Fernando Gouveia

Sejamos francos: a adoção da palavra “paralimpíada” é uma bobagem mocoronga

O termo em inglês é “Paralympics”, de modo que a tradução seria “jogos paralímpicos”. A forma “paralimpíada” não existe em lugar algum e nem é marca registrada. É preciso parar com isso.

Recentemente, o debate sobre formas usuais, gramática normativa, registro em dicionário e aprovação pela ABL ganhou animosidade inédita para este campo, já que a ele se agregou a beligerância com que hoje se leva toda a política. Tudo bem, acontece.

Mas há casos em que mesmo direita, esquerda, centro, liberais, conservadores, anarquistas, socialistas e até mesmo pós-petistas concordarão: a palavra “paralimpíada” é uma estupidez completa. Certo? Sim, certo.

A patacoada começou recentemente, pois sempre foi usada a forma correta (e, sim, nesse caso há uma inequívoca forma correta), “paraolimpíada”. De uns tempos para cá (alguém sabe precisar quando?), sumiram com o “o”.

Foi por empoderamento? Foi para atender alguma demanda? Buscam chamar atenção para determinado grupo? Nada. Mudaram a grafia por conta da marca registrada em inglês, mas há muita gente cometendo um erro relativamente vergonhoso por conta disso. Vejamos.

“Olimpíada” vem de “Olimpo”, o monte no qual viviam as divindades gregas, e o evento consiste numa homenagem a esses deuses. O Comitê Olímpico Internacional usa a forma em inglês “Olympics” (não “Olympiad”) e os jogos paraolímpicos, iniciados em 1989, foram registrados sob a marca “Paralympics”. Ok, direito deles.

E há quem traduza para “jogos paralímpicos”. Podemos até aceitar, ainda que com cara feia e balançando a cabeça sob protestos mentais silenciosos. Tudo bem, tudo bem.

Mas “PARALIMPÍADA”, aí não. A palavra não é adotada como marca pelo COI em idioma algum. Então, por favor, é importante parar, evitando-se assim constrangimentos maiores e mais dolorosos.

Então, reiterando: “jogos paralímpicos” fica um negócio meio feio feio, mas ok, estão ao menos traduzindo uma marca. Mas esse não é caso da PARAOLIMPÍADA, com essa ovalada e fundamental letra “o”; especialmente em respeito ao glorioso monte grego, cujo nome bem sabemos não ser “Limpo”.

Cumpre ressaltar, aproveitando a ocasião, que o evento realizado numa cidade não são “Olimpíadas”, mas sim uma única “Olimpíada”. Quando se soma edições dos jogos, aí sim. Exemplo: “as melhores olimpíadas foram as de Los Angeles e Seul”. Mas não se diz “as olimpíadas do Rio”, porque foi uma só.

Beleza? Beleza.

Então reiteremos o ponto central. É Paraolimpíada. De novo: paraolimpíada. Definitivamente: paraolimpíada.

Fernando Gouveia é co-fundador do Implicante, onde publica suas colunas às segundas-feiras. É advogado, pós-graduado em Direito Empresarial e atua em comunicação online há 15 anos. Músico amador e escritor mais amador ainda, é autor do livro de microcontos “O Autor”.

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