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Dirceu prepara circo para a sua prisão, mas show é adiado

Os ministros do STF frustraram os planos do mensaleiro ao adiarem para a próxima semana a discussão sobre o cabimento de embargos infringentes.

DIRCEU / JUVENTUDE PT

Há um ditado em inglês ainda dos anos 60 que diz: “don’t do the crime if you can’t do the time”. Em tradução livre, seria algo como “não cometa o crime se não pode pagar por ele”. Aparentemente, José Dirceu já se convenceu de que não só é capaz de pagar pelo Mensalão, como pode tirar proveito político dele, mesmo que a longo prazo. Uma matéria do Estadão desta quinta-feira chega a ser didática:

A matemática do primeiro ministro da Casa Civil do governo Lula, personagem-símbolo do mensalão, condenado a 10 anos e 10 meses de detenção por comandar o esquema, é a seguinte: ele tem direito a pedir progressão de regime para o semiaberto – em que é obrigado a apenas dormir na cadeia – após um sexto da pena, mas quer cozinhar e lavar roupa na prisão para adiantar em seis meses esse benefício.

Assim, chega ao seu tempo de cárcere: 1 ano e 4 meses.

(grifos nossos)

Contudo, antes de trabalhar pela redução da pena, um pequeno show para as câmeras estava planejado:

Nesse cenário de prisão imediata, Dirceu diz que concederá uma entrevista coletiva, apresentará documentos que mostrariam não ter havido desvio de dinheiro público do Banco do Brasil para o mensalão, tese que contraria o entendimento do STF, se autodeclararia preso político e aguardaria, em casa, a prisão pela Polícia Federal.

Matéria do Jornal do Brasil confirmou que o plano realmente foi posto em prática. No salão de festas de seu condomínio recebeu alguns amigos íntimos e celebridades para, num telão, assistir ao “capítulo final do mensalão”:

Dirceu acompanhou toda a sessão no salão de festas de seu prédio, na zona sul de São Paulo. Segundo registrou a jornalista Hildegard Angel, que estava entre os convidados da reunião, o clima no local era “fraterno”. Entre os amigos do ex-ministro, estavam presentes o cineasta Luiz Carlos Barreto, o escritor Fernando Morais, o coordenador nacional do Movimento Sem Terra (MST), João Paulo Stédile, e o presidente da CUT nacional, Vagner Freitas, o Gege.

(grifos nossos)

Mas os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) frustraram os planos do mensaleiro ao adiarem para a próxima semana a discussão sobre o cabimento de embargos infringentes. O que não o impedirá de colocar em prática o plano que o Estadão detalhou:

Dirceu aposta que o julgamento televisionado, sob pressão da opinião pública e em única instância, será visto como de exceção no plano internacional. Nos dois casos, não há perspectiva, porém, de reverter a prisão. O objetivo seria uma “anistia política”, um plano para “5 ou 10 anos”, como afirma a pessoas próximas a ele.

(grifos nossos)

Até o PCC, numa manobra que seria trágica se não fosse cômica, seria usado nos planos do petista:

Mas afirma que outra alternativa seria cumprir a pena no presídio de Tremembé, a 147km de São Paulo, onde diz que a presença de integrantes da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) reduz o risco de rebeliões.

(grifos nossos)

Militante para defender Dirceu como um Nelson Mandela brasileiro não faltará. Contudo, esquece o condenado que brasileiro nunca simpatiza com reduções de pena que, no caso dele, podem chegar a 12% do total. Se acha que pode se dar bem com todo esse teatro, só resta desejar a ele uma coisa: que quebre a perna. Ou melhor: a cara.

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