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1 de agosto de 2011

O surto moralizante de Dilma arrefeceu: “só a corrupção salva”

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Temer e Dilma O surto moralizante de Dilma arrefeceu: só a corrupção salva

Durou pouco a disposição de Dilma para afastar os servidores envolvidos em denúncias de corrupção. Bastou aparecer o primeiro caso ligando um peemedebista para a presidente baixar a guarda. Não sem antes, claro, seguir os conselhos de Lula que, por meio do seu escudeiro, Gilberto Carvalho, entrou em campo aos brados de “só a corrupção salva” para tentar frear as baixas no governo.
O caso que provocou essa mudança de comportamento foi relatado pela Veja desta semana. Abaixo um trecho da reportagem de Rodrigo Rangel. Voltamos em seguida:

O tempo fechou na semana passada entre os caciques do PMDB a ponto de colocar em lados opostos o vice-presidente da República, Michel Temer, e o líder do governo no Senado, Romero Jucá. O problema atende pelo nome de Oscar Jucá Neto. Irmão do senador, ele é diretor financeiro da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), estatal subordinada ao Ministério da Agricultura. Sem consultar seus superiores, Jucazinho resolveu autorizar por conta própria um pagamento de uma dívida de 8 milhões de reais a uma empresa de armazenagem chamada Renascença. Havia, porém, um empecilho legal para pôr um ponto final no litígio: o dinheiro para saldar a dívida não existia no orçamento, o que levou a Conab a ter a área de um estacionamento penhorado pela Justiça como garantia de pagamento. (Grifos nossos)

Havia na Conab um intenso lobby político para tentar viabilizar o pagamento ao armazém, o que quase aconteceu no início do ano. O aperto fiscal determinado pela presidente Dilma Rousseff, porém, sepultou a possibilidade. Sepultou. No dia 1º de julho, apenas duas semanas depois de assumir o cargo, Jucazinho aproveitou que o presidente da Conab, Evangevaldo Moreira, estava fora, numa reunião de trabalho com o ministro da Agricultura, e decidiu resolver o caso. Como diretor financeiro, ele tem a senha da conta da Conab. Sem avisar nada a ninguém, ele verificou que havia dinheiro em caixa e fez a transferência. Jucazinho tinha tanta pressa que não atentou para o fato de que estava sacando dinheiro de um fundo que só pode ser usado para comprar alimentos. Dois dias depois, o presidente da Conab descobriu a fraude e levou o assunto ao conhecimento do ministro Wagner Rossi, da Agricultura. Chamado a se explicar na frente do ministro, Jucazinho desafiou seus superiores. Disse que pagou porque era preciso pagar — e pronto. Não se deu ao trabalho de explicar o porquê da pressa, do descuido com os procedimentos administrativos, de ter feito tudo na surdina. Diante do enfrentamento, Rossi, um cacique menor se comparado ao senador Jucá, decidiu demitir Jucazinho. (Grifos nossos)

Ao tomar conhecimento das intenções do ministro, o senador Jucá procurou Michel Temer para defender o irmão. O vice-presidente ficou numa situação delicada. De um lado, seu afilhado político, Wagner Rossi, que foi desautorizado. Do outro, Jucazão, o homem de confiança, artífice de todas as tarefas sujas do partido. Diante do impasse, Temer lavou as mãos — e combinou com os correligionários que o problema seria resolvido sem alarde para evitar desgastes. (Grifos nossos)
(…)

Íntegra aqui.

Não precisamos nem dizer que a empresa que recebeu o pagamento  foi registrado em nome de laranjas, ou seja, os R$ 8 MILHÕES transferidos por Jucazinho não foram destinados ao pagamento de dívidas. O destino final dos recursos vocês já podem imaginar qual foi.

Ao saber da transação, o ministro da Agricultura, Wagner Rossi, pediu a cabeça de Jucazinho. “Humilhado” pela demissão, o irmão de Romero Jucá decidiu disparar contra representantes do Ministério da Agricultura:

Em entrevista a VEJA, Jucazinho contou que existe um consórcio entre o PMDB e o PTB para controlar a estrutura do Ministério da Agricultura com o objetivo de arrecadar dinheiro. Suas informações incluem dois casos concretos de negócios nebulosos envolvendo a Conab. Em um deles, a estatal estaria protelando o repasse de 14,9 milhões de reais à gigante do mercado agrícola Caramuru Alimentos. O pagamento foi determinado pela Justiça e se refere a dívidas contratuais reclamadas há quase vinte anos. O motivo da demora: representantes da Conab negociam um “acerto” para aumentar o montante a ser pago para 20 milhões de reais. Desse total, 5 milhões seriam repassados por fora a autoridades do ministério. (Grifos nossos)

(…)

Íntegra aqui.

Em caso anterior, ocorrido nos Transportes, mal bastou a revista Veja chegar às bancas para que a presidente exonerasse, de imediato, quatro mebros da cúpula do ministério. A onda de demissões resultou em 22 demissões, incluindo a do ministro Alfredo Nascimento. Desta vez a reação de Dilma foi outra, como relata a edição online da Folha:

A presidente Dilma Rousseff não cobrou explicações do senador Romero Jucá (PMDB-RR), líder do governo no Senado, sobre as denúncias feitas pelo seu irmão Oscar Jucá Neto, ex-diretor financeiro da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), a respeito de corrupção no Ministério da Agricultura. (Grifos nossos)

O senador era um dos participantes da reunião de coordenação do governo, na manhã de hoje, no Palácio do Planalto. O novo líder do governo no Congresso, Mendes Ribeiro (PMDB-RS), participou da reunião pela primeira vez.

Segundo a ministra Helena Chagas (Comunicação Social), que apresentou um resumo da reunião à imprensa, as denúncias a respeito da pasta da Agricultura, comandada pelo PMDB, principal aliado do governo, não foram abordadas na reunião. Também não está prevista, segundo a ministra, uma conversa entre a presidente e Jucá para discutir o assunto. (Grifos nossos)

Íntegra aqui

A grosso modo, tanto um caso como o outro são iguais e deveriam receber o mesmo tratamento. A diferença é o tamanho da encrenca proporcionada pelo acirramento de ânimos que um conflito com o PMDB causaria.

Lula e sua patota não inventaram a corrupção, só não vêem mal algum nela.

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2 Comentários

  1. Dhiogo3 de agosto de 2011 às 15:07

    Em um país honrado, um presidente cairia por menos.

  2. Thiago2 de agosto de 2011 às 10:41

    Cadê o Alexandre para dar os parabéns a presidente Dilma pela coragem? … Ah não! Nesse caso ela colocou o rabinho entre as pernas e ficou caladinha… que coisa não?

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