
José Serra elaborou um texto, intitulado “A Nossa Missão”, cujo denso conteúdo aponta objetivos da oposição e falhas do governo. O documento foi apresentado ao Conselho Político do PSDB, não para ser imediatamente subscrito por todos, mas sim para que dirigentes tucanos apreciassem a análise.
Mas a guerra de egos do PSDB parece estar acima dos objetivos mais óbvios e coerentes de um partido que lidera (ou deveria liderar) a oposição. As críticas ao governo são todas – sem exceção – fundamentada em fatos. Mas alguns dirigentes do PSDB preferem não endossá-las, denotando verdadeira “picuinha” ou, noutras palavras, fazendo análises de força partidária em vez de pensar no país.
É aí que a oposição se torna oposicinha.
O deputado Sérgio Guerra, presidente do PSDB, emitiu nota dizendo que o documento será “discutido no ambiente partidário e político”. Mesmo? Quando será essa discussão no âmbito partidário? Na imprensa, analistas sérios repercutiram o documento de Serra. Um exemplo é a coluna de Merval Pereira em O Globo no último domingo:
(…)
Depois de momentos de distensão política entre a presidente e tucanos – que provocou até mesmo críticas a um documento que o ex-governador de São Paulo José Serra divulgou em nome pessoal, considerado por alguns extemporâneo -, a crise com o PR no Ministério dos Transportes levou a um mesmo caminho os grupos tucanos que disputam a hegemonia partidária.
O documento de Serra, denominado “A nossa missão”, faz uma ampla análise da situação atual e resume no tópico “A herança maldita” o que considera os pontos fracos da atual administração petista – especialmente o que chamou de “as travas que o governo Lula legou ao crescimento futuro do país”, divididas em quatro pontos:
“1. O perverso tripé macroeconômico: temos a carga tributária mais alta do mundo em desenvolvimento; a maior taxa de juros reais de todo o planeta, ainda em ascensão, e a taxa de câmbio megavalorizada. A isso se soma uma das menores taxas de investimentos governamentais do mundo”.
“2. O gargalo na infraestrutura: energia, transportes urbanos, portos, aeroportos, estradas, ferrovias, hidrovias e navegação de cabotagem. Um gargalo que impõe custos pesados à atividade econômica e freia as pretensões de um desenvolvimento mais acelerado nos próximos anos”.
“3. As imensas carências em Saneamento, Saúde e Educação, que seguram a expansão do nosso capital humano”.
“4. A falta de planejamento e de capacidade executiva no aparato governamental, dominado pelo loteamento político, pela impunidade, quando não premiação, dos que atentam contra a ética, e por duas predominâncias: do interesse político-partidário sobre o interesse público, e das ações publicitário-eleitorais sobre a gestão efetiva das atividades de governo”.
(…)
(Leia a íntegra da coluna no site do Instituto Millenium)
O Brasil precisa desse debate, pois um país sem oposição forte não pode ser considerado uma democracia.
Se alguém tiver notícia da discussão do primeiro documento da oposição REALMENTE firmando-se como oposição, por favor, avisem. Nosso medo é que a oposicinha prefira não fazer nada. Como sempre.
Tópicos oposição
alexandre13 de julho de 2011 às 20:05
Não é estorinha minha ! Foi amplamente divulgado que o Serra estava sendo pouco enfático ao criticar o governo Lula. E a análise veio de setores do PSDB e do DEM. Ele pode fazer oposição agora, mas na campanha, quando ele poderia tirar o PT do poder, ele amarelou !!!!! Não quis bater de frente com o Lula. Ele prega uma coisa agora(uma oposição mais incisiva) mas quando tinha oportunidade de fazer (na campanha presidencial), não fez !
LuizMS13 de julho de 2011 às 19:25
Esse Sergio Guerra é um desastre! O PSDB devia emprestar o passe dela ao PT por uns seis meses. Seria o suficiente para acabar com o PT.
Marcus Carvalho12 de julho de 2011 às 19:53
Sinceramente eu acho que todo mundo está maluco. O debate no Brasil sempre foi pobre mas ultimamente é simplesmente um lixo. Eu como eleitor não sei quais são os valores defendidos pelo PSDB. Apenas sei que eles são contra – mais ou menos – o PT.
Por isso coisas absurdas vão acontecendo e ninguém dá a menor pelota. Um exemplo, no estado do Rio de Janeiro o governo proibiu o uso de celulares dentro de bancos. A idéia é simples: já que o estado não é capaz de prender os bandidos, vamos tratar todo mundo como um bandido em potencial. E ninguem reclamou!
E a cada dia o Brasil fica mais parecido com o planeta Bizarro.
alexandre12 de julho de 2011 às 18:51
O Serra fez oposicinha na campanha eleitoral . Não mostrou o FHC e ainda poupou o Lula. Agora vem com esse papinho de oposição contundente ! Dá um tempo, Serra ! Quando era para fazer oposição, vc “amarelou”. E antes que vcs digam que é invenção minha, esse papel passivo do Serra na campanha eleitoral foi amplamente divulgado na mídia (incluindo globo, folha, estadão e veja)
Razumikhin12 de julho de 2011 às 15:55
Nem Serra, nem FHC são de direita; só se for a direita da esquerda.
FHC DISSE uma vez que PSDB e PT são muito parecidos. Pois é.