Artes

Com 7 obras polêmicas em 2017, a direita tem ocupado o cinema nacional

Cinema Nacional

A direita brasileira tem invadido o cinema nacional até mesmo quando as portas lhe são fechadas

A coisa não mudou muito de figura, a esquerda segue dominando o discurso dos formadores de opinião não só no Brasil, como no mundo. Mas um fenômeno improvável há algumas temporadas vem chamado a atenção em 2017: a direita brasileira – e aqui não interessa se ela possui um viés liberal ou conservador – tem invadido o cinema nacional, até mesmo quando as portas lhe são fechadas.

Nesta temporada, ao menos sete títulos chamaram atenção no noticiário, não só pelos temas que destacam, como pelos personagens que protagonizam os projetos. Pautas como maioridade penal, conservadorismo, austeridade, desarmamento, corrupção, patriotismo e o politicamente incorreto foram jogados no centro do debate, apesar dos boicotes da crítica, dos cinemas e até de cineastas.

Sem juízo de valor sobre cada peça, o Implicante lista abaixo estes sete trabalhos e indica o consumo de todos, mesmo que para as devidas críticas. Por enquanto, importa mais que a pluralidade de ideias tenha finalmente chegado à produção nacional. E que ela deve ser cada vez mais alimentada.

Silenciados

Daniel Moreno já havia causado polêmica ao lançar em 2009 o documentário Reparação, que focava nas vítimas das “vítimas da ditadura”. Em Silenciados, o diretor volta a conversar com famílias que sofreram grandes perdas, mas pelos atos de assassinos que, por serem menores, recebem da justiça brasileira um tratamento mais relaxado. “Sem censura, sem justiça, sem Rouanet“, o resultado pode ser conferido no YouTube mediante pagamento de R$ 4,90. A série possui quatro episódios com uma média de 50 minutos cada. O trailer pode ser conferido abaixo:

O Jardim das Aflições

O tema de O Jardim das Aflições é filósofo Olavo de Carvalho. Isso bastou para que o documentário de Josias Teófilo fosse boicotado por cineastas esquerdistas no XXI Cine PE. Mas o tiro saiu pela culatra. A mídia espontânea fez com que o filme fosse o mais disputado no evento, garantindo-lhe a vitória ao final. No IMDB, segue com nota 8,1, o equivalente à de grandes produções internacionais, como O Lobo de Wall Street, La La Land e Gran Torino. O trailer pode ser conferido abaixo:

Real, o plano por trás da história

Talvez seja o projeto mais inusitado do ano, pois tentou dar vida a um programa técnico e burocrático. Com o economista Gustavo Franco como protagonista, o filme de Rodrigo Bittencourt baseia-se em “3.000 dias no bunker – Um plano na cabeça e um país na mão” de Guilherme Fiuza para contar a história do Plano Real, o pacote de medidas que, ainda no governo Itamar, sob a tutela de FHC, deu fim a décadas de inflação galopante. A crítica, claro, detestou. Quanto ao público, deu um razoável 6,7 no IMDB. O trailer pode ser conferido abaixo:

Desarmados

O projeto de Lion Andreassa e Fÿyrio Hemeh apresenta-se como “o documentário que foi proibido pelos cinemas do Brasil“. Sem qualquer auxílio de Lei Rouanet, foi viabilizado por doações de pessoas físicas. Foca-se no Estatuto do Desarmamento e na relação que tal iniciativa teria com o crescimento da violência no país. Driblando o bloqueio das grandes redes, conseguiu ser distribuído no Now, serviço de streaming da Net. Há previsão também de veiculação pelo YouTube. O trailer pode ser conferido abaixo:

Polícia Federal: A Lei é Para Todos

Talvez o maior e mais barulhento lançamento do ano. O filme de Marcelo Antunez conta a história da Lava Jato pela perspectiva da Polícia Federal, dando até nomes aos bois, ainda que alguns personagens reais sejam condensados em um ou outro fictício. Tem por ponto de partido os primeiros passos da operação, e deve se concluir no início de 2016. Desde já, promete ser uma trilogia, mas reconhece que pode se esticar ainda mais, a depender do rumo da investigação. Também se recusou a fazer uso da Lei Rouanet, mas vem causando polêmica ao esconder os nomes dos financiadores – que alegam querer se preservar dos ataques políticos que a iniciativa naturalmente geraria.

O trailer é promissor:

Brasil – A Última Cruzada

Sabendo que o brasileiro vem sentindo cada vez mais vergonha do próprio país, o Brasil Paralelo resolveu tomar uma atitude. E preparou a série documental Brasil – A Última Cruzada. O objetivo é discutir o patriotismo e tentar resgatar boa parte da história nacional que foi deliberadamente perdida por historiadores cheios de segundas intenções. A partir de 18 de setembro, os cinco episódios começarão a ser liberados no site do próprio projeto mediante uma inscrição simples (nome e email). Você já pode reservar se cadastrar clicando aqui. Abaixo, segue o trailer:

Como se Tornar o Pior Aluno da Escola

Danilo Gentili é hoje o “reaça” mais bem sucedido no Brasil. Diariamente na TV, tinha se acostumado a bater a audiência de ninguém menos do que Jô Soares, o apresentador que era tido aqui como dono de um formato de “talk show” bem difundido nos EUA. O diretor Fabrício Bittar converteu em filme o livro lançado pelo comediante ainda em 2009. Os dos grandes trunfos na película é trazer Carlos Villagrán – o personagem Quico do seriado Chaves – como antagonista. Chutando o politicamente correto para escanteio, o enredo mostra como um estudante pode aprontar para, como o título diz, se tornar o pior aluno da escola. Mas, independente das polêmica, o autor garante que quer apenas inaugurar um gênero no Brasil, o da “comédia engraçada”.

O trailer pode ser conferido abaixo:

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