Rafael Rosset

Desigualdade: o recente estudo sobre os 8 mais ricos do mundo

“segundo o Banco Mundial, entre 2005 e 2008 o número de pessoas vivendo em extrema pobreza caiu de 25% para 22% da população mundial.”

Há alguns dias divulgou-se um estudo da Oxfam que concluía que os 8 mais ricos do mundo detinham mais riqueza que metade da população mundial. Isso não é exatamente novidade: todo ano a OXFAM divulga seu relatório com alguma manchete bombástica pra atrair atenção. Ano passado, era “os 1% mais ricos do mundo detém uma riqueza maior que os outros 99% juntos”.

Mas o que esse número diz acerca de como esses 99% estão vivendo?

Rigorosamente NADA.

Na verdade, segundo o Banco Mundial, entre 2005 e 2008 o número de pessoas vivendo em extrema pobreza caiu de 25% para 22% da população mundial. Os que vivem em pobreza relativa caíram de 47% para 43% da população mundial. E o país mais bem-sucedido na redução da pobreza foi justamente aquele que, nos últimos 30 anos, mais reformas fez na direção do capitalismo: a China. Lá, a pobreza relativa caiu de 28,6% da população em 2002 para 13,1% em 2008. Coincidentemente, no mesmo período a China se tornou o país do mundo com o maior número de milionários: havia mais de um milhão deles por lá em 2013, sendo 300 com mais de um bilhão na conta. Na China igualitária de Mao, 668 milhões passavam fome. Já a China dos milionários exporta microprocessadores para o mundo inteiro, e é o maior mercado de iPhones do planeta. Correlação não é causalidade, mas o padrão se repete por toda parte: sempre que a qualidade de vida do povo melhora, aumenta também o número de pessoas ricas, e vice-versa.

E não só isso. Os países com o maior número de milionários são também aqueles em mais se ajuda ao próximo. Segundo o The World Giving Index, ranking elaborado pela fundação britânica Charities Aid Foundation, 76% dos americanos ajudam estranhos, e 44% realizam trabalho voluntário. O Brasil? 90º colocado, empatado com a pátria mundial do socialismo caviar, a França, que até recentemente tinha um Imposto sobre Grandes Fortunas com alíquotas que chegavam a 85%.

Aliás, uma das recomendações no relatório da OXFAM para combater a pobreza no mundo é justamente acabar com “os subsídios públicos existentes para saúde e educação fornecidas por empresas sem fins lucrativos privadas”. Traduzindo, no Brasil seria como suspender as isenções das Santas Casas, por exemplo. Mas um estudo conduzido pela Dom Strategy Partners, e publicado na semana passada, aponta que a cada R$ 1,00 de isenção fiscal, o setor filantrópico gera retorno de R$ 5,92 à sociedade. Concretamente falando, os hospitais filantrópicos respondem sozinhos por 31% de todas as internações no país, atendendo um público que majoritariamente não tem acesso a seguro-saúde. Sem eufemismos, seguir o conselho da OXFAM para ajudar os pobres SIGNIFICA MATAR OS POBRES POR FALTA DE ATENDIMENTO MÉDICO.

Sim, ainda tem muita gente passando fome no mundo, e é impossível ficar indiferente a isso. Mas ao contrário do que se tenta fazer crer, o nível de vida geral melhorou tremendamente nos últimos 100 anos, e mais rapidamente naqueles países que abandonaram visões coletivistas e distributivistas em prol do empreendedorismo e do mérito individual. Isso acontece porque governo nenhum jamais gerou algum emprego em toda a história: as únicas coisas que geram riqueza e prosperidade são o trabalho e o capital, material ou imaterial. E se em alguns lugares o capital é especulativo e não produtivo, não é por culpa da ganância do capitalista, senão pela regulação dos governos: se o governo brasileiro PAGA 13% de juros a quem deixa seu dinheiro parado em títulos da dívida pública e cobra 15% de IR sobre o ganho de capital se você deixar seu dinheiro lá por pelo menos 720 dias, mas COBRA 85% de tributos sobre folha de pagamento e até 27,5% de IR sobre qualquer lucro que você conseguir com seu negócio, onde você vai investir o seu dinheiro?

