Notícias

Sem medo do ridículo, governo divulga documento sem assinatura de Dilma como “prova” de que não tentou obstruir Justiça

Termo de posse assinado apenas por Lula não tinha nem data

No desespero para arrumar uma versão ao menos verossímil para o estarrecedor diálogo entre presidentes divulgado nesta quarta (16), o governo Dilma parece ter perdido completamente o último resquício de bom-senso. No final da tarde, foi divulgada uma cópia do termo de posse de Lula com apenas a assinatura do ex-presidente nomeado. Segundo deseja o governo, isso provaria que não houve tentativa de proteger Lula da Justiça, já que o documento não tem valor jurídico sem as assinaturas de ambos. Obviamente, trata-se de uma tentativa risível de esconder a verdade, uma vez que é impossível provar que o ex-presidente não mantinha uma cópia do termo assinada por ambos em seu poder “para o caso de necessidade”, como afirmou a própria Dilma.

Para tentar emprestar algum realismo à farsa, a posse de Lula, então marcada para a próxima terça (22), foi antecipada para quinta (17). Isso é importante porque a justificativa de Dilma para a conversa seria que o documento teria sido enviado a Lula “para o caso dele não poder comparecer à posse”, e não para protegê-lo da polícia, como parece claro. O anúncio anterior, que a posse seria no dia 22, foi estrategicamente apagado das redes sociais do governo e tentou-se passar a versão oficial de que ela estava marcada desde o início para o dia 17.

A cronologia dos eventos não ajuda a sustentar essa versão: Lula esteve em Brasília na véspera e voltou para São Paulo. Se soubesse que seria empossado na quinta, certamente teria ficado na Capital Federal, e não tomado um voo apenas para dormir em casa e voltar a Brasília na manhã seguinte. De qualquer forma, a narrativa não faz o menor sentido. Afinal, que tipo de “necessidade” demandaria o uso de um Termo de Posse de Ministério? O documento serve para pouca coisa além de tomar posse do ministério e… escapar de um pedido de prisão pela Justiça.

O detalhe cômico é que o documento divulgado pelo Planalto como “prova” de quão “republicano” foi o diálogo entre Dilma e Lula não tem nem data.

termoo

Notícias Recentes

To Top