Notícias

Presidente do PT diz que é preciso reduzir número de debates

Rui Falcão já afirmou que a imprensa livre leva ao nazismo (sic), portanto precisa ser controlada pelo PT. Agora, quer impedir o confronto de opiniões diversas para conseguir se manter no poder.

rui falcão

Rui Falcão, presidente do PT, já afirmou que a imprensa livre leva ao nazismo (sério), portanto precisa ser controlada e supervisionada, naturalmente, pelo Partido dos Trabalhadores do qual é presidente. Nesta semana, afirmou que é preciso diminuir o número de debates no Brasil, pois isso leva a uma “banalização”.

Os debates eleitorais há tempos são anátema para o PT. Lula fugiu espavorido de debater com Geraldo Alckmin em 2006, além de dois dissidentes do PT – sobretudo a boquirrota Heloísa Helena, do então recém-fundado PSOL.

O problema anterior era o mensalão ou a mesmice do governo Lula – que só acerta e só é elogiado quando imita o governo do tucano FHC, sendo queridinho da imprensa internacional tão somente quando não cumpre suas antigas promessas de estatização brutal, planificação econômica, derrocada de leis versando a respeito de responsabilidade bens públicos ou a implantação lenta do “socialismo democrático” (algo tão anormal quanto pregar o “fascismo democrático”, ou a “ditadura do proletariado democrática”). O problema atual se chama Dilma Rousseff.

Dilma não é exatamente uma boa discursante. Quando deixada sem script chovem pérolas como “criança gosta de ter asma de madrugada, não no horário comercial”, “ninguém mora na União, ninguém mora… ‘Onde você mora?’ ‘Ah, eu moro no Federal.’ Não tem isso, você mora no município, porque mora na cidade”, “nós criamos o Mais Médicos para: Como? Fazer o quê? Por quê? São as perguntas. Quando?”, “Eu tenho muito respeito pelo ET de Varginha”, “A Zona Franca de Manaus, ela está numa região. Ela é o centro dela porque ela é a capital da Amazônia”, “Sempre que você olha uma criança, há sempre uma figura oculta, que é um cachorro atrás”, “o meio ambiente é uma ameaça ao desenvolvimento” e outras pérolas que ultrapassam a habilidade de um editor de colocar (sic) em cada espaço que se faz necessário.

O PT, que só se preocupa em ganhar eleições (do mensalão ao caseiro Francenildo) não tem como deixar sua candidata falar muito sem estar lendo (no caso do meio ambiente, prova-se que mesmo lendo o risco de gafes ridículas permanece).

Dilma Rousseff foi comparada a um poste antes mesmo de se tornar candidata por sua “baixa verve” para a conversa racional, perdida entre gafes, frases quebradas, discursos desconexos e ataques de fúria, fora ser “um bloco de anacolutos”, como definido no brilhante romance “O Professor”, de Cristovão Tezza.

[youtube]https://www.youtube.com/watch?v=4OEsBSQbL68[/youtube]

Com o falhanço brutal de seu primeiro mandato (manifestações, única petrolífera do mundo a dar prejuízo, escândalos de corrupção, ameaças de morte partindo de seu partido a ministros do STF etc), mesmo esquecendo-se de personalidades como sua ex-braço direito Erenice Guerra, o escândalo Rosemary Noronha, Alberto Yousseff, André Vargas, os mensaleiros presos (um deles fugido), todos os assassinatos subsequentes ao homicídio com tortura de Celso Daniel, Toninho do PT, o acobertamento de um abusador sexual por Gleisi Hoffmann, a capacidade de fazer um país razoavelmente alienado e fanático por futebol conseguir desprezar uma Copa do Mundo em seu território etc etc etc etc etc, ainda assim é um perigo Dilma Rousseff falar sozinha.

Lula já fugiu de debates, depois de criticar FHC, que venceu duas vezes o sindicalista socialista no primeiro turno se furtando a participar de debates com Lula. Tanto Lula quanto Dilma sofreram mais do que esperavam, crendo que venceriam facilmente em primeiro turno. As pesquisas de opinião atuais mostram que, a despeito de o PT estar em plena campanha eleitoral absurdamente ilegal usando milhões e milhões de dinheiro estatal (ou seja, tomar dinheiro do pagador de impostos para lhe vender mentiras e forçá-lo a acreditar em um partido que acabou de lhe tomar seu dinheiro), a chance de o PT conseguir a reeleição está diminuindo, mesmo sem ninguém fazer campanha – apenas o PT. Isso bem antes de a corrida eleitoral começar, e alguém ver a cara de Aécio Neves ou Eduardo Campos mais do que meio minuto a cada três dias, em alguma declaração num jornal televisivo.

Nada melhor do que inverter o discurso que anteriormente criticava FHC e Collor por não participar de debates e arrumar alguma desculpa de antemão para bater em retirada. O PT aprendeu muito bem a amoralidade da tomada do poder estatal de Maquiavel, autor padroeiro de Antonio Gramsci, a principal figura intelectual do partido: tome o poder por qualquer meio, inverta o discurso, aplique a hipocrisia, jogue com uma regra para si e outra para o adversário.

O PT pretende que Dilma participe no máximo de uns 3 debates. A chance de esse número diminuir ainda mais logo após o primeiro não parece coisa de outro mundo – Dilma fala muito mal, até tendo inventado o dilmês.

Rui Falcão inventa as desculpas que pode – na “lógica” francamente torta de quem acredita que uma imprensa livre, não controlada por um partido tomando o Estado, leva ao nazismo. Seu respeito pela opinião diversa, pela conclusão tirada de argumentos, e não de propaganda de marqueteiros, é basicamente nulo, conforme se vê em reportagem da Folha:

“O excesso de debates bloqueia muito a agenda dos candidatos e ao mesmo tempo cria sensação de déjà vu, vai repetindo perguntas e repostas (…) temos que valorizar mais os debates, que estão se banalizando pelo excesso”, disse Falcão.

A postura do petista contrasta com a do partido há alguns anos. Em 1998, quando o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso se recusou a participar de debates, foi duramente criticado pelo PT.

Hoje, com seu partido no governo central, Falcão acredita não só que há excesso de debates, mas também afirma que eles prejudiquem a agenda dos candidatos, que mobilizam cerca de três dias para cada evento.

“Caso aconteçam 10 debates durante a eleição, um mês da agenda dos candidatos serão tomados somente com debates.”

Vale notar que a mentalidade, o imaginário coletivo, as mobilizações em massa, as ideologias e o comportamento eleitoral de um povo é reflexo das notícias, e uma conclusão tirada de notícias é feita pela própria disposição das notícias nos jornais. A Folha publica, muito bem, várias críticas ao PT, além de declarações doudivanas como esta. Todavia, sempre como notas curiosas perdidas nos cadernos mais “técnicos” do jornal. Tais declarações de Rui Falcão nas primeiras páginas simplesmente poderiam mudar esse país – e melhorar muito sua consciência e noção de realidade.

Notícias Recentes

To Top