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Governo petista usa verba pública para saber se jornal privado é imparcial

O trabalho custou R$ 400 mil aos cofres públicos e mirava a imparcialidade do jornal Zero Hora, do grupo RBS

Se há algo que a esquerda brasileira ainda não aprendeu bem como lidar é a imprensa. Mesmo que tenham ao seu favor grande parte dos maiores veículos e a maioria dos profissionais da área, aparentemente não desativarão o “desconfiômetro” enquanto as vozes que reverberam notícias pelo país não cantarem no mesmo tom. É de Lucas Azevedo, para o Estadão, uma das matérias com teor mais esquisito da semana:

O Ministério Público de Contas do Rio Grande do Sul encaminhou representação ao Tribunal de Contas do Estado questionando a contratação pelo governo Tarso Genro (PT) de uma pesquisa que perguntou a 2.400 entrevistados sobre a “imparcialidade” do jornal Zero Hora, do Grupo RBS.

A pesquisa, realizada em abril deste ano, foi encomendada à empresa Foco Opinião e Mercado Ltda., de Santa Catarina, pela Secretaria da Comunicação e da Inclusão Digital. O trabalho custou R$ 400 mil aos cofres públicos. O ofício do MP de Contas, assinado pelo procurador-geral, Geraldo Da Camino, foi protocolado na terça-feira passada. Sobre a pergunta “O jornal Zero Hora faz uma cobertura imparcial dos assuntos do Governo do Estado?”, Da Camino argumenta em seu despacho que “não se depreende qual a finalidade e o interesse público, em possível desatendimento às disposições constitucionais na realização dos gastos“.

(grifos nossos)

O questionamento do procurador-geral talvez seja de fato o mais relevante. Mas há ainda outros que ficam em aberto: por que o interesse na imparcialidade de um veículo de comunicação? É obrigatório a um veículo de comunicação ser imparcial? Ele não pode, a exemplo do Implicante, ter explícito em seu editorial o posicionamento político e trabalhar com este foco? Por que só o Zero Hora? Por que não a Carta Maior, que recebia mais verba pública que a Folha Online mesmo tendo menos de 1% da visitação deste?

A Secretaria de Comunicação do governo gaúcho segue em silêncio até que, segundo ela, seja notificada.

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