Notícias

MST, mais uma bandeira à qual o PT aos poucos dá as costas

Segundo o próprio movimento, o governo Dilma representa os “piores anos para reforma agrária no Brasil”.

Dias após o ex-assessor da casa civil dar um duro golpe no discurso feminista, o PT confirma que está em péssima sintonia com mais uma de suas históricas bandeiras, a do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, o MST.  Quem já vinha dizendo isso era a própria esquerda brasileira. Segundo o Esquerda.NET, “Governo Dilma abandonou a Reforma Agrária“. Hoje foi a vez de não só um petista, mas um deputado do partido vir a público dizer que o governo Dilma representa os ‘piores anos para reforma agrária no Brasil‘. O Globo, ainda em janeiro, trouxe os números:

Com menos de 44 mil famílias assentadas em dois anos, o governo Dilma Rousseff marca forte descenso no programa de reforma agrária. Em 2011, foram assentadas 22 mil famílias, a pior marca desde o governo Fernando Henrique. O Incra não divulga dados de 2012, mas reduziu a meta de 35 mil para 22 mil famílias a serem atendidas, apesar da demanda ser de, pelo menos, um milhão de famílias.

Segundo o Incra, nos dois primeiros anos de governo, Fernando Henrique assentou 105 mil famílias. Já o ex-presidente Lula, 117,5 mil no mesmo período de gestão. No momento de maior crise política, entre o escândalo do mensalão, em 2005, e a campanha de 2006, Lula deu mais peso aos apelos dos movimentos sociais, assentando 263,8 mil famílias. Já o ponto mais alto de Fernando Henrique na reforma agrária foi no ano de sua reeleição, 1998, com 101 mil famílias assentadas.

(grifos nossos)

Também com dados do próprio MST, “Em 2012, apenas 28 imóveis rurais foram alvo de decreto”. Em 2013, nove meses já se passaram e “nenhum imóvel foi desapropriado até ao momento”.

Nessa terça-feira, a Folha reportou um acontecimento que é por demais simbólico acerca da relação entre o PT e os movimentos sociais. Um subsecretário do governo Wagner atirou para impedir invasão do MST em Salvador:

Um funcionário do primeiro escalão da gestão Jaques Wagner (PT-BA) usou arma de fogo na manhã desta terça-feira (10) para dispersar militantes sem-terra que protestavam em um prédio do governo, em Salvador.

Delegado de carreira, o subsecretário de Segurança Pública, Ari de Pereira Oliveira, fez o disparo durante tentativa de invasão do prédio da secretaria por integrantes do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra).

(grifos nossos)

Por sorte, o tiro atingiu uma vidraça e ninguém ficou ferido. O mesmo não se poder dizer da imagem do partido. Por mais questionáveis que sejam as atitudes do MST, somada à classe médica (que vem sendo tida por xenófoba e elitista pela militância governista), já se trata de uma segunda categoria com certa representatividade que explicitamente se coloca contra uma situação que já esteve bem mais próxima de uma unanimidade que ela tanto mirava.

Mais Lidas

To Top