Notícias

TSE flagra mais de 20 mil pobres doando ao todo R$ 168 milhões para campanhas eleitorais

Como sempre, os políticos deram um “jeitinho” na lei.

O Brasil é campeão nesse tipo de coisa. Cria regras “para inglês ver” e elas acabam burladas por meio de gambiarras tragicômicas. Vejamos, primeiro, a ideia de “reforma política”. Como já explicamos aqui, o termo parece bonito e evidentemente revela uma preocupação, mas na verdade não significa nada. Isso porque cada partido tem sua própria “reforma” (uns defendem lista fechada, outros defendem voto distrital etc.). Quando falam em “reforma política”, portanto, no fim das contas não há nada objetivo a ser dito pela expressão em si.

E uma das demandas inseridas nessa coisa toda era a proibição de doações por pessoas jurídicas. Parece bonito, não é mesmo? Mas, claro, é algo idiota. Isso porque – e agora se comprova – quem pretende fazer mutreta continuará fazendo, e ao mesmo tempo as empresas perdem o direito de apoiarem determinados partidos. Sim, é um direito. “Ah, mas se isso for contrapartida?” – daí, investiga-se tudo e pune quem cometer o delito, mas não uma REGRA GERAL que em princípio abarca a todos, independentemente da honestidade.

Deu no que deu, não é? Para adequar-se à lei, políticos começaram a tirar doadores “pessoa física” da cartola, das mangas, do bolso e aí temos essa bizarrice: 21.072 indivíduos pobres doaram, juntos, cerca de R$ 168 milhões. O Tribunal Superior Eleitoral flagrou a parada.

Além disso, beneficiários do Bolsa Família (em tese, miseráveis) e mesmo sem-terra também doaram. De novo, o TSE está de olho.

No mais, é o Brasil sempre dando um “jeitinho” nas leis criadas de forma genérica. Como em todos os casos, o honesto continua honesto e a obedece, mas o pilantra – que continua pilantra – obviamente não cumpre.

Mais Lidas

To Top