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Ministério da Fazenda confirma que Banco Rural cometeu crime nas operações do mensalão

A decisão do Ministério da Fazenda de multar o Banco Rural, acusado de lavar dinheiro nas transações do mensalão, contraria a versão de Lula que nega a existência do esquema de cooptação parlamentar. Se o próprio governo do PT, ao aplicar a milionária multa, admite que ocorreu um crime, ficará difícil para os ministros do Supremo alegarem o contrário.

Abaixo reproduzimos um trecho da reportagem de Flávio Ferreira da Folha:

O Ministério da Fazenda manteve uma multa de R$ 1,6 milhão aplicada ao Banco Rural por ocultar as evidências de lavagem de dinheiro nas transações do mensalão.

A condenação administrativa, imposta em primeira instância pelo Banco Central, atingiu ainda dois ex-diretores do banco que são réus no processo do mensalão no STF (Supremo Tribunal Federal).

Os ex-dirigentes José Roberto Salgado e Ayanna Tenório Tôrres de Jesus foram multados e proibidos de ocupar cargos de direção em instituições financeiras.

A prática de crime de lavagem de dinheiro é uma das principais acusações do Ministério Público no processo criminal do mensalão.

As punições administrativas do BC foram aplicadas em 2007, no desfecho das investigações iniciadas no Rural por conta do escândalo da compra de apoio político.

(…)

EX-DIRIGENTES

Além de Salgado e Ayanna, os ex-dirigentes do banco Kátia Rabello e Vinícius Samarane também são réus na ação do mensalão.

(…)

Ao longo de 2003, o Banco Rural fez empréstimos de R$ 3 milhões para o PT e R$ 29 milhões para as agências de Marcos Valério.

Leia a íntegra aqui.

José Roberto Salgado - vice-presidente do Banco Rural e réu do mensalão

Comentário

Sempre é bom lembrar que o Supremo absolveu Palocci no episódio da quebra de sigilo do caseiro Francenildo alegando “insuficiência de provas”. Na época, 5 dos 9 magistrados que compunham a corte decidiram não acatar a acusação. Anos depois, em 2011, a Caixa Econômica Federal reconheceu que a quebra fora solicitada pelo gabinete do então ministro Antônio Palocci. Aí já era tarde e a decisão do STF já havia sido tomada.

Agora, o próprio governo federal, através do Ministério da Fazenda, confirma a existência do crime de lavagem de dinheiro antes do seu julgamento no Supremo. Aguardemos para ver qual será a alegação dos ministros que eventualmente julgarem improcedente a acusação.

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