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Proposta de cotas para o vinho nacional desencadeia boicote em todo o país

Uma solicitação feita pelo Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin) ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) surtiu efeito contrário ao esperado pela entidade  que se propõe a defender os interessas da indústria nacional. Tudo porque, de acordo com o instituto, o governo deveria criar uma “salvaguarda” para o vinho brasileiro. Isso se daria através da adoção de medidas como o aumento do Imposto de Importação – cogita-se de 27% para 55% -, criação de cotas para o vinho nacional ou imposição de um limite na quantidade de garrafas importadas.

O boicote, iniciado no eixo Rio-São Paulo, ganhou força e se espalhou por todo o país.

Abaixo outras informações publicadas no Jornal do Comércio do Rio Grande do Sul:

A tentativa de adoção de salvaguardas na Organização Mundial do comércio (OMC) para proteger os vinhos brasileiros da concorrência dos estrangeiros – responsáveis por cerca de 80% do mercado interno – colocou a indústria nacional em rota de colisão com importadoras e alguns dos principais chefes de cozinha do País. De um lado, entidades lideradas pelo Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin) defendem cotas de importação para elevar a participação no consumo dos atuais 19% para 30%. De outro, empresas especializadas e donos de restaurantes promovem boicotes aos rótulos brasileiros e acusam as instituições de tentar elevar as alíquotas de importação de 27% para 55%.

No meio do fogo cruzado, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic) não comenta o assunto por avaliar que o momento é de análise de mercado e da real necessidade de protecionismos. A assessoria revela que a atual fase do processo deve durar no mínimo mais seis meses até que seja levada à votação da Câmara de Comércio Exterior (Camex). De acordo com o órgão, não é possível afirmar se serão adotadas medidas e, tampouco, de que natureza serão as possíveis restrições. Neste cenário, cotas e aumento de tributação não estão descartadas, entretanto, eventuais índices de elevação de impostos estão fora de discussão.

Para o diretor-executivo do Ibravin, Carlos Paviani, toda polêmica é precipitada. Mesmo assim, uma comitiva da entidade constatou o início de boicotes em São Paulo e no Rio de Janeiro. Em alguns dos mais conceituados restaurantes do País, o percentual de produtos nacionais não representa 2% das cartas de vinho. A promessa dos que ainda comercializam rótulos brasileiros, segundo Paviani, não é a de encerrar as vendas, e sim a de retirada da lista de marcas oferecidas aos clientes. “Os principais chefes do Brasil já entraram no boicote e dão peso a um movimento que tenta ideologizar questões exclusivamente comerciais”, pondera.

Leia mais aqui.

Comentário:

Como vocês puderam ler na reportagem, oficialmente o governo diz que não cogita aumentar os impostos mas não descarta o aumento de tributos. Ou seja, qualquer uma das propostas acarretarão aumentos de preço.

A medida em si, além de absurda é inócua. Absurda porque a carga tributária total que incide sobre o preço de uma garrafa, produzida fora do Brasil e da zona do Mercosul, já representa 83,4% do preço pago pelo consumidor final. O peso dos impostos nos importados é muito maior do que o que incide em armas de fogo, por exemplo, cuja carga tributária gira em torno dos 65% de seu valor final. Inócua porque o governo trata o vinho como se fosse uma commodity, onde o único fator a influenciar a compra é o preço. Como sabemos, na falta de vinho o consumidor recorre a outras bebidas mais baratas.

Por enquanto, o que nos resta é aguardar a decisão final do governo.

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