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3 de abril de 2012

Proposta de cotas para o vinho nacional desencadeia boicote em todo o país

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vinho Proposta de cotas para o vinho nacional desencadeia boicote em todo o país

Uma solicitação feita pelo Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin) ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) surtiu efeito contrário ao esperado pela entidade  que se propõe a defender os interessas da indústria nacional. Tudo porque, de acordo com o instituto, o governo deveria criar uma “salvaguarda” para o vinho brasileiro. Isso se daria através da adoção de medidas como o aumento do Imposto de Importação – cogita-se de 27% para 55% -, criação de cotas para o vinho nacional ou imposição de um limite na quantidade de garrafas importadas.

O boicote, iniciado no eixo Rio-São Paulo, ganhou força e se espalhou por todo o país.

Abaixo outras informações publicadas no Jornal do Comércio do Rio Grande do Sul:

A tentativa de adoção de salvaguardas na Organização Mundial do comércio (OMC) para proteger os vinhos brasileiros da concorrência dos estrangeiros – responsáveis por cerca de 80% do mercado interno – colocou a indústria nacional em rota de colisão com importadoras e alguns dos principais chefes de cozinha do País. De um lado, entidades lideradas pelo Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin) defendem cotas de importação para elevar a participação no consumo dos atuais 19% para 30%. De outro, empresas especializadas e donos de restaurantes promovem boicotes aos rótulos brasileiros e acusam as instituições de tentar elevar as alíquotas de importação de 27% para 55%.

No meio do fogo cruzado, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic) não comenta o assunto por avaliar que o momento é de análise de mercado e da real necessidade de protecionismos. A assessoria revela que a atual fase do processo deve durar no mínimo mais seis meses até que seja levada à votação da Câmara de Comércio Exterior (Camex). De acordo com o órgão, não é possível afirmar se serão adotadas medidas e, tampouco, de que natureza serão as possíveis restrições. Neste cenário, cotas e aumento de tributação não estão descartadas, entretanto, eventuais índices de elevação de impostos estão fora de discussão.

Para o diretor-executivo do Ibravin, Carlos Paviani, toda polêmica é precipitada. Mesmo assim, uma comitiva da entidade constatou o início de boicotes em São Paulo e no Rio de Janeiro. Em alguns dos mais conceituados restaurantes do País, o percentual de produtos nacionais não representa 2% das cartas de vinho. A promessa dos que ainda comercializam rótulos brasileiros, segundo Paviani, não é a de encerrar as vendas, e sim a de retirada da lista de marcas oferecidas aos clientes. “Os principais chefes do Brasil já entraram no boicote e dão peso a um movimento que tenta ideologizar questões exclusivamente comerciais”, pondera.

Leia mais aqui.

Comentário:

Como vocês puderam ler na reportagem, oficialmente o governo diz que não cogita aumentar os impostos mas não descarta o aumento de tributos. Ou seja, qualquer uma das propostas acarretarão aumentos de preço.

A medida em si, além de absurda é inócua. Absurda porque a carga tributária total que incide sobre o preço de uma garrafa, produzida fora do Brasil e da zona do Mercosul, já representa 83,4% do preço pago pelo consumidor final. O peso dos impostos nos importados é muito maior do que o que incide em armas de fogo, por exemplo, cuja carga tributária gira em torno dos 65% de seu valor final. Inócua porque o governo trata o vinho como se fosse uma commodity, onde o único fator a influenciar a compra é o preço. Como sabemos, na falta de vinho o consumidor recorre a outras bebidas mais baratas.

Por enquanto, o que nos resta é aguardar a decisão final do governo.

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11 Comentários

  1. Thiago5 de abril de 2012 às 12:02

    Fabiana,

    E como o governo iria superar, mês após mês, os recordes de arrecadação de impostos?

