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Nenhum aeroporto da Infraero ficará 100% pronto para a Copa

Governo simplesmente desistiu de 10 das 36 obras previstas na matriz de responsabilidades da Copa

aerororto

Matéria da Folha de S. Paulo:

Dos oito aeroportos administrados pela Infraero com previsão de obras para a Copa do Mundo, nenhum ficará 100% pronto antes do início da competição, daqui a 29 dias.

São eles: Afonso Pena (Curitiba), Confins (Belo Horizonte), Deputado Luís Eduardo Magalhães (Salvador), Eduardo Gomes (Manaus), Galeão (Rio de Janeiro), Marechal Rondon (Cuiabá), Pinto Martins (Fortaleza) e Salgado Filho (Porto Alegre).

O levantamento da reportagem foi feito com base na “matriz de responsabilidades”, documento no qual o Brasil lista o que pretende fazer para a Copa, e em informações da Infraero -que já trabalha oficialmente com dois cronogramas para as obras, um pré e outro pós Copa.

Os atrasos mais graves estão em Fortaleza, Porto Alegre e Curitiba.

Na capital cearense, seguidos atrasos na obra fizeram o governo federal romper o contrato com a vencedora da licitação e recorrer a um terminal provisório de lona para atender aos turistas durante a competição. O módulo operacional deve ficar pronto neste mês e, depois de 90 dias, a estrutura será desativada.

No Rio Grande do Sul e no Paraná, as intervenções para a Copa ficarão prontas apenas em 2016 -ano da Olimpíada no Rio.

Ficaram para depois da Copa a ampliação do terminal de passageiros do Salgado Filho e a ampliação das salas de embarque e desembarque, das áreas comerciais do saguão, da praça de alimentação e as adequações viárias de acesso no Afonso Pena.

Quando o Brasil foi escolhido para sediar a Copa do Mundo, em 2007, os aeroportos eram a maior preocupação dos organizadores. Sete anos depois, nenhum dos aeroportos administrados pela Infraero terá todas as obras prometidas para a Copa -e mesmo os aeroportos privatizados têm problemas.

30,5% CONCLUÍDO

Inicialmente, eram previstas 36 intervenções em 13 aeroportos do país na primeira versão da matriz de responsabilidades, de 2010.

Alguns aeroportos tinham mais de uma obra prevista, como Confins, e outros, apenas uma, como Manaus, mas mesmo os que tinham apenas uma obra prevista não conseguirão concluí-las a tempo.

Das 36 intervenções previstas, dez foram abandonadas (28%). São obras nos aeroportos Gilberto Freyre (Recife) -que ganharia uma nova torre de controle-, Cumbica (Guarulhos), Juscelino Kubtischek (Brasília) e Viracopos (Campinas) -como foram concedidos à iniciativa privada em 2012, as obras que não tinham sido iniciadas passaram a ser responsabilidade das concessionárias.

Nos casos de Galeão (RJ) e Confins (MG), privatizados em novembro, as obras continuam a ser executadas pela Infraero e as concessionárias assumirão os aeroportos só depois da Copa.

Apenas 11 estão concluídas (30,5%), quatro estão incompletas (11%) -mas ainda assim dentro do prazo, segundo a Infraero- e outras 11 ficarão prontas só depois da Copa (30,5%).

Dos aeroportos privatizados, Viracopos deve ser o único a não entregar as obras no prazo -que era domingo (11). Agora, a concessionária que administra o aeroporto (Aeroportos Brasil) corre para inaugurar até a Copa o novo pátio de aeronaves, que servirá como “estacionamento” para aviões executivos.

O novo terminal ficará pronto só depois da competição, e os passageiros de voos internacionais e domésticos continuarão a embarcar e desembarcar pelo atual terminal. A multa por ter descumprido o contrato de concessão pode chegar a até R$ 170 milhões, mais R$ 1,7 milhão por dia de atraso.

(…)

(grifos nossos)

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