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Lei Geral da Copa: Com feriados em dias de jogos, governo admite que infraestrutura para mobilidade urbana não é prioridade

O Executivo enviou ontem ao Congresso o projeto da Lei Geral da Copa, que regulará desde direitos de transmissão dos jogos até a veiculação de publicidade nos estádios. O projeto prevê a criação de feriados nos dias de jogo nas cidades onde eles ocorrerão. A ministra do Planejamento Miriam Belchior defendeu os feriados como forma de amenizar os problemas de trânsito em cidades como São Paulo. A ministra também admitiu que o governo ainda não sabe quanto a Copa do Mundo no Brasil custará aos cofres públicos. Reportagem da Folha Online:

A ministra Miriam Belchior (Planejamento) sugeriu hoje que eventuais problemas de mobilidade nas cidades-sede dos jogos da Copa do Mundo de 2014 sejam resolvidos com feriados.

“O funcionamento da Copa do Mundo, se eu der feriado no dia do jogo, a cidade vai estar em condições de não ter trânsito para a locomoção dos torcedores”, disse.

A ministra argumentou que a prioridade do governo é construir os estádios, a infra-estrutura para receber navios de passageiros em portos, aumentar a capacidade de aeroportos e na rede hoteleira.

“Mobilidade urbana é um legado para as cidades mas não são [investimentos] essenciais para a operacionalização da Copa do Mundo”.

Miriam Belchior afirmou que o cronograma do governo para as obras da Copa do Mundo começou a ser contado em maio de 2009, quando foram escolhidas as cidades-sede.

“Sem saber em quais cidades seriam os jogos, não poderíamos nos preparar”.

Segundo Miriam as obras de Natal e São Paulo são as únicas atrasadas, mas que São Paulo dá sinais de que conseguirá recuperar o tempo perdido.

GASTOS EM ALTA

Em resposta aos aumentos de previsão de gastos para o evento, a ministra afirmou que a Fifa fez exigências novas que não estavam no plano original. Isso, segundo explicou a ministra, implica gastos adicionais. A ministra afirmou que o governo federal desconhece o quanto custará o evento Copa do Mundo aos cofres brasileiros.

“Eu desconheço qual é o valor que vai custar a Copa do Mundo no Brasil. Não há nenhum estudo que diga isso”, disse Miriam. “Porque exatamente esse planejamento está sendo feito nos diversos ciclos de investimento que eu apresentei aos senhores”.

Miriam Belchior afirmou que os investimentos estão sendo feitos em etapas, de acordo com as decisões dos organizadores do evento. A próxima etapa serão os investimentos em segurança e telecomunicações nas cidades-sede. A última etapa deste ciclo, afirmou, será a definição da malha aeroviária.

“Só poderemos fazer isso depois que soubermos a tabela dos jogos, em quais lugares quais seleções irão jogar”.

(grifos nossos)

Comentário

A inclusão na Lei Geral da Copa de feriados em dias de jogos entre seleções estrangeiras, para aliviar o trânsito nas grandes cidades, é a confissão de que as obras de infraestrutura prometidas não serão concluídas antes do evento. Apesar disso, o site oficial do governo para a Copa destaca que “melhorias na mobilidade urbana” serão o “principal legado” deixado pela competição no país. Aqui vocês podem conferir tudo o que foi prometido para cada cidade-sede.

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