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A liberdade de expressão é um direito humano e precisa ser defendida no público e no privado

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Conservadores e liberais precisam agir como se vivessem sob censura pois, na prática, vivem

Foto: Jason Howie

Ao se conferir a dezena de páginas do memorando, percebe-se que James Damore se esforçou. O então engenheiro do Google organizou todas as suas percepções, apresentou o conflito da forma mais pacífica que encontrou, referenciou cada um dos dados mais polêmicos que citou, gerou gráficos e, ao final, dispôs-se não só a ouvir quem dele discordasse, como ainda a ajudar a empresa a ajustar os problemas listados. Nada disso o impediu de ser sumariamente demitido.

Em dado momento, Damore foi direto ao ponto: “parem de alienar os conservadores“. E seguiu explicando:

A diversidade de pontos de vista é, sem dúvida, a diversidade mais importante e a orientação política é uma das formas mais significativas e fundamentais para que as pessoas vejam as coisas de formas distintas.

Em ambientes altamente progressistas, os conservadores são uma minoria que precisa ficar no armário para evitar a hostilidade explícita. Devemos capacitar aqueles com ideologias diferentes para que possam se expressar.

Alienar os conservadores é nada inclusivo e, em geral, um negócio ruim pois conservadores tendem a ser mais conscientes, o que é necessário para uma grande parte do trabalho de manutenção característico de uma empresa madura.”

Em vão – ainda que a demissão tenha servido para provar que os reclames do engenheiro faziam sentido.

De esporádicos, casos assim tornaram-se rotineiros. Em especial, no Vale do Silício, o mais recente objeto de desejo da esquerda americana. O exemplo do Google é grave em si, pois se trata de uma das marcas que mais se colocavam na defesa da liberdade de expressão. Mas, ao que tudo indica, a coisa desandou no último ano, especialmente após a eleição de Donald Trump.

A exemplo do ocorrido no Facebook, para saciar os críticos que se ancoravam no factoide das “fake news”, o motor de busca permitiu-se uma interferência humana. No YouTube, qualquer tema mais delicado corre agora o risco de perder anunciantes, com o canal marcado como sensível. Medida semelhante foi tomada no Twitter. Para tanto, basta alguma militância se organizar e denunciar o desafeto para automaticamente o perfil entrar em modo impróprio – correndo, inclusive, o risco de permanecer assim eternamente.

Não há descando nem quando tentam emplacar iniciativas com o objetivo específico de trabalhar a liberdade de expressão. Sem jamais ter sido aprovado na Apple Store, o GAB foi banido do Google Play sob o argumento de disseminar “discurso de ódio”. Com isso, 95% do mercado mobile fechou às portas ao aplicativo que prometia ter por prioridade a luta contra a censura.

Está muito claro para qualquer usuário que se aventura na redes sociais: há regras, mas, salvo raras exceções, só são aplicadas contra os inimigos de quem “ocupou” as empresas de TI. No Twitter, um projeto nacional tenta provar tal ponto enumerando casos de “twitteiros” que aderiram ao tal “discurso de ódio”, mas do lado que a indústria o tolera. Em questão de dias, com apenas 130 tweets, acumulou 13 mil seguidores. Mas é tanta a certeza de que cairá antes mesmo de qualquer “denunciado” que já há um perfil reserva publicado aguardando o fatídico dia em que será suspenso.

Há quem veja as empresas agindo no direito delas, cabendo repúdio para iniciativa do tipo apenas quando com origem estatal. Mas a Declaração Universal dos Direitos Humanos é clara em seu 19º artigo:

Todo o indivíduo tem direito à liberdade de opinião e de expressão, o que implica o direito de não ser inquietado pelas suas opiniões e o de procurar, receber e difundir, sem consideração de fronteiras, informações e idéias por qualquer meio de expressão.”

Em outras palavras, a liberdade de expressão é um direito humano. Ou seja, um direito que se encontra acima do Estado, quanto mais das regras da iniciativa privada. Ora… Se um projeto é devidamente repudiado ao fazer uso, por exemplo, de mão de obra escrava, por que a sociedade deveria acompanhar calada a supressão de direito tão fundamental?

A situação está crítica num ponto que há artigo na National Review defendendo que os principais serviços da web sejam tratados como coisa pública. Mas não deveria ser para tanto. Uma vez que, independente da vontade do Estado, certos direitos precisam ser preservados.

Fonte: Declaração Universal dos Direitos Humanos

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