    Saiu esses dias o plano de incentivo a alguns ramos industriais… a renúncia desses ramos será compensada com a elevação de impostos no ramo de bebidas alcoólicas (cerveja) e refrigerantes…

  2. danir4 de abril de 2012 às 21:32

    Geraldo. Aqui numa conversa com o dono de um supermercado que é filiado a uma rede independente (Rede Valor), ele me disse que na primeira semana que foram tiradas as sacolinhas, houve uma queda de mais de 3% nas vendas. Eu comprei meus sacos plásticos iguais ao dos supermercados Por um prêço muito barato), e faço questão de usá-los para mostrar meu desagrado, e ainda assim só compro nos supermercados quando não tem jeito. A propósito, você sabe como surgiram as sacolinhas? Conta a lenda que foi numa mercearia na Inglaterra, na década de 50, cujo dono percebeu que se oferecesse sacolas plasticas facilitaria a vida do consumidor alem de evitar o uso daquelas sacolas “ecológicas” que estão tentando fazer voltar ao uso. Você poderia dividir as compras em pequenas unidades de transporte, que evitariam o esmagamento dos produtos mais delicados pelo peso dos outros. Poderiam tambem ser levadas nas duas mãos, dividindo o peso, e os sacos depois poderiam acondicionar o lixo, em pequenas unidades próprias para recolher diariamente. Dois coelhos com uma cajadada. Sucesso absoluto e aumento das vendas face a concorrência. Alem disto, aquelas tais sacolas reutilizáveis vão ficando um nojo xcom o tempo, mesmo quando lavadas, se transformando em viveiro de bacterias e outros microorganismos diversos. Uma festa para baratas e outras pragas. Alem disto, são mais difíceis de ser recicladas, se jogadas no tempo vão demorar mais para decompor, e não têm uma utilização secundária, que no caso é a unitização do lixo em pacotes facilmente manuseaveis. Do lado do supermercado, vão reduzir um custo que é colocado na composição dos prêços, como me confirmou o dono de supermercado acima, marotamente. Não me consta que alguma reduçaõ de prêços tenha acontecido com a eliminação das sacolinhas. A vida das pessoas estava estruturada em cima desta pequena peça e os transtornos e os custos serão enormes para as mudanças, sem garantia que sejam para melhor ou para benefício do meio ambiênte. Pura canalhice. Outra curiosidade: existe um períódico gratuito na internet chamado “Boletim Tecnológico”, acredito que não seja muito conhecido, que trouxe um artigo mostrando que aqueles prazos que nos jogam na cara como sendo o prazo de decomposição dos plásticos em 90% dos casos são chutes, e ninguem tem um estudo com base científica a respeito. Em Campinas se não me engano, estão fazendo uma experiência onde colocam diversos tipos de plasticos ao relento e ao sabor das intempéries para ver o grau de degradação e o tempo que isto leva para acontecer. Minha experiência a respeito, é que se houver alguma fonte de ultra violeta, mesmo que pequena, tal como a variação de luminosiodade todos os dias, são suficientes para degradar os plásticos em tempo muito mais curto do que os 100 anos mentirosamente propalados. Variações de temperatura tambem provocam o mesmo efeito. Veja o que acontece com baldes e bacias plásticas de uso caseiro no período de um ou dois anos. Somado tudo, somos vítimas de uma campanha de marqueteiros que usam a ignorância media da população para gerar lucros e calar os protestos. A ignorância tem cura, se nos esforçarmos, já a burrice é um patrimônio inalienável do indivíduo . Eu agora me dei conta que a gente começa a falar de vinho brasileiro de baixa qualidade, pressão dos fabricantes por protecionismo e a atuação do governo brasileiro, a acaba caindo no lixo. Sinal dos tempos.

  3. Fabiana4 de abril de 2012 às 21:04

    O que eu acho “engraçado” é que a forma que encontram de incentivar a produção nacional é ferrando a importação, onerando ainda mais o consumidor.
    Não seria mais inteligente incentivar o consumo de vinhos nacionais melhorando a qualidade e incentivando a produção com alívio de carga tributária?

    O Brasil é um país às avessas mesmo!!

  4. Thiago4 de abril de 2012 às 12:45

    O que acho engraçado nisso tudo é que os brasileiros estão com dinheiro e consumindo muitos produtos importados… e o governo ve isso como coisa ruim, pois acaba com a indústria nacional que faz excelentes produtos com nível internacional… NÃO! A verdade é que muitos dos produtos fabricados aqui são uma porcaria e extremamente caros. Então o governo quer o que? Que o povo consuma produtos ruins pagando caro por eles? Sinceramente, isso aqui tá virando uma “palhaçada comunista” disfarçada…

  5. Geraldo4 de abril de 2012 às 10:04

    Danir, o pior é que você não irá comprar em nenhum lugar então, se fizerem em São Paulo o que fizeram em Belo Horizonte: nem em farmácias você recebe mais a sacolinha. Você recebe os produtos ali, na mão. Se não tiver algum recipiente, ou sacola, você terá que carregar todos os produtos na mão mesmo. É um absurdo o que fizeram aqui, e a maioria da população acha que está contribuindo para “a limpeza do planeta”. Só se for o planeta dos donos de supermercados e lojas, que estão economizando milhões com esta decisão. Êta paisinho besta, sô!!!

