
Em voto no STF, Joaquim Barbosa afirmou não haver dúvida sobre compra de votos. Abaixo informações da Folha de São Paulo
O relator do julgamento do mensalão, Joaquim Barbosa, confirmou ontem o ponto central da acusação da Procuradoria-Geral da República ao concluir que parlamentares e partidos receberam dinheiro para apoiar, entre 2003 e 2005, o governo Lula no Congresso Nacional.
“Comprovou-se a realização de transferências milionárias de dinheiro, R$ 55 milhões, por réus ligados ao Partido dos Trabalhadores em proveito de vários parlamentares e partidos que, mediante a sua atuação, passaram a compor a chamada base aliada do governo na Câmara”, afirmou Barbosa na sessão do Supremo Tribunal Federal.
O ministro rebateu indiretamente o ex-presidente Lula e advogados de defesa segundo os quais o mensalão seria uma invenção de Roberto Jefferson (PTB), cuja entrevista à Folha deu origem ao escândalo em 2005.
“Apesar de as defesas afirmarem que o mensalão foi invenção de Jefferson”, diz Barbosa, “constatamos vários indícios de que as denúncias eram verdadeiras”.
O relator citou as reformas da Previdência e tributária como os principais exemplos de votações “compradas” pelo PT no Congresso.
“Essas reformas receberam o fundamental apoio dos parlamentares comprados pelo Partido dos Trabalhadores e das bancadas por eles orientadas e dirigidas, exatamente no momento em que foram realizados os maiores repasses de dinheiro.”
Segundo ele, não há “qualquer dúvida de compra de votos a essa altura”.
Barbosa também comentou a tese da defesa de que o mensalão se resumiu a caixa dois eleitoral. “A ajuda de campanha também configura vantagem indevida a parlamentares, por influenciar a prática de atos de ofício no interesse dos corruptores.”
Os ministros do STF começaram a avaliar ontem o capítulo que trata da compra de apoio parlamentar de líderes do PP, PL (hoje PR), PTB e PMDB, por orientação, diz a denúncia, dos líderes do PT Delúbio Soares, José Genoino e José Dirceu, então o chefe da Casa Civil de Lula.
Barbosa prosseguirá o voto amanhã. As acusações contra os líderes petistas estão no final do capítulo.
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