Notícias

Governo ocultou acidente na estação brasileira que explodiu na Antártida

Um dia antes do acidente ocorrido na base brasileira da Antártida, o jornal Estado de São Paulo noticiou uma informação grave a respeito dos problemas enfrentados pelo Programa Antártico Brasileiro. De acordo com o jornal, a Marinha e quatro ministérios que compõem o Programa ocultaram o naufrágio de uma embarcação que transportava 10 mil litros de óleo combustível. O acidente teria ocorrido em dezembro do ano passado.
Abaixo um trecho da reportagem do Estadão:

RIO – Uma chata (embarcação de fundo chato usada para transporte de carga) rebocada pela Marinha afundou em dezembro no litoral da Antártida com uma carga de 10 mil litros de óleo combustível.

Poluente, o produto não vazou, mas está a 40 metros de profundidade e a 900 metros da praia onde fica a Estação Antártica Comandante Ferraz, base brasileira no continente. Um compartimento dentro da embarcação armazena o diesel.

O naufrágio vem sendo mantido em sigilo tanto pela Marinha quanto pelos ministérios que integram o Programa Antártico Brasileiro (Proantar) – Meio Ambiente, Ciência e Tecnologia, Relações Exteriores e Minas e Energia e Defesa. Não houve vítimas no acidente.

O Brasil é signatário de tratados de preservação ambiental na Antártida e, portanto, se comprometeu a não poluir o continente.

Sem divulgação oficial por parte do governo, chega na próxima semana à Baía do Almirantado, onde a chata foi a pique, os navios de socorro Felinto Perry, da frota da Marinha, e Gulmar Atlantis, contratado pela Petrobrás. O Felinto Perry é especializado em resgate de submarinos, além de outras operações complexas.

Mergulhadores da Petrobrás, treinados para atuar em acidentes que envolvem vazamentos nas estruturas de exploração e produção de petróleo, participarão da tentativa de resgate.

O planejamento prevê o içamento da chata por boias e guindaste, para que o gasoil artic (combustível anticongelante produzido pela Petrobrás para a ação brasileira na Antártida) possa ser retirado do meio ambiente antes que comece a vazar.

É uma operação considerada de risco, por causa do clima inóspito da região.

Íntegra aqui.

Pois bem, como o governo não pode ocultar a tragédia ocorrida na madrugada de hoje (25), o jeito foi divulgar uma nota repleta de frases de efeito para dar o tom do noticiário nativo. A Folha de São Paulo, por exemplo, destacou mais a nota divulgada pela presidência do que o acidente em si: Dilma diz que reconstruirá estação destruída na Antártida”, foi a manchete que mereceu destaque. Antes disso a mesma Folha havia divulgado a informação como algo menor: “Incêndio fere militar em estação brasileira na Antártida; dois estão desaparecidos”; no caso, os dois ‘desaparecidos’ morreram, e o incêndio provocou ‘apenas’ a explosão da base militar brasileira de pesquisas na Antártida. Notem que quando a Folha publicou as primeiras informações a imprensa internacional já confirmava a morte dos dois militares.

É evidente que o governo (não a “Dilma” como diz a Folha) tem a OBRIGAÇÃO de reconstruir o estrago causado, já que sem a estação o Programa acaba. O que é curioso é que uma OBRIGAÇÃO vire manchete, de certo modo, positiva.

Abaixo um trecho da notícia divulgada pela Folha Online:

A presidente Dilma Rousseff divulgou nota lamentando a morte de dois militares no incêndio que destruiu a Estação Antártica Comandante Ferraz, na Antártica, na madrugada deste sábado.

Na nota, a presidente diz que os militares tiveram ato de “heroísmo” e foram “mortos ao servir a Pátria”.

Dilma agradeceu o auxílio de outras nações como Chile, Argentina e Polônia. E afirmou que o país tem “A firme disposição (…) de reconstruir a Estação”.

Íntegra aqui.

Esperamos que a reconstrução não seja como as creches prometidas por Dilma, como o aumento do policiamento nas fronteiras, ou as verbas para a prevenção de enchentes. Manchetes positivas nós sabemos que eles são capazes de criar, já soluções…

To Top