  6. danir4 de abril de 2012 às 03:00

    A propósito, como o governo é absolutamente incapaz de desenvolver políticas voltadas para o desenvolvimento da industria nacional, (mamatas via BNDS não valem), começa a infernizar os importadores com a operação Maré Vermelha. Ou seja tenta forçar que os importadores desistam do produto importado, em face da burocracia e da fiscalização predadora, por serem totalmente incompetentes. É uma lástima e uma vergonha.

  7. danir4 de abril de 2012 às 02:54

    Só para comparar, pode-se comprar um vinho importado na faixa de 10 a 20 reais, com uma qualidade melhor do que um vinho nacional de preço maior. Não vou nem falar dos vinhos de preço acima disto. Hoje você pega um vinho argentino ou chileno desta faixa é já pode ter uma idéia do que seja o significado da palavra corpo e buquê (sem esperar mágicas é claro). Isto sem falar de alguns vinhos com preço inferior a 10 reais, que para quem não é elite como alguns comentaristas acima, são possíveis de ser bebidos, e apreciados, se comparados com os Sangues de boi e quetais. Se o governo fizer algo assim, eu simplesmente não vou comprar mais vinho nacional. Nenhum. Porque os produtores não trabalham para melhorar a qualidade dos vinhos, e ganhar o coração dos consumidores? Ao invez disto, mudam o nome dos vinhos; por exemplo os licorosos de São Roque (Urgh!!!) agora são chamados de vinho suave. Pra quem gosta de coca cola, deve fazer sentido. E para o Lula, a Dilma e o Dirceu, o preço maior não vai fazer diferença, já que eles devem estar acostumados a tomar vinhos de preço na casa dos 1000,00 reais. Nada que um cartão corporativo, uma palestrinha ou uma consultoria não paguem. Eu sou pelo boicote. Assim como a partir de amanhã, só comprarei em super mercados o que não puder comprar em outros lugares, que ofereçam sacolas plásticas. Consumidor e contribuinte, você é o otário da vez.

  8. giovani luis ferreira3 de abril de 2012 às 15:52

    Um bom Brasileiro não sai por menos de $ 100.00, Já um mediano argentino ou chileno $50.00,

    alguma coisa há de errado.

    EX: Gran Reserva Riberas(concha y toro) $ 20.00 no Chile…$ 85.00 no Brasil
    Muito mais vinho que um Lote 43 (miolo)
    que é vendido aqui por $ 120.00

    As vinhas brasileiras devem baixar preço, não querer taxar o importado.

  9. Flavico3 de abril de 2012 às 14:17

    Mais um lance genial dos grandes cérebros governamentais. O vinho é um produto que demanda clima e condições geográficas adequadas. Alguns vinhos brasileiros são bons mas outros são impossíveis de alcançar a qualidade de vinhos produzidos na França, na Itália, no Chile, na Austrália ou na Califórnia. Produzir vinho não é como produzir geladeiras. Entre um vinho chileno e um brasileiro, vou na certa: chileno. Não por uma questão ideológica, mas sim de paladar. Mas é pedir demais desse governinho chimfrim, que vê tudo através do binóculo ao contrário do nacionalismo rastaquera. Perguntem pro Zé Dirceu se ele bebe vinho nacional…

  10. Renato Lellis3 de abril de 2012 às 12:22

    O engraçado é que os mesmos produtores agrícolas que reclamam do protecionismo e subsídios nos EUA e Europa agoram querem fazer o mesmo por aqui…

    Dica para os produtores: Façam vinhos melhores e mais baratos que ninguém precisará de protecionismo. Uma garrafa de um bom vinho brasileiro hoje é mais cara que um vinho chileno de qualidade equivalente, com impostos e tudo…

  11. byMel3 de abril de 2012 às 07:29

    O Sandro Vaia, no twitter, fez a pergunta pertinente:

    “O vinho estrangeiro mais caro deixa o nacional bom ? ” (@sandrovaia)

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