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Ao contrário de outros três colegas do STF, Ricardo Lewandowski é contra a “lista fechada”

E ele tem bons argumentos.

Temos tratado periodicamente desse tema e, desde sempre, consideramos um absurdo que tal hipótese seja cogitada, tanto mais que seja de fato aceita, embora pareça que será. Afinal, em tempos de alta rejeição, interessa à classe política que o voto deixe de ser nominal à Câmara.

Nesse sentido, e para piorar, são três os ministros do STF que defendem tal tese. Ainda que a esquerda seja conceitualmente simpática à ideia de lista fechada, expusemos a tese de que sua adoção, neste momento, seria ruim justamente para o PT – ainda assim, em nome da democracia (por mais que não gostemos do PT), seguimos contra.

Agora, foi a vez de Ricardo Lewandowski, em artigo publicado na Folha de SP, a contrariar o procedimento. Seguem trechos:

“Para operar adequadamente, contudo, o sistema de listas fechadas pressupõe a existência de um número reduzido de partidos, claramente identificáveis por suas posições programáticas. Esse requisito hoje inexiste no país, onde cerca de 35 agremiações políticas, grande parte sem qualquer identidade ideológica, podem disputar a cada dois anos uma frenética competição para ocupar os cargos eletivos em disputa (…)

Existem países que adotam as chamadas listas flexíveis, em que os partidos formulam uma relação de candidatos cuja ordem pode ser alterada pelos eleitores, aos quais também se permite votar em um nome de sua preferência, independentemente da posição que ocupe na lista. Talvez seja o caso de adotar-se transitoriamente essa solução intermediária, submetendo uma mudança mais radical e definitiva a um plebiscito ou referendo popular, de baixo custo e fácil execução. Para tanto, bastaria inserir uma consulta aos cidadãos na programação das urnas eletrônicas que estão sendo preparadas para as eleições do ano vindouro.” (grifamos)

Pois é. Não é sempre que isso acontece, mas concordamos com Lewandowski.

Fonte: Folha de SP

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