Fernando Gouveia

Com as notícias falsas, a grande imprensa apenas fortalece Trump e queima o próprio filme

E a regra obviamente vale para qualquer político ou país. Há alguns casos assim no Brasil, e com resultados semelhantes.

Antes de entrar no mérito desse tema, é preciso tratar do contexto em que tudo acontece. Em primeiro lugar, o esquerdista parece ter como missão divulgar o esquerdismo onde quer que trabalhe. Pode ser numa sala de aula, pode ser no departamento de marketing de multinacional e, claro, também num grande veículo de comunicação. Desse modo, como acontece em qualquer seita congênere, ele aproveitará cada momento de mínimo destaque para passar a “palavra” adiante.

Além disso, e este parece um traço ainda mais deplorável, essa turma não vê problemas em trapacear para o bem da causa. Ao contrário, considera positiva a mentira que “lance luz” sobre alguma bandeira da agenda esquerdista. Como quando torcem fatos para que uma notícia pareça fundamental a certa causa, as coisas depois se comprovam diferentes, e mandam algo do tipo “ah, mas isso acontece muito, valeu chamar atenção”.

E assim chegamos a Trump.

Para dizer o mínimo, a cobertura eleitoral foi vergonhosa, nos EUA e no resto do mundo. Por mais que Donald Trump seja alguém repleto de defeitos, as matérias descaradamente sujas, sobretudo de veículos grandes, acabaram fazendo com que os defeitos patentes do então candidato ficassem, pouco a pouco, num segundo plano. Afinal, por mais que ele fosse uma pessoa terrível, era mais do que evidente a distorção de fatos e notícias para prejudicá-lo.

Resultado prático dessa brilhante tática de comunicação: o vilão virou vítima (acontece muito, aliás). E, acima de tudo, é preciso ser muito incompetente para conseguir que o dito cujo, com toda sua postura sempre agressiva, fique também na posição de “alvo de ataques”. A vida na “bolha” canhota e a empáfia gigante por parte desses jornalistas propiciaram essa verdadeira façanha.

Mesmo assim, ou até por causa disso, ele se elege, e muito “especialista” que cantava a vitória de Hillary passa vergonha mundial. Alguns poderiam supor que, até mesmo pelo fiasco (não tanto por arrependimento ético), a grande mídia pararia com a distorção absurda, não é? Mudariam a estratégia, certo? Errado. A toada segue idêntica.

Dias atrás, por exemplo, divulgaram um “dossiê” que comprovaria pesadíssimo escândalo sexual, com direito a práticas fetichistas e tudo mais. A acusação central seria de que a Rússia mantinha Trump como refém de chantagem, pois teria em mãos os vídeos dessas farras. O roteiro, por si, seria digno de muita desconfiança; mesmo assim, muitos divulgaram como verídico um documento fajuto. A farsa foi rapidamente comprovada e, para piorar, parece ser pegadinha de um fórum online.

Pararam? Não pararam. Numa mistura de arrogância de quem não reconhece o erro e a persistência tática que tem fracassado o tempo todo, esses mesmos veículos adotaram posturas do tipo “nada foi comprovado ainda” ou “o melhor foi mesmo divulgar”. Patético. Mas o pior (sim, a coisa piora) veio depois: MUITOS colunistas e formadores de opinião acham que foi “importante” e/ou “positivo” levantar a história, mesmo falsa. Sim, é exatamente a tal pós-verdade que tanto criticam, e aplicada a um caso concretíssimo de “fake news”.

Tudo que conseguiram foi mostrar que jogam sujo, colocando de novo Donald Trump como vítima dos grupos de mídia, ainda por cima oferecendo ao republicano uma “narrativa” agora imbatível. Na hipótese de surgir algum “dossiê verídico”, ou qualquer relato descrevendo fatos parecidos, ele ganhou a inapelável saída de dizer que estão requentando uma “mentira comprovada”, relembrando o documento falso divulgado como verdadeiro. E ganhará a batalha com relativa facilidade.

Esse expediente, portanto, é a um só tempo sujo e burro. Sujo porque atropela a verdade e burro porque dá errado. A ideia é prejudicar Trump, mas o uso da trapaça faz com que as pessoas não fiquem contra ele, mas sim contra a imprensa – que, no frigir dos ovos, perde mais e mais a credibilidade já bem discutível. E a insistência no jogo sujo parece ainda mais suicida quando se constata que a influência eleitoral já foi para o saco.

Por fim, vale lembrar que isso não se restringe a Trump ou aos EUA; fazem a mesma coisa por aqui e o resultado é similar. Nestes novos tempos, com as redes sociais cada vez mais fortes, as notícias falsas/distorcidas não chegam a vingar e, além de queimar o próprio filme, os veículos acabam ajudando quem queriam prejudicar. Provavelmente, só acordarão para isso tarde demais.

Fernando Gouveia é co-fundador do Implicante, onde publica suas colunas às segundas-feiras. É advogado, pós-graduado em Direito Empresarial e atua em comunicação online há 16 anos. Músico amador e escritor mais amador ainda, é autor do livro de microcontos “O Autor”.

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