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No VI Congresso do PT, Lula garantiu: “Não fiquei mais radical, fiquei mais ‘maduro'”

05 05 2017 São Paulo SP Brasil O ex-presidente Lula e o ex-presidente do Uruguai, José Mujica, na abertura da etapa estadual São Paulo do 6º Congresso do PT, no sindicato dos Bancarios na rua Tabatinguera Foto Filipe Araujo

No dia que uma Constituinte consolidou a Venezuela como uma ditadura, Gleisi defendeu que o Brasil precisa de uma Constituinte Exclusiva

Foto: Filipe Araujo

Às 18h04 de 8 de agosto de 2017, a Associated Press surgiu em modo “urgente” no Twitter informando que a Assembleia Constituinte convocada por Nicolás Maduro havia se autodeclarado superior a todas as outras instituições do governo venezuelano:

A notícia chegou três dias após o Mercosul suspender a Venezuela por ter usado o referido processo para consolidar uma ditadura no membro mais ao norte. E apenas três horas após o PT publicar no próprio site que Gleisi Hoffmann, presidente do partido, defendera que o Brasil precisava encarar iniciativa semelhante:

Os partidos de esquerda têm o papel de radicalizar a experiência democrática. Reforma do sistema financeiro, regularização da mídia. Precisamos buscar algo como a geringonça de Portugal. Precisamos claramente de uma reforma política com constituinte exclusiva.”

Se antes o Partido dos Trabalhadores tentava disfarçar as intenções, a coisa passou a ficar explícita após o impeachment de Dilma Rousseff. Neste aspecto, nada foi mais assustador que o discurso proferido por Lula três meses antes, no VI Congresso Nacional do PT. Nele, o ex-presidente esforçou-se não só para juntar os cacos do que sobrara da sigla após a operação Lava Jato, mas para incendiar a militância contra qualquer um que se ponha no caminho do petismo.

Um petismo que rasgava a fantasia com aplausos efusivos justo nas falas mais autoritárias. Aos 11min19s, Lula faz uma descarada ameaça à imprensa: “Se eles não me prenderem logo, quem sabe um dia eu mando prendê-los por mentiras que andam falando nesse país“. Aos 39min50s de discurso, por três vezes o petista conjugou o verbo “odiar” antes de, em tom de ameaça, prometer: “Se preparem, porque eu agora quero ser candidato a presidente da República“.

Aos 43 minutos, uma nova ameaça, deste vez com boi devidamente nomeado:

“Quero aqui avisar em alto e bom som. Tudo o que eu desejo na vida é disputar as eleições contra um candidato da Rede Globo de Televisão. Não existe nenhum instituição no Brasil, hoje, não se engane como eu me enganei. Porque não foram poucos os almoços que eu fiz com os Marinhos. Não foram poucas as conversas que eu tive, que Dilma teve. Não foram poucas as conversas. E eles nunca nos respeitaram. Eles nunca falaram sequer parte daquilo que a gente merecia que eles falassem. Também eu não tenho mais por que acreditar nisso. Não tenho. E eu quero que eles tenham um candidato que tenha o ‘plim-plim’ no peito. Que é pra gente poder fazer uma campanha dizendo claramente que nós vamos regulamentar os meios de comunicação neste país.”

A plateia foi ao delírio em aplausos efusivos. Glesi Hoffmann e Lindbergh Farias surgem no quadro celebrando. Fernando Haddad parece contido quando o plano abre. Mas logo é usado como exemplo pelo próprio Lula. Que conclui, no que parece ser o trecho mais abjeto de todos, aos 45min36s, com olhar desconfiado:

“Eu não fiquei mais radical. Apenas fiquei mais ‘maduro’. Mais ‘maduro’.”

O termo está transcrito aqui em minúsculas por respeito à leitura em que Lula apenas estaria fazendo uma referência à experiência que acumulou. Mas, pela associação com o termo “radical”, e os ataques descarados à imprensa, houve quem entendesse nas redes sociais que o ex-presidente fazia menção a Nicolás Maduro, que aniquilava manifestantes desde o início de abril nas ruas da Venezuela, e três meses depois seria finalmente entendido como o ditador que já é há tempos.

No instante seguinte, como se nota na imagem abaixo, um sorriso irônico surgiu no rosto de ao menos três membros da mesa, entre eles, a presidente do partido:

VI Congresso Nacional do PT

VI Congresso Nacional do PT

Lula sempre poderá se defender alegando que a frase findou mal compreendida. Mas três meses se passaram desde então, e o PT só se esforça para publicamente referendar o trabalho de Maduro.

Fonte: Partido dos Trabalhadores

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