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15 de outubro de 2012

Hipocrisia, os “kits-gay” e a reportagem da Folha

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lula dilma haddad 600x214 Hipocrisia, os kits gay e a reportagem da Folha

A militância petista e “isenta” nas redes sociais amanheceu em alvoroço com uma matéria publicada pela Folha de S. Paulo, que segundo alguns deles pertence à tal “imprensa golpista” – menos quando divulga reportagens favoráveis a eles, sabem como é.

O “furo” da colunista Monica Bergamo, sob título Serra distribuiu material igual ao ‘kit gay’ em SP, está sendo amplamente divulgado por petistas e gente ligada à campanha de Haddad com comentários denunciando a suposta hipocrisia do candidato do PSDB à prefeitura de S. Paulo. E, como nós aqui sabemos bem, se tem uma coisa que petista não gosta é hipocrisia. Vejam alguns trechos da matéria, voltamos em seguida:

O candidato a prefeito de São Paulo José Serra (PSDB) distribuiu para as escolas paulistas, em 2009, quando era governador, um material semelhante ao que o MEC (Ministério da Educação), na gestão de Fernando Haddad (PT), começava a elaborar para combater a homofobia nas escolas.

(…)

Até um dos vídeos recomendados pelo kit tucano, “Boneca na Mochila”, é igual ao que o ministério estudava divulgar.

(…)

Destinado aos professores, o guia aconselha que eles mostrem aos alunos desenhos ou figuras de “duas garotas de mãos dadas, dois garotos de mãos dadas, uma garota e um garoto se beijando no rosto, dois homens se abraçando depois que um deles faz um gol e duas garotas se beijando”.

Logo depois, os professores deveriam perguntar aos alunos sobre as “sensações” que as imagens despertavam. E discutir com eles diversidade e homofobia.

“Explique que, em nossa sociedade, tudo o que foge a certo padrão de masculinidade e feminilidade é, muitas vezes, visto com estranhamento. E desse estranhamento surgem os preconceitos e, consequentemente, a discriminação.”

(…)

O material do MEC não chegou a ser distribuído por causa da reação da bancada de deputados evangélicos.

A Secretaria de Educação de SP, que ontem negou ter distribuído qualquer material sobre o assunto, diz agora que ele seria distribuído apenas a professores, ao contrário do kit do MEC.

O ministério, por sua vez, informa que os kits, caso fossem aprovados, iriam para 6.000 professores, e não para os estudantes.

(…)

(grifos nossos)

Afinal, o material era “igual” ou “semelhante”? O texto fala apenas em um vídeo que seria usado tanto pelo MEC quanto pela Secretaria de Educação de SP. Além disso, a reportagem “esquece” de informar para quais alunos o programa de SP foi divulgado (o MEC pretendia exibir o dele a crianças de 11) e se os vídeos considerados “polêmicos” do kit de Haddad (exemplos abaixo) também foram utilizados, desperdiçando espaço com a inócua discussão sobre se o material seria entregue aos alunos ou professores – só faltava mesmo o estudante também levar para casa um pen drive com os filminhos do Haddad…

A matéria também é imprecisa ao afirmar que o material produzido pelo MEC não foi distribuído “por causa da reação da bancada evangélica”. O material não foi distribuído porque a presidente Dilma o vetou, rotulando o “kit gay” de Haddad de “PROPAGANDA DE OPÇÃO [sic] SEXUAL”, como já comentamos aqui:

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=Ex_pZov3HfY[/youtube]

Mas por quê Dilma vetou o tal kit do MEC e o condenou de forma tão veemente? Seria somente pela pressão dos deputados evangélicos ou realmente havia algo de errado com o conteúdo e a forma como o MEC pretendia apresentá-lo aos alunos? Confiram trecho de reportagem do jornal O Globo de 26/05/2011:

(…) O material também foi preparado para ser apresentado a alunos a partir dos 11 anos de idade que cursam o ensino fundamental do 6º ao 9º ano.

(…)

No material do kit em poder do MEC, há seis Boletins Escola sem Homofobia (Boleshs), destinados aos estudantes, com brincadeiras, jogos, letras de música e dicas de filmes. Todos com o tema diversidade sexual e homofobia. Uma das letras de música incluídas foi a canção “A namorada”, de Carlinhos Brown, cujo refrão diz “namorada tem namorada”.

Na brincadeira de caça-palavras, os alunos têm que decifrar 16 palavras correspondentes a definições como: “pessoa que sente desconforto com seu órgão sexual (transexual)”, “nome da ilha que deu origem à palavra lésbica (Lesbos)”, “órgão sexual que é associado ao ser homem (pênis)”.

