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A ‘faxineira’ do PT faz coleta seletiva: no PMDB ninguém mexe.

Convertida pela imprensa em diarista oficial da República após a série de demissões que resultaram na queda de dois ministros acusados de enriquecimento lícito, Dilma não vem mostrado igual disposição quando os denunciados são do maior partido da base, o PMDB. Pra não parecer protecionismo, a presidente fechou acordo com os caciques do partido para substituir todo o segundo escalão do ministério da Agricultura. Uma forma de prestar alguma satisfação sobre as inúmeras denúncias que surgiram contra integrantes da pasta.

Abaixo a reportagem de João Domingos para o Estado de São Paulo. Voltamos nos comentários.

BRASÍLIA – A presidente Dilma Rousseff decidiu manter Wagner Rossi no Ministério da Agricultura para não brigar com o PMDB do vice-presidente Michel Temer, mesmo com todas as denúncias de suposto tráfico de influência envolvendo o ministro. Em contrapartida, Dilma vai impor uma faxina nos cargos hoje ocupados por amigos de Rossi. Há 12 pessoas que ocupam cargos hoje na Agricultura, por indicação política e amizade com o ministro, que estão na mira da presidente e devem ser substituídos por nomes técnicos.

Essa é a base do acordo de convivência com a base aliada, que tem no vice-presidente da República – eleito com ela na mesma chapa – um dos seus principais líderes. Temer é o padrinho da nomeação de Rossi.

Segundo informações de auxiliares da presidente da República, Dilma fará o máximo de esforço para evitar repetir com o PMDB a experiência traumática que vive com o PR, alijado do Ministério dos Transportes. O PR na terça-feira, 16, abriu mão dos cargos que ocupa no governo e disse que atuará com independência nas votações no Congresso.

Por causa da tensão na base, a presidente aceitou manter Rossi – pelo menos por enquanto, por não considerar graves as denúncias contra o ministro. Ela sabe que não pode perder o apoio do PMDB, além do agravante de o presidente do partido ser também o seu vice. Temer tem hoje o controle quase absoluto do partido, apesar dos peemedebistas dissidentes, como os senadores Jarbas Vasconcellos (PE) e Pedro Simon (RS).

Íntegra aqui

Comentário:

Esta semana o ministro da Agricultura teve que vir a público para se defender de mais uma denúncia. De acordo com o jornal Correio Braziliense, Rossi fez viagens particulares no jatinho da empresa Ourofino Agronegócios, beneficiada com autorizações do governo para a comercialização de vacina para febre aftosa. De acordo com a reportagem que pode ser lida aqui, a dona do jatinho, a Ourofino Agronegócios, registrou crescimento de 81% após sua participação na campanha de vacinação do governo federal contra a febre aftosa, iniciada em novembro passado.
Em nota, Wagner Rossi admitiu ter viajado no jatinho da empresa beneficiada pela autorização do ministério da Agricultura, mas diz não haver problema algum nisso.
Esta semana a Revista Veja trouxe mais denúncias envolvendo o nome do ministro. Abaixo um breve histórico da carreira de Rossi extraído da versão online de Veja:

Amigo há 50 anos e leal servidor do vice-presidente Michel Temer, Wagner Rossi entrou para a política em 1982, quando concorreu pela primeira-vez a deputado federal. Até então, levava uma vida modesta de professor universitário. Morava em uma casa de classe média em Ribeirão Preto, tinha uma Kombi, uma Belina e um Fusca Laranja, com o qual fez a campanha. “Ele não tinha dinheiro nem para bancar os santinhos”, lembra João Gilberto Sampaio, ex-prefeito de Ribeirão Preto. Depois de dois mandatos como deputado estadual, dois como deputado federal, a presidência da Codesp, da Conab e dois anos como ministro (funções cujo salário máximo é de 26 mil reais), sua ascensão patrimonial impressiona.

O homem do fusca laranja e sua família são, hoje, proprietários de empresas, emissoras de rádios, casas e fazendas. Wagner Rossi mora numa das casas mais espetaculares de Ribeirão Preto, no alto de uma colina, cercada por um bosque luxuriante, numa área de 400 mil metros quadrados. Adquirida em 1996, quando ele era deputado, a mansão é avaliada hoje em 9 milhões de reais. Tudo, nas palavras do ministro, conquistado com o esforço de 50 anos de trabalho e uma herança recebida.

Leia a íntegra aqui.

“50 anos de trabalho e uma herança recebida”.

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