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16 de dezembro de 2011

MEC sabe há mais de um mês que vazamento do ENEM foi maior que o anunciado, mas segue considerando o caso ‘encerrado’

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cola MEC sabe há mais de um mês que vazamento do ENEM foi maior que o anunciado, mas segue considerando o caso encerrado

O inquérito da Polícia Federal que investiga o vazamento de questões do ENEM-2011 revela que, além dos estudantes do colégio Christus, alunos de curso pré-vestibular mantido pelo colégio também viram questões antes da realização do exame. A PF informou o Inep (instituto subordinado ao MEC que é responsável pela aplicação da prova) sobre este fato há mais de um mês, mas o Ministério manteve a decisão de anular apenas as provas dos 639 alunos do Christus. Notícia da Veja Online:

Em 27 de outubro, dias depois da aplicação do Exame Nacional do Ensino Médio 2011, o Ministério da Educação admitiu que questões haviam vazado pouco antes da realização da prova. Os 639 estudantes do ensino regular do Colégio Christus, de Fortaleza, que participaram do Enem tinham recebido apostilas com 14 testes idênticos aos da avaliação federal. Admitido o vazamento, o MEC determinou a anulação das questões para esses estudantes. O problema é que, em meio à celeuma, alunos do curso pré-vestibular da mesma instituição admitiram à imprensa também ter tido acesso às questões. Em relação a eles, o MEC nada fez, agindo como se o vazamento estivesse restrito ao colégio – e dando o caso por encerrado. A decisão se torna indefensável quando se sabe que não foi apenas à imprensa, mas à Polícia Federal, em depoimentos formais, que estudantes do cursinho afirmaram ter visto as questões. E, ainda, que a polícia informou oficialmente o ministério, há mais de um mês, que o vazamento é maior que o admitido. Ao varrer esse fato para baixo do tapete, o ministério de Fernando Haddad se mostra indiferente à possibilidade de que o princípio da isonomia  – segundo o qual todos os 4,5 milhões de participantes devem estar submetidos às mesmas condições ao realizar a prova – tenha sido rompido no Enem de 2011.

No dia 10 de novembro, Eliana Alves de Almeida Sartori, procuradora-chefe do Inep, autarquia do MEC responsável pelo Enem, enviou um ofício ao delegado da PF que preside o inquérito no Ceará, Nelson Teles Junior, solicitando informações sobre as dimensões do vazamento.

(…)

A resposta do delegado da PF Teles Junior ao pedido de esclarecimento da procuradora foi célere e objetiva, emitida no dia seguinte: “Senhora procuradora, (…) já foram ouvidos, nos autos do inquérito policial número 1281/2011, alunos, professores, funcionários e diretor do Colégio Christus. (…) Até o momento comprovou-se que o material distribuído aos alunos foi reproduzido dos cadernos 3 e 7 do pré-teste realizado em outubro de 2010, havendo evidências, conforme depoimentos de testemunhas, que esse material foi disponibilizado tanto para os alunos regulares, como também para os alunos do curso pré-vestibular mantido por aludido estabelecimento de ensino.”

(…)

É importante repetir. Embora tenha sido informado, por intermédio do Inep, sobre esses fatos, o MEC manteve a decisão de cancelar apenas os testes dos 639 estudantes do Christus. Questionado a respeito na semana passada pela reportagem de VEJA.com, o assessor direto do ministro Fernando Haddad, Nunzio Briguglio Filho, alegou que “os indícios apresentados pela PF não foram considerados fortes o suficiente para provocar o cancelamento do exame”. Mas a questão, neste momento, não é anular a prova federal. É levar a sério uma investigação da Polícia Federal que traz, sim, informações preocupantes. Ao delegado Teles Junior, ao menos dois estudantes confirmaram que tiveram acesso privilegiado às questões do Enem – e receberam do MEC tratamento diferente daquele dispensado aos 639 do colégio Christus. Há ainda outra dúvida inquietante: o curso pré-vestibular possui quatro unidades na capital cearense. Será que todas receberam as apostilas com as questões vazadas? Não cabe ao MEC calar-se ou negar indícios graves em tal situação. Tampouco valem comparações errôneas como a feita pelo ministro Haddad, tentando classificar as falhas do Enem como episódios corriqueiros em avaliações de tal porte.

Instituído em 1998 como ferramenta de medição da qualidade do ensino médio, o Enem foi transfigurado, em 2009, em vestibular. Desde então, coleciona turbulências, como furto de provas e erros de impressão. O problema que sacode a edição 2011, contudo, é mais grave. O vazamento, como dito, configura um desrespeito ao princípio da isonomia. Em jogo, estão não apenas as avaliações de estudantes e escolas, mas milhares de vagas de universidades federais – que utilizam as notas do Enem no processo seletivo de alunos. E também a vida e as expectativas de milhões de jovens.

(grifos nossos)

Comentário

Somando arrogância à incompetência, o MEC parece estar fazendo um esforço para dar o caso por encerrado e, assim, minimizar o estrago na imagem do ministro, que sonha com a prefeitura de São Paulo em 2012.  A boa notícia para Dilma – e para os estudantes do Brasil – é que ele está de saída na próxima “reforma ministerial”, e por conta disso não se fala em demissão. Haddad também poderia alegar que sua incompetência é menos grave do que os rolos de Pimentel e Negromonte, por exemplo, e ambos seguem firmes e fortes no comando de seus respectivos Ministérios…

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1 Comentário

  1. Thiago16 de dezembro de 2011 às 12:23

    Bem, já conhecemos o estilo e as competências do Sr. Haddad… mas quem irá substituí-lo? Será alguém do mesmo nível ou melhor?

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