O boletim traz brincadeiras de “o que é o que é”, com conceitos de parada do orgulho LGBT, homofobia, diversidade sexual, entre outros. Na sessão sobre filmes, os alunos são orientados a procurar nas locadoras ou na escola “Brokeback Mountain”, história de dois jovens que trabalham numa fazenda e tem relacionamento amoroso; “A gaiola das loucas”, comédia sobre o dono de um cabaré gay que entra em apuros quando o filho dele, noivo da filha de um senador moralista, vai apresentar sua família. São sugeridos também “Milk”, com Sean Penn, e “Desejo proibido 2″.

(…)

O Ministério da Educação informou nesta quinta-feira que o material produzido seria indicado apenas para o ensino médio. E que a indicação para o ensino fundamental não seria aprovada. A distribuição do kit foi abortada por ordem da presidente Dilma. A professora Lilian do Valle, professora de Filosofia da Educação da Uerj, alerta:

- Quanto mais baixa a idade, mais delicada a situação. É uma idade muito sensível para questões afetivas e psiquícas. Uma palavra mal colocada pode resultar num dano maior do que simplesmente não falar nada. Tem que envolver um trabalho maior, interdisciplinar. Não é simplesmente aprovar uma lei e jogar o kit. É pedir demais do professor esse tipo de responsabilidade. Não se pode esperar que a escola resolva os problemas da sociedade.

(grifos nossos)

E não para por aí. Um dos filmes revogava até mesmo a lei das probabilidades, afirmando que bissexuais teriam “50% mais chances” de encontrar um parceiro. Por mais que se credite o veto à influência de forças obscurantistas, fica difícil defender o material – e a intenção do MEC de apresentá-lo a crianças de até 11 anos – depois que se conhece seu conteúdo.

Essa polêmica ocorreu um ano e meio atrás. Desde então, o governo já prometeu a confecção de novo conteúdo a ser distribuído, sem os absurdos do kit de Haddad. Até agora não apresentou coisa alguma, Dilma deu um Ministério ao partido da Igreja Universal e não há maiores cobranças da militância LGBTT ligada ao petismo. Mas não hesitam em criticar a “hipocrisia” de Serra, que efetivamente implementou uma política que eles mesmos defendem, com parte do material que Dilma vetou na totalidade. Mais um exemplo do bom e velho “primeiro o partido, depois a causa”.

Os militantes LGBTT-PT da internet não querem debater o combate à homofobia nas escolas nem enaltecer quem o promove, e sim “neutralizar” – com ligeira vantagem para o PT, pois, afinal, “hipócrita” seria o outro lado – a discussão sobre essa que foi apenas uma das inúmeras trapalhadas de Haddad à frente do MEC.

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5 Comentários

  1. elisandra17 de outubro de 2012 às 00:24

    acho q a questão do combater a homofobia começa em casa, ensinarmos nossos filhos q temos diferenças e que respeitar essas diferenças são muito importantes para o convivio em sociedade.
    Porem enfiar goela baixo este kit é desrespeitoso para nós os pais e tambem professores, não temos professores capacitados para lidarem com esses assuntos e também acho q a idade dos alunos não é apropriada, acho q temos q ter um cuidado grande , pra evitar até constrangimentos na própria sala de aula, os gays como qualquer cidadão já tem seus direitos adquiridos, amparados por lei, só devemos tomar cuidado com a vitimização, vivemos em uma sociedade, em um coletivo, oque tem de haver é preservação da liberdade de escolha e respeito, tanto dos gays, como dos heteros, e não um cabo de guerra.

  2. Burrus15 de outubro de 2012 às 19:04

    Olha, vou contar um segredo à todos e espero que guardem com carinho, viu? Minha vovó Gestunda, quando peida, vixe maria do céu, apodrece tudo que é planta que tá por perto! Ô véinha pra peidar fedido, sô!

  3. Giovani15 de outubro de 2012 às 16:55

    A indefectível Mônica Bergamo cumprindo mais uma vez sua tarefa.Afinal, como ela mesmo diz, ela, Mônica Bergamo, é tudo, menos…
    É isso aí, Mônica… O que importa é confundir e deixar tudo meio nebuloso mesmo…Como em 2010, né…
    O PT lhe agradece!

  4. bedot15 de outubro de 2012 às 16:53

    Onde estavam os militantes LGBTT-PT quando Lula e Dilma foram lamber as botas de um dos maiores assassinos de homossexuais do planeta, o presidente iraniano Ahmadinejad? Atrelando essa hipocrisia ao que Orwell já nos ensinou, para a militância petista gay, todos os gays são iguais, mas alguns gays são mais iguais do que os outros.

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