direta como a  proferida pelo ministro?

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