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Dilma Rousseff: os 3 erros históricos que a levaram ao abismo

A coisa só chegou a este ponto por culpa do próprio governo.

Dilma Rousseff - EPA

Para além da crise ética, da Operação Lava Jato e mesmo da crise econômica, é preciso destacar os três passos históricos que o governo de Dilma Rousseff deu em direção ao abismo. Ou os três furos que fez no casco gerando o naufrágio – escolha a analogia que preferir.

Não são etapas sucessivas ou subsequentes, mas sim paralelas e coexistentes (o que torna tudo ainda mais bizarro). Foram três erros de natureza quase épica, tamanha a imperícia exigida para cometê-los ao mesmo tempo.

Vejamos:

1 – Divisão do País

Foi a estratégia adotada para angariar eleitorado. O “nós contra eles” existe desde a época de Lula e fez com que o governo petista ganhasse defensores ferrenhos nos primeiros momentos. Ou seja, ajudou (e bem) no curto prazo. Mas depois foi também parte da ruína, já que mais de uma década de divisão faz com que a luta política se torne mais drástica e, em alguns aspectos, até mesmo mais violenta.

Quem plantou essa violência, e agora a colhe, é o exato mesmo governo que lá atrás, por tática política, iniciou a divisão – e tudo que fez foi aprofundá-la mais e mais e mais. Como “acalmar os ânimos” de um país assim? Como pode pedir “calma” quem até agora só inflamou as massas e o próprio povo? Pois é.

Soa como alguém que ateia fogo em mil barris de gasolina e depois aparece com um baldinho de água para apagar as chamas – e ainda reclama e põe culpa nos outros pelo incêndio.

2 – Mentiras de Campanha

Considerando o tópico anterior, era preciso garantir o voto de um dos “lados”. Assim, em vez de assumir a crise, sob pena de talvez perder as eleições de 2014, preferiram simplesmente ENGANAR a população. Usaram toda a divisão de país feita nos anos todos para jogar a conversa de que, se os “outros” ganhassem, acabariam com todos os programas sociais e “conquistas” (sim, os mesmos que este governo, ao ganhar, cortou aos montes).

Também diziam que não havia crise alguma, era tudo invenção da mídia ou algo do gênero. Quando finalmente tudo estourou – e as crises sempre atingem os pobres com mais força -, o farto conjunto de lorotas eleitorais serviu de combustível para queimar o governo. Evidentemente, o povo sentiu-se traído. E foi quase todo ele para o “outro lado” (de novo, o erro de dividir o país e sempre pontuar com violência tal divisão).

 3 – Arrogância Política

O terceiro vértice da catástrofe foi a forma como Dilma Rousseff conduziu sua relação com o legislativo e demais “atores” do jogo político. Isso ainda será estudado como um dos momentos mais tragicômicos de toda a história mundial da estratégia política. Chega a ser impressionante.

Em primeiro lugar, logo depois da reeleição (vencida às custas de mentiras e por margem pequena de votos), ela resolveu passar por cima do então maior (e mais poderoso) aliado, o PMDB. Com isso, o partido recrudesceu e foi pra cima do governo que, em vez de buscar a paz e reconhecer a burrada, topou essa guerra e continuou o combate.

O resto vocês já sabem no que deu.

***

Em suma, tudo foi cuidadosamente semeado e regado pelo governo.

É EVIDENTE que, com a crise econômica galopante e a Lava Jato nos calcanhares do governo, de qualquer jeito tudo estaria bem ruim. Mas, se não fossem os três erros absurdos citados neste texto – todos eles decorrentes da completa falta de talento político de Dilma Rousseff -, a situação não estaria tão calamitosa.

Nem tudo está perdido, é claro, mas as reduzidíssimas chances de o governo ganhar no domingo são decorrência direta de sua própria inabilidade. E também de sua má-fé.

Vão colher o que plantaram.

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