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Folha de São Paulo muda de idéia e é contra a prisão de mensaleiros

Exatamente isso, não é título pega-trouxa. Em editorial de hoje, a Folha disse o seguinte:

Penas de prisão deveriam, em tese, caber a criminosos violentos; para os demais, como no mensalão, conviriam severas penas alternativas – Os crimes são cometidos mediante violência ou fraude. No primeiro caso, só resta à sociedade prender os infratores -são perigosos demais para continuar à solta. Será adequado tratar todos os demais do mesmo modo?” (grifos nossos)

Parece estranho, mas é BIZARRO o seguinte trecho (que responde à pergunta anterior):

“Esta Folha tem argumentado que não. Há mais de dez anos, portanto muito antes do mensalão, sustenta-se aqui que a pena de prisão deveria ser destinada, em tese, aos que recorrem a violência física ou grave ameaça na consecução do delito de que são culpados.” (grifos nossos)

Será? Dez anos?

Vejamos editorial de fevereiro de 2010 (ou seja, bem mais recente que os dez anos ditos pela FSP):

Do palácio à prisão – Convergem, no caso Arruda, a estrita lógica jurídica e o clamor da opinião pública cansada de tanta impunidade – FOI DEMAIS. A prisão do governador do DF, José Roberto Arruda, vem demonstrar que, mesmo num país onde a corrupção política assume proporções de pandemia, há limites para a contumácia e a desfaçatez (…) Levado do palácio à prisão, um governador eleito pelo voto popular, contando com poderoso e aparentemente inexpugnável esquema de sustentação no Legislativo, vê quebrarem-se, pela ação pronta da Justiça, suas expectativas de continuar afrontando os cidadãos. Não é comum verificar-se tamanha convergência entre o clamor da opinião pública e a análise técnica que deve embasar qualquer decisão do Judiciário…” (grifos nossos).

Natural, sem dúvida, mudarem os editorialistas ou os mesmos editorialistas mudarem de opinião. O ser humano tem disso, né? Mas não digam que a posição é IDÊNTICA por uma década, se em menos de dois anos o jornal pensava de outra forma.

De lá para cá, mudaram os réus. Por coincidência, também a posição editorial. Resta a máxima:

“Será adequado tratar todos os demais do mesmo modo?” – De SP, Folha

Em tempo: o Implicante™ é favorável à prisão em TODOS os casos de corrupção, independentemente do partido ou da simpatia por este ou aquele veículo de comunicação, jornalista ou coisa do gênero. Roubou é cana. Roubou dinheiro público é cana ao quadrado. Achamos, sim, adequadíssimo tratar todos do mesmo modo, a menos que os corruptos sejam tratados de um modo ainda pior (e não com “pena alternativa”).

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