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Relatos assustadores sobre o trabalho dos médicos cubanos fora de Cuba

Manipulação de dados, erros médicos, formação precária, militares infiltrados, ineficácia, retenção de ganhos, punições aos familiares, a lista é longa.

CUBA-VENEZUELA-CASTRO-CHAVEZ

É de se esperar que um programa que visa mandar para fora do país recursos públicos na casa dos bilhões seja questionado. Se este envio busca resolver problemas básicos da saúde de um governo que completa uma década no poder, deve, no mínimo, ser muito questionado. É o que a imprensa brasileira vem fazendo nas últimas semanas com o Mais Médicos. E as respostas, infelizmente, têm sido bem preocupantes.

O Globo desse domingo mostrou que uma iniciativa semelhante na Venezuela não melhorou os problemas de saúde local. Erros médicos, não cumprimento de metas, falhas na prestação de contas e pioras em vários índices fazem parte da matéria assinada por Janaína Figueiro. Mas nada se compara ao relato trazido a público por Gilberto Velazco Serrano em entrevista à Veja ainda no sábado. Médico cubano que até 2006 participou de missões na Bolívia, desertou e conseguiu asilo político em Miami, de onde pode finalmente falar livremente sobre a situação na qual vivia.

Entre outras coisas, Gilberto relata:

  • Que os médicos cubanos são obrigados a participar das missões no exterior respondendo a uma convocação aos moldes militares
  • Que há paralimitares infiltrados no grupo e armados com o único objetivo de impedir que algum médico deserte
  • Que a missão destes médicos têm um viés ideológico, ao menos no discurso motivacional
  • Que há manipulação dos dados para que a missão cumpra com a cota mínima pela qual fora contratada
  • Que a formação deles, como é de se imaginar, é bem precária, desde a literatura até a estrutura mínima para os exames mais simples, como o de raios X
  • Que a história de que o sistema de saúde cubano é exemplar só é de fato crível por quem confia em números passados por uma ditadura que controla todas as informações fornecidas sobre ela
  • Que, dos 5 mil dólares prometidos ao profissional, só chegavam 20 às mãos dele
  • Que a família dele sofreu represálias depois de sua fuga, mesmo não tendo ela antes recebido qualquer benefício pela missão
  • Que a geração mais jovem em Cuba já se posiciona contra a ditadura e isso explicaria o porquê de terem vindo ao Brasil médicos mais experientes
  • Que a formação dos médicos em cuba tem sido acelerada para atender à demanda das missões no exterior

Uma frase de Serrano, contudo, não só resume como tira o sono de qualquer cidadão honestamente preocupado com o futuro da saúde no Brasil: “é triste, mas eu diria que é uma medicina quase de curandeiro”.

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