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Suplicy quer incluir a palavra “amor” na bandeira nacional

Senador Eduardo Suplicy (PT-SP) defende inclusão da palavra "amor" na frase inscrita na bandeira nacional

A sessão no Congresso da última quarta-feira (19) foi tensa, com senadores se mobilizando para tentar votar o veto à lei dos royalties do petróleo. Foi no meio desse clima que Eduardo Suplicy (PT-SP) subiu à tribuna para um tema de suma urgência: pedir a inclusão da palavra “amor” na bandeira nacional.

Recitando Noel Rosa (não foi encontrado vídeo como daquela famosa recitação de Racionais MC’s pelo senador), Suplicy defendeu o projeto que veio de deputado Chico Alencar (do PSOL, óbvio).

A idéia dos congressistas preocupadíssimos com o futuro do Brasil é substituir a expressão “Ordem e Progresso” por “Amor, Ordem e Progresso”.

O lema positivista, adorado pelo Exército, ganharia mais uma palavra que, assim, garantiria que amássemos uns aos outros e também certamente trará paz na Terra aos homens de boa vontade.

Porém, a despeito das intenções claramente humanitárias, filantrópicas e de aprimoramento da vida dura da população brasileira pelos nobres congressistas, a proposta sofreu sérias restrições.

O senador Cristovam Buarque (PDT-DF) disse que se fosse para mudar os dizeres da bandeira, era melhor adicionar a palavra “educação”, por ser mais includente. “Teríamos ainda um problema geométrico, porque não cabe mais uma palavra na bandeira”, disse Buarque, preferindo o lema “”Educação é Progresso”. Suplicy saiu decepcionado com a pouca receptividade à proposta. “Quando houver mais amor de todos nós ao povo, senador Cristovam, talvez não falte mais atenção à Educação!” (não é piada, saiu na Época, é sério)

O lema “Ordem e Progresso” é um dos mantras positivistas que conquistaram o Brasil no séc. XIX, tornando-o talvez o país mais positivista do mundo (do Direito ao Exército, inclusive tendo Miguel Lemos, o maior estudioso das obras de Auguste Comte do mundo, e talvez o único ser humano vivo a ainda levar a sério a futura “religião positivista” do mestre).

Foi o próprio Suplicy quem lembrou disso. Segundo o UOL,

Suplicy explicou que a expressão “Ordem e Progresso” foi retirada de lema positivista que defende “o amor por princípio, a ordem por base e o progresso por fim”. O senador informou que a mudança espera mais apoio popular por meio do site incluaamornabandeira.org.

E ainda a Época:

O senador chegou a lembrar que o cantor e compositor Jards Macalé, em seu nono disco, “Amor, Ordem e Progresso”, também abraçou a discussão sobre a falta da palavra “amor” no lema da bandeira brasileira. Também recitou letra de música de Noel Rosa sobre o assunto.

Em “Positivismo”, de Noel Rosa e Orestes Barbosa, que versa sobre uma mulher que desprezou a tal lei, dizem os versos: “O amor vem por princípio, a ordem por base e o progresso deve vir por fim. Desprezastes essa lei de Auguste Comte e fostes viver longe de mim – recitou Suplicy, da tribuna do Senado.

Certamente, com a palavra “Educação” na bandeira, nossos universitários passarão a saber disso.

Outro pedetista, o senador Pedro Taques do MT, afirmou que seria melhor colocar na bandeira palavras como “honestidade, decência, trabalho ou organização”. O congressista, lutando dia e noite para melhorar a vida do povo que o elegeu, certamente sabe que palavras numa bandeira garantirão os fins almejados. Além do fator estético: quem não iria preferir um “Decência, Ordem e Progresso” ou “Ordem, Progresso e Organização”?!

amor-ordem-progressoMas já que os nobres congressistas ainda estão em disputa sobre o melhor a fazer com nossa bandeira, também devemos deixar sugestões. Por exemplo, uma bandeira não precisa ser tão autoritária, ter um lema de comportamento: pode ser apenas descritiva. Que tal declarações como “O Senado e o Povo Brasileiro” ou “Câmara dos Deputados x Mídia Golpista”? O único lado ruim seria tatuar na testa dos deputados e senadores o motivo pelo qual cada um é famoso. Ou poderia ser também o lema dos próprios congressistas – algo como “servimos bem para servir sempre” ou “O mensalão é uma farsa das elites conservadoras!”.

Talvez pudesse ser só um desejo. Alguma coisa na linha “Slaves shall serve”, “10% do PIB para Educação!” ou “Vai, Curíntia!!”

Temos de ajudar nossos representantes com o fainoso trabalho de nos proteger e nos garantir um futuro brilhante que não teríamos sem eles.

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