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Preço da tarifa: Alckmin vende helicóptero, Haddad aumenta IPTU

A imprensa trata com deboche o fato de Alckmin tentar vender o helicóptero do Estado para fechar a conta das passagens. Quantos criticaram Haddad por aumentar o IPTU em até 40%?

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O governador de São Paulo, o tucano Geraldo Alckmin, está tentando vender o helicóptero do governo. O Sikorsky modelo S-76, ano 1983 foi a leilão na semana passada.

Em tom de menosprezo, uma nota da revista Istoé dessa semana comentou a falta de sucesso do governador. A revista afirma:

Nenhuma proposta foi apresentada na abertura dos envelopes da concorrência internacional feita pela Casa Militar. O valor mínimo da aeronave era de R$ 2,21 milhões. O objetivo da venda era compensar o recuo no aumento de tarifas de trem e metrô, ocorrido após as manifestações de junho.
(grifos do original)

É uma pena que para o Estado (o estado de São Paulo e o Estado, aquele ente oposto a “privado”) que “ninguém quer o helicóptero de Alckmin”, como afirma a revista. Um político realmente não precisa de um helicóptero próprio (e Alckmin já tinha afirmado que iria vender o famoso Aerolula, caso ganhasse as eleições em 2006).

E obviamente que a atitude de Alckmin foi correta: se foi forçado a aumentar subsídios para dar a empresas em troca de transporte “mais barato”, cortou na carne do Estado e está tentando aumentar os fundos do Estado leiloando um helicóptero. Ainda mais ele, que, como acabou de se descobrir, era alvo de duas tentativas de assassinato pelo PCC. Uma atitude correta e, senão óbvia, certamente corajosa de um político.

Mas é bem curioso notar essa diferença de atitude (e tratamento na imprensa, sempre chamada misteriosamente de “golpista”, “conservadora” ou, na melhor das hipóteses, “direitista”) de Alckmin, tentando vender um helicóptero, e de Haddad, que fez o que Kassab viveu tentando fazer: aumentar o IPTU em até 40%. Kassab teve uma chuva de protestos sobre si. Haddad, pelo contrário, aproveitou os protestos (que apenas por mera coincidência tinham o braço armado do PT ali no meio, até mesmo o presidente do partido, Rui Falcão) para… aumentar o IPTU.

Nós avisamos.

Que diferença de postura de cada um, não?

Como foi dito em um programa recente do apresentador americano John Stossel, faz parte da maturidade saber adiar prazeres. Não viver inconseqüentemente, saber economizar e poupar um prazer imediato em prol de uma felicidade maior.

O prazer de certos políticos não é fazer algo bom, é apenas ganhar eleições. Esses nunca poderão ter maturidade, e só poderão chamar de “austeridade” aumentar ainda mais o quanto tomam em imposto da população. Mas sempre têm quem os pinte como os bonzões, seja a militância pouco consciente, seja parte da imprensa.

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