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PHA: Processo por ofensas racistas, ataques a políticos e deboche da Justiça com patrocínio estatal

Juiz intima ex-jornalista a publicar retratação nos termos acordados; Correios admitem ter pago R$ 120 mil por banners no site de PHA

Nós já comentamos aqui sobre os dois processos sofridos pelo apresentador da TV Record e blogueiro progressista Paulo Henrique Amorim relacionados a ofensas racistas. Ele foi condenado em um e fez acordo judicial para evitar a condenação no outro. No texto sobre o processo movido pelo jornalista Heraldo Pereira, apontamos o flagrante desrespeito ao acordo no blog de PHA: além de não ter retirado do ar as páginas em que ofendeu Heraldo, Amorim ainda publicou o acordo em meio a comentários irônicos, e seguiu publicando “defesas” que reiteravam e endossavam as ofensas.

Esse tipo de comportamento por parte de Amorim não é novidade: basta pesquisar pelos nomes das pessoas que já recorreram à Justiça (e venceram) contra PHA em seu blog para constatar o mesmo padrão: publica-se a retratação, mas o conteúdo ofensivo continua lá. Em alguns casos, o ofendido transforma-se em alvo constante de Paulo Henrique depois do processo, merecendo mais de 400 menções nada elogiosas… Na semana passada, PHA foi intimado pela Justiça a publicar a retratação a Heraldo nos termos coretos, como informa o jornalista Reinaldo Azevedo em seu blog:

(…)

Bem, não vou aqui fazer memória longa da história, que vocês conhecem de sobejo. Um acordo judicial obrigava Paulo Henrique Amorim — sim, ele tem obrigações a cumprir — a publicar uma retratação em seu blog e em dois jornais: Folha e Correio Braziliense. Vocês se lembram: ele foi processado por Heraldo na área cível — há um outro processo na criminal, movido pelo Ministério Público Federal e já aceito pela Justiça — por ter afirmado que o jornalista é um “negro de alma branca”, entre outras delicadezas. Também afirmou que seu desafeto não tem outra razão para estar onde está, exceto o fato de “ser negro e de origem humilde”.

Pois bem: Amorim resolveu publicar a retratação no meio de textos que, na prática, reiteram tudo o que havia dito antes — só que, nesse caso, recorrendo a palavras de terceiros, claramente endossadas por ele. Também inventou um troço estapafúrdio: segundo ele, com a retratação — FEITA POR ELE, NÁO PELO OFENDIDO, É ÓBVIO —, Heraldo estaria admitindo que ele não é racista. Falso! O jornalista não admitiu nada. Até porque, advogado que também é, foi admitido como assistente de acusação no processo criminal.

Pois bem! O advogado de Heraldo voltou à Justiça para acusar o descumprimento do acordo judicial. Na imagem lá no alto, vai a sentença do juiz Daniel Felipe Machado, que intima o “réu” (ele é “réu”, o que faz questão de omitir) Paulo Henrique Amorim a:
1) fazer a retratação “ipsis litteris” e sem comentários no mesmo post;
2) publicar a retratação nos jornais que constam do acordo, “sem comentários no mesmo espaço”.

Relembro o conteúdo da retratação:
“Retratação de Paulo Henrique Amorim, concernente à ação 2010.01.1.043464-9:
Que reconhece Heraldo Pereira como jornalista de mérito e ético; que Heraldo Pereira nunca foi empregado de Gilmar Mendes; que, apesar de convidado pelo Supremo Tribunal Federal, Heraldo Pereira não aceitou participar do Conselho Estratégico da TV Justiça; que, como repórter, Heraldo Pereira não é nem nunca foi submisso a quaisquer autoridades; que Heraldo Pereira não faz bico na Globo, mas é funcionário de destaque da Rede Globo; que a expressão ‘negro de alma branca’ foi dita num momento de infelicidade, do qual se retrata, e não quis ofender a moral do jornalista Heraldo Pereira ou atingir a conotação de racismo.”

Jamais se esqueçam: Paulo Henrique escreveu e reiterou aquelas coisas por meio de terceiras pessoas tendo no alto da página a marca dos “Correios”, uma estatal. No momento, a sua homepage remete a ataques a Gilmar Mendes, um ministro do Supremo; a José Serra, um dos líderes da oposição, e, de novo!, a Heraldo Pereira com propaganda da Caixa Econômica Federal.

Isso quer dizer que uma estatal patrocina o ataque a um ministro do Supremo (e o que vai lá é ataque, não crítica); a um adversário do governo federal (e o que vai lá é ataque, não crítica) e, pasmem!, a um jornalista, de quem ele resolveu que poderia fazer certas cobranças porque seu alvo, afinal, é negro (e o que vai lá é ataque, não crítica). A Caixa já inventou um Machado de Assis branco e teve de se retratar. Agora, financia textos que, na prática, dizem que o negro Heraldo Pereira tem alma branca. Fosse uma tentativa de elogio, seria uma ofensa. Como é uma ofensa, então ofensa é.

Corrigindo Reinaldo Azevedo: ao menos três estatais patrocinam os ataques de Paulo Henrique Amorim e seu deboche à Justiça, num esquema de revezamento. Na semana passada, flagramos um banner do Banco do Brasil:

Hoje foi a vez da Caixa Econômica Federal:

Em resposta ao texto de Demetrio Magnoli intitulado “Heraldo, a cor e a alma“, publicado no Globo e Estadão na semana passada, os Correios divulgaram no blog oficial da estatal o valor do patrocínio a PHA, encerrado no dia 29/02:

Em relação a artigo publicado na quinta-feira (1º) nos jornais O Globo e O Estado de S.Paulo, os Correios informam que investiram R$ 120 mil (cento e vinte mil reais) na publicação de anúncios publicitários no site do jornalista Paulo Henrique Amorim entre outubro de 2011 e fevereiro de 2012.

(…)

O jornalista Fabio Pannunzio consultou a Assessoria de Imprensa dos Correios sobre a campanha, e foi informado que os anúncios foram veiculados nos meses de outubro, janeiro e fevereiro. Nós perguntamos a alguns amigos que possuem blogs de tecnologia, humor e comportamento com audiência semelhante à do site de PHA se algum deles pratica valores parecidos, e todos foram unânimes em afirmar que nunca receberam valor nem próximo de R$ 120 mil por três meses de banners, muito menos de uma única campanha (Amorim alternava os anúncios da estatal com outros de empresas privadas no mesmo espaço).

Somente com a campanha dos Correios, Amorim poderia bancar quatro vezes a indenização que a Justiça o obrigou a pagar para Heraldo Pereira. Resta saber quanto as outras estatais “investem” patrocinando a página de Paulo Henrique Amorim, e até quando seguirão endossando na prática o conteúdo produzido na internet pelo apresentador da TV Record.

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