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MST depreda estande da CNA na Rio +20

Reportagem de O Globo:

RIO — Uma manifestação em favor da segurança alimentar e contra o uso de agrotóxicos na agricultura na manhã desta quinta-feira acabou em confusão no Pier Mauá. Realizado por centenas de pessoas ligadas à Via Campesina, integrada por movimentos sociais de pequenos agricultores de diferentes países, o ato aconteceu pouco antes das 12h. Os manifestantes entraram como visitantes comuns e ocuparam o espaço AgroBrasil, estande montado pela a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) para a Rio+20 no Pier Mauá, com o apoio de parceiros como a Embrapa e o Sebrae e de empresas como a Monsanto e a JBS. Houve conflito entre os manifestantes e os seguranças do estande, e a Polícia Militar teve de ser acionada para conter a confusão. Segundo a CNA, o grupo depredou o espaço, espalhando tinta vermelha em uma das maquetes do espaço, pichando paredes e espalhando centenas de cartazes pelo espaço, que permaneceu fechado pelo resto do dia. Já os representantes do grupo negaram a acusação de vandalismo e afirmam que o protesto foi pacífico.

Os manifestantes começaram o protesto na Avenida Rio Branco, de onde saíram em marcha em direção à Zona Portuária . Segundo os organizadores, cerca de 3 mil pessoas participaram da marcha, que teria como objetivo chamar a atenção para a forma como a agricultura é tratada no no país. Quando o grupo chegou ao Pier Mauá, cerca de 200 pessoas que já estavam no estande da CNA começaram a colar cartazes e gritar palavras de ordem contra o agronegócio.

— Ficamos satisfeitos com a manifestação, que conseguiu apresentar um contraponto ao agronegócio. Mas não houve depredação. Lá dentro, fizemos uma colagem de cartazes contra este modelo de agricultura e gritamos palavras de ordem. Mas a manifestação foi pacífica e ninguém saiu machucado. — afirmou Divina Lopes, dirigente do MST, uma das organizações que participaram da manifestação.

No entanto, do lado de fora, houve muito empurra-empurra e a estrutura montada na entrada da exposição chegou a ser danificada. A confusão só foi desfeita com a ação da Polícia Militar, que acompanhou a marcha ao longo de todo o trajeto. Desfeito o tumulto, o grupo seguiu a pé para a Central do Brasil, onde se dispersou. A CNA postou na internet fotos feitas durante a manifestação, quando integrantes da Via Campesina sujam com tinta vermelha uma maquete que reproduz as várias técnicas de agricultura de baixo carbono, além de uma Área de Preservação Permanente (APP). Em nota, a entidade afirmou que foi vítima de uma manifestação antidemocrática e lamentou que ela tenha acontecido durante a Rio+20, enquanto “povos e as nações buscam o entendimento e a convergência para um mundo melhor, sempre respeitando a diversidade de ideias”.

Em nota de esclarecimento, a assessoria da Polícia Militar informou que a confusão não ocorreu dentro do Píer Mauá, e sim que a caminhada do Movimento Sem Terra (MST) parou na porta e um evento fechado não oficial da conferência Rio+20, no qual havia estande de exposição da Confederação da Agricultura e Pecuária (CNA) do Brasil.

Ainda segundo a PM, o protesto começou — com queima de bandeiras e ameaças — e pessoas credenciadas que estavam dentro do evento aderiram ao movimento. Pedras e sapatos foram atirados contra policiais que impediam a entrada do grupo no local. O Batalhão de Choque chegou a ser chamado, mas chegou ao local quando a situação já estava controlada. A nota informa que não há registro de feridos ou presos. Do Pier Mauá, os manifestantes seguiram em direção ao Centro do Rio.

Confira as imagens da confusão no Pier Mauá gravadas pelo Jornal Hoje.

(grifos nossos)

Comentário

O que parece se tratar de um conflito de versões na matéria fica um pouco mais claro vendo as imagens do “protesto pacífico” onde “não houve depredação”, segundo a representante do MST:

(Fotos extraídas do Flickr da CNA)

 

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