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Tragédia na Bahia expõe relações de Cabral com empresário que já recebeu R$ 1 bi do RJ

A tragédia em Porto Seguro (BA) na última sexta (18), onde morreram 7 pessoas, expôs uma relação bastante peculiar entre o dono de uma das maiores prestadoras de serviço do estado do Rio de Janeiro e o governador fluminense, Sérgio Cabral.

O “Principe do PAC”

Cabral se dirigia ao sul da Bahia num jatinho do empresário Eike Batista em companhia de Fernando Cavendish, dono da Delta Construções. Cavendish é conhecido como “Príncipe do PAC”, por abocanhar a maior parte dos contratos com os governos federal, estadual e municipal .

A assessoria do governador informou que Sérgio Cabral participaria da festa de aniversário de Cavendish, e ficaria hospedado no luxuoso resort do piloto Marcelo Mattoso de Almeida. Um ex-doleiro acusado por  fraude cambial e crime ambiental.

Leiam abaixo trechos da reportagem de O Globo. Voltamos nos comentários.

 

RIO – Três dias depois do acidente de helicóptero que caiu em Porto Seguro, matando seis pessoas – uma vítima ainda está desaparecida -, o estado quebrou o silêncio e informou na segunda-feira que o governador Sérgio Cabral viajou para o Sul da Bahia num jatinho do empresário Eike Batista, em companhia de Fernando Cavendish, dono da Delta Construções. A empresa é uma das maiores prestadoras de serviço do estado e recebeu, desde 2007, contratos que chegam a R$ 1 bilhão. Além disso, também foi informado que Cabral se dirigia com o grupo para o aniversário de Cavendish num resort, onde ficaria hospedado, mas o acidente com a aeronave interrompeu os planos. Na segunda-feira, o governador se licenciou do cargo, alegando razões particulares.

(…)

 

Eike doou R$ 750 mil para campanha

 

Afinidade: os dois também tiveram problemas com bombeiros

 

Além de Cavendish, Eike mantém estreitas relações com o estado e com o governador. O megaempresário doou R$ 750 mil para a campanha de Cabral em 2010. Eike se comprometeu ainda a investir R$ 40 milhões no projeto das UPPs, a menina dos olhos da segurança do Rio.

Desta vez, a participação de Eike, ao oferecer o passeio até Porto Seguro, não tinha relação com projetos públicos. O motivo da viagem era o aniversário de Cavendish, comemorado sexta-feira. Os laços do empresário e da Delta com o estado foram se estreitando nos últimos anos. Se é o “príncipe do PAC” por conta do expressivo número de obras do programa federal que estão na carteira de sua empresa, Cavendish é o rei do Rio, se for considerada a generosa fatia do bolo de recursos do estado que recebeu nos últimos anos ou está prestes a abocanhar, por obras como a reforma do Maracanã ou do Arco Rodoviário, ambas estimadas em R$ 1 bilhão cada. Em 2007, no primeiro ano do governo Cabral, a Delta teve empenhos (recursos reservados para pagamento) no valor total de R$ 67,2 milhões. No ano passado, o número deu um salto de 655%, para R$ 506 milhões.

Quando se consideram os valores efetivamente pagos, a posição de vantagem da Delta não muda. No ano passado, somente a Secretaria de Obras pagou R$ 91 milhões à empresa, que ficou em terceiro lugar na lista das que mais receberam da pasta, que tinha orçamento de R$ 1,1 bilhão para obras e reparos. Em primeiro lugar, com 25%, ficou o Consórcio Rio Melhor (PAC nas favelas), com R$ 269 milhões. Detalhe: a Delta faz parte do consórcio com Odebrecht e OAS. Outro exemplo do longo braço da Delta é o DER. Em 2010, na rubrica obras, o órgão tinha R$ 283 milhões e pagou 30%, ou R$ 81 milhões, à Delta, que ficou com o maior pedaço do bolo.

Em maio, após romper com Cavendish, o dono de uma outra empresa da área de construção, Romênio Marcelino Machado, afirmou à “Veja” que a Delta havia contratado José Dirceu para tráfico de influência junto a líderes petistas. Segundo a revista, Cavendish, em reunião com sócios em 2009, teria dito que, “com alguns milhões, era possível comprar um senador”.

Íntegra aqui.

Comentário:

O sempre atento Coronel do Blog foi um dos primeiros a estranhar a viagem do governador Sérgio Cabral a Porto Seguro, relembrando as ligações do dono da Delta com petistas graúdos que, após serem apeados do cargo, passaram a prestar serviços de “consultoria”. Mais tarde foi a vez do jornalista Jorge Bastos Moreno apontar a ligação do empresário com os “Poderes da República”:

Agora que a proximidade do empresário com o governador do Rio ficou evidente, aguardamos informações sobre quem pagaria as despesas da família Cabral nesse trágico passeio. Será que o Ministério Público tem essa curiosidade?

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