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Nassif, Serviços, Demissões e Processos

Já falamos em dois textos recentes sobre as relações de Luis Nassif com o Governo Federal, tanto como devedor inadimplente do BNDES quanto como prestador de serviços. Agora, vamos relembrar alguns momentos da trajetória do auto-intitulado “introdutor do jornalismo de serviços no Brasil”.

Nassif é conhecido por acumular, além de processos e cobranças judiciais onde figura como réu, demissões “polêmicas” de grandes veículos de comunicação:

  • Folha de São Paulo: Nassif trabalhou na Folha por mais de uma década, e chegou a fazer parte do Conselho Editorial do jornal. Em 2005, foi acusado por Diogo Mainardi, em sua coluna na revista Veja, de publicar release do lobista Luis Roberto Demarco na íntegra em sua coluna, e foi demitido, três anos depois, após o mesmo Diogo Mainardi, novamente na Veja, ter acusado Nassif de usar seu espaço no caderno financeiro da Folha para falar bem do então secretário de Segurança Pública de São Paulo Saulo Abreu enquanto buscava patrocínios para eventos de sua empresa. Segundo Mainardi, após a negativa do secretário em participar do evento de Nassif, Saulo passou a ser atacado pelo colunista.

Em sua defesa, Nassif exibiu nota emitida pela direção da Folha alegando que a decisão de sua demissão foi tomada em conjunto, “a fim de se dedicar a seus empreendimentos pessoais”.

  • Portal iG: Após o desligamento do grupo Folha, seu blog que era mantido no UOL (que é de propriedade do jornal) passou a ser hospedado no portal iG, controlado pela Brasil Telecom. O iG também hospedava os blogs de Mino Carta, Paulo Henrique Amorim, Ricardo Kotscho e outros nomes identificados com o governismo. Após a fusão Oi-Brasil Telecom, os novos controladores substituíram a diretoria do portal. Paulo Henrique Amorim foi demitido e alguns meses depois encerrou-se o contrato com Nassif, que não foi renovado.

No iG, o blog de Nassif era patrocinado por empresas como Vale, Odebrecht e Petrobras, além da própria Brasil Telecom. Foi neste período que Nassif publicou o “Dossiê Veja”, uma série de artigos que denunciava, através de associações vagas e ilações sem provas, condutas da revista de maior circulação no Brasil. Os artigos também atingiam jornalistas de outros veículos, inclusive da Folha de São Paulo.

  • TV Cultura: Em 2010, Nassif foi demitido da TV estatal paulista, onde era contratado para fazer comentários econômicos no telejornal noturno. A Fundação que gere a emissora alegou que a demissão ocorreu pois eram frequentes “ao longo do período de vigência do contrato, as situações em que a direção do ‘Jornal da Cultura’ solicita a presença do jornalista e ele não está disponível, em razão de viagens ou outros compromissos profissionais. Isso obriga o jornal a adequar-se às conveniências de seu colaborador e não o contrário, como seria de esperar”.

Nassif desmentiu os argumentos do jornal insinuando, para variar, que a culpa era de José Serra. Também para variar, sem prova alguma.

Por conta do “Dossiê Veja”, que o transformou em estrela da petistosfera, Nassif foi processado por alguns dos jornalistas citados, incluindo o redator-chefe da revista Mario Sabino. Em 2009, Nassif e o iG foram condenados solidariamente a pagar 100 salários mínimos a Sabino como indenização por danos morais. Não cabe aqui avaliar cada caso ou julgar os “ataques à reputação” praticados, mas cumpre lembrar que, além dos processos, surgiram várias respostas indignadas: Nassif foi desmentido e desafiado publicamente por diversos envolvidos, como o editor da revista Istoé Dinheiro Leonardo Attuch, o apresentador do SporTV André Rizek, freelancer da revista Veja e blogueiro do mesmo portal iG em diferentes momentos e a jornalista Janaína Leite, repórter da Folha que cobria o caso Telecom Italia. Diogo Mainardi também respondeu com a coluna “Nassif, o banana”, onde revela o “caso Saulo”.

Paralelamente a suas atividades como jornalista, Luis Nassif também atua como empresário, cobrando por consultorias, palestras, seminários e análises econômicas através de duas empresas, a Dinheiro Vivo Consultoria S/C e a Dinheiro Vivo – Agência de Informações S.A., das quais já falamos anteriormente.

Temos, então, o Nassif jornalista, acusado por Mainardi de publicar release de lobista e de usar a influência de sua coluna na Folha para obter vantagens junto a políticos e empresários, e o Nassif empresário e analista econômico, com tantas dificuldades em administrar as finanças de sua própria empresa que virou devedor inadimplente do BNDES (os juros mais baixos do mercado) duas vezes!

Mesmo assim, o Governo Federal, através de ministérios e estatais, não teve dúvidas em firmar contratos sem licitação que somam ao menos R$ 2,4 milhões desde 2007 com Nassif,  tanto como “jornalista”, através de banners de patrocínio em seu blog, quanto como “empresário”, financiando os eventos de uma Dinheiro Vivo e contratando consultoria da outra.

Nassif, com esse histórico financeiro de suas empresas, é curiosamente especializado em jornalismo econômico. E quem o contrata para fazer análises e comentar notícias é exatamente o Governo Federal (dono do BNDES), a quem a EBC/TV Brasil está subordinada.

NA PRÓXIMA SEMANA: NASSIF E OS MORTOS

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