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“A Coreia do Norte é um campo de trabalho forçado posando de nação”

Suki Kim tem cidadania americana, mas nasceu e cresceu na Coreia do Sul. Por causa da guerra, teve a família dividida com a Coreia do Norte. No relato publicado pela BBC, ela conta que a avó “literalmente morreu de aflição esperando o filho que acidentalmente ficou do outro lado e não pôde nunca regressar“. Foi neste contexto que a jornalista conseguiu um emprego temporário na Universidade para a Ciência e Tecnologia de Pyongyang, e colecionou as impressões lançadas em Without You, There Is No Us: My Time with the Sons of North Korea’s Elite’, livro de 2015.

É deste relato que se descobre que grupos cristãos evangélicos estão se infiltrando na educação da ditadura socialista com propósito missionário, ainda que a longo prazo. A iniciativa pode surtir algum efeito, uma vez que se foca nos futuros líderes da nação – a PUST é a única universidade privada do país –, mas o proselitismo é criminalizado por lá, e o acordo com o governo reforçava a proibição.

Os relatos de Suki soam a concretização de um pesadelo. De acordo com a jornalista, na Coreia do Norte, o governo decide até a carreira que cada cidadão seguirá. A descrição da escola lembra um presídio: são 270 homens vigiados dia e noite por militares, sem permissão para saírem do ambiente.

Toda a mídia – um jornal e um canal de TV – oferecem apenas conteúdo que enaltecem Kim Jong-un. Até o calendário local começa com o nascimento do “Grande Líder”, Kim Il-sung. Em 2011, os alunos da “espiã” nunca tinham ouvido falar de termos como Taj Mahal, Torre Eiffel, Michael Jackson ou mesmo a internet – ainda que aquela fosse uma faculdade de tecnologia.

O controle é tamanho que o norte-coreano precisa de autorização do governo até para viajar dentro do país. O socialismo tenta controlar até a mente do povo. Como professora, Suki tentou fazer com que os alunos escrevessem dissertações. Em vão. Porque eles tinham sido doutrinados a repetir ideias prontas, não demonstraram capacidade para elaborar pensamentos críticos. No máximo, desabafos em primeira pessoa sobre alguns sentimentos confusos que carregavam.

Em uma participação no Ted Talk, a jornalista resumiu a Coreia do Norte como “um campo de trabalho forçado posando de nação“. E há, no Brasil, partido que defenda publicamente este horror.

Fonte: TED

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