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Delator da Odebrecht diz que dinheiro para sítio em Atibaia ficava em cofre na sua sala

Citou também o apartamento de São Bernardo.

Imagem: TV Globo - Jornal Nacional

O engenheiro Emyr Costa, um dos delatores da Odebrecht na Lava Jato, revelou em detalhes como funcionava o esquema de pagamento da reforma no sítio de Atibaia. Tudo vinha de dinheiro vivo que ele guardava num cofre em sua sala.

Também disse que materiais do triplex no Guarujá foram adquiridos assim.

Seguem trechos:

“O meu superior hierárquico Carlos Armando Paschoal me chamou no seu escritório e me disse que era para eu destacar um engenheiro de confiança para mandar até o apartamento de cobertura que era utilizado pelo então presidente da República, o Lula, e que depois fosse ao sítio em Atibaia para realizar algumas reformas (…) O sítio seria utilizado pelo presidente Lula também, palavras dele (…) As obras que foram solicitadas serem feitas eram: a construção de uma pequena casa para alojamento dos seguranças da Presidência da República, a construção uma edícula de quatro suítes, próxima à casa principal do sítio, a construção de duas áreas de depósitos, uma que seria usada para quarto de empregada e outra para adega do então presidente. A construção de uma sauna perto da piscina e o conserto do vazamento da piscina. E teve também conclusão de um campo de futebol (…)

Disse que eram necessários R$ 500 mil. O Carlos Armando, então, me autorizou a iniciar o trabalho e disse que ia mandar entregar o dinheiro lá, através dessa equipe de operações estruturadas. Nunca tinha manejado na obra somas dessa natureza. Comprei um cofre, desses que você compra nesses caminhões que ficam em alguns lugares, comprei um cofre especificamente e coloquei lá dentro de um armário na minha sala. Semanalmente, separava mais ou menos R$ 100 mil e colocava num envelope fechado, entregava para o Frederico, que por sua vez entregava para o senhor Aurélio, para que o senhor Aurélio fizesse os pagamentos. Era dinheiro de caixa dois que eu recebi efetivo e tinha autorização para gastar. (…)

Uma coisa também que eu vi na TV, e é interessante pra vocês, é que numa dessas investigações que a Policia Federal fez no apartamento do Lula, em São Bernardo, vocês encontraram vários recibos de material de construção. Eram recibos que eram pagos com esse dinheiro, e esse Aurélio deve ter entregue ao Lula pra dizer ‘guarde aí’ (…) Durante a obra ninguém teve contado com o Lula nem família. Única coisa que a gente sabia que Frederico ia perguntar algum detalhe técnica da obra, de acabamento e o senhor Aurélio dizia que ia perguntar para dona Marisa e depois ele repassava as informações.” (grifamos)

Tudo já é suficientemente deplorável, mas os detalhes fazem com que se mostre ainda pior.

Fonte: G1 - Jornal Nacional

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