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Reações ao Leilão de Libra comprovam o fracasso do governo

Der Spiegel chamou de pechincha. Economist, de propaganda enganosa. Por aqui, a certeza de que o governo não soube conduzir mais esta tentativa de concessão.

A crítica maior veio da revista alemã Der Spiegel. Em suas palavras, diz que o Brasil leiloou um “tesouro por uma pechincha“. Fazia referência, claro, ao fato de o Leilão de Libra ter recebido apenas um único lance pela área do pré-sal na última segunda-feira. Mas aproveitou para falar de um tema a que o PT, hoje tão alinhado à bancada ruralista, não dá bola desde que mandou Marina Silva para a oposição: o meio ambiente. Lembra que se trata de um trabalho que apresenta grandes riscos para o mar, a fauna e as praias da região.

A Economist criticou o modelo de licitação, o maior responsável pelo fiasco. E, segundo a publicação, o episódio foi um balde de água fria em toda a propaganda feita por Lula há seis anos, quando vendeu ao mundo que o pré-sal era um “bilhete de loteria premiado”.

Críticas ao modelo já vinham sendo feitas por aqui. Em comentário para o Bom Dia Brasil, a jornalista Miriam Leitão lembrou que urge ao governo aperfeiçoá-lo. “Esse modelo não se saiu bem no teste. Na última rodada de concessão, pelas velhas regras, apareceram 60 empresas. Agora, só 11, duas não depositaram garantias, enfim… Acabou tendo apenas um consórcio.”

O ex-governador de São Paulo, José Serra, também fez críticas pesadas ao lembrar que tais leilões costumam ser um sucesso sob os cuidados do PSDB, diferentemente daqueles protagonizados pelo governo federal:

Nós concedemos, as estradas receberam investimentos e hoje você pega as 20 melhores estradas do Brasil, elas estão em São Paulo. É porque a gente fez as concessões direito, junto com os parceiros da iniciativa privada, e isso poderia ter sido feito para todo o Brasil. Eles (governo federal) começaram, mas não souberam fazer. Tem duas estradas federais em São Paulo que eles fizeram a concessão e hoje são as piores estradas que o Estado tem, porque a concessão foi mal feita. Depois, tentaram fazer de novo, neste ano, e o leilão fracassou. É não saber fazer.

(grifos nossos)

Já Aécio Neves, provável candidato do PSDB à presidência, criticou não só as falácias defendidas pelo governo, mas também o estrago que a condução de Guido Mantega vem causando nas contas da empresa:

Numa ironia, o senador do PSDB considerou o ministro da Fazenda, Guido Mantega, como o “grande vencedor do leilão”. Isso porque os R$ 15 bilhões em bônus do consórcio que arrematou a área vão servir para o governo bancar o superávit primário. “A Petrobrás paga o preço pela má condução da política econômica que levou ao recrudescimento da inflação. Obviamente, a partir de uma ação do governo junto à Petrobrás por conta do controle do preço da gasolina, a empresa perde valor de mercado, perde competitividade.” Ele acrescentou que a empresa é “sangrada pela necessidade de fazer investimentos para os quais ela não se preparou ou o governo não deixou que se preparasse”.

(grifos nossos)

A presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster, finalmente rompeu o silêncio e resolveu vir a público se pronunciar. E tentou garantir que a empresa tem em caixa a quantia necessária para pagar ainda este ano os 6 bilhões de reais ao governo em bônus, assim como não pretende aumentar o valor dos combustíveis. Mas quem ainda confia no que este governo promete?

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