O problema do mundo nunca foi a desigualdade, mas a pobreza (que aliás é a condição natural do homem), e a solução para a pobreza não é voluntarismo político, e sim livre iniciativa. Desde a invenção da agricultura a condição média de vida do homem se manteve relativamente miserável, sendo certo que a grande melhora em dados como expectativa de vida e mortalidade infantil se deu a partir da revolução industrial – e quem constata isso não é Milton Friedman, e sim John Maynard Keynes, em seu Teoria Geral do Emprego. Durante dez mil anos, pessoas conviviam com a perda de ¾ de sua prole antes dos 5 anos, e com uma expectativa de vida de no máximo 45 anos. Esse ciclo de miséria só foi quebrado com e pelo advento da livre-empresa, a ponto de hoje mesmo uma pessoa pobre morando na periferia dispor de uma vida muito mais confortável que qualquer rei medieval. Como dizia Margareth Thatcher, a sanha dos coletivistas não é gerar riqueza e melhorar a vida da maioria, e sim tornar todos iguais na miséria. Cuba que o diga. (Nota: conservadorismo cultural tem TUDO a ver com defesa do livre mercado. Os únicos governos que de fato privilegiaram o livre mercado ao longo do século XX foram justamente governos conservadores).

Mas vamos dar uma olhada na lista de “mais procurados” da OXFAM, e ver 5 dos bandidos mais perigosos pra apresentar aqui, 5 daquelas pessoas que cometeram o crime de serem bem sucedidas DEMAIS (os dados são do ano passado, logo pode haver alguma variação, de alguns bilhões para mais ou para menos):

1- Bill Gates (US$ 79,2 bilhões): nasceu numa família de classe média. Criou um sistema operacional que está em 89% dos computadores pessoais do mundo, ajudando a popularizar o uso do PC em todas as classes sociais e faixas etárias, e a suíte de produtividade que é tão boa que é usada por 97% dos usuários desse tipo de programa, num mercado em que quase todas as alternativas dos concorrentes são GRÁTIS. A empresa que fundou emprega 115 mil pessoas em todo o mundo. Já doou US$ 28 bilhões para a caridade.

2- Warren Buffet (US$ 72,7 bilhões): começou a carreira como vendedor de seguros. Comprou uma indústria têxtil falida, a Berkshire Hathaway, e a transformou numa holding multibilionária de investimentos. Seu venture capital ajudou a tirar do chão ou a manter em pé dezenas de companhias que geram centenas de milhares de empregos. Já doou US$ 37 bilhões para a caridade.

3- Amâncio Ortega (US$ 64,5 bilhões): criou uma marca de roupas (Zara) que é sinônimo de custo benefício, fazendo com que mais pessoas possam ter acesso a vestuário de boa qualidade. Seu pai era um maquinista de ferrovia, e sua mãe empregada doméstica. Mantém a Amâncio Ortega Foundation, uma das maiores organizações filantrópicas do mundo, que investe em talentos individuais nas áreas de cultura, educação e ciência. Emprega 140 mil pessoas no mundo.

4- Jim Walton (US$ 40,6 bilhões): filho de Sam Walton, que inventou um modelo de varejo que derrubou os preços e permitiu que as famílias mais pobres tivessem acesso a produtos que antes não poderiam sequer sonhar. Sob sua gestão as vendas do Wal-Mart aumentaram mais de 50%, a empresa se tornou a mais valiosa do mundo e passou a empregar 2,2 MILHÕES de pessoas.

5- Jeff Bezos (US$ 34,8 bilhões): fundador da Amazon, inventou um modelo de negócios que barateou a aquisição de livros e CDs aos mais pobres, começando num galpão modesto em que ele e a mulher empacotavam e levavam os livros até o correio. Inventou o e-reader mais popular do mundo, em que vende livros até 80% mais baratos que as versões impressas. Filho de mãe solteira e adolescente, foi adotado por um engenheiro cubano que emigrou para os EUA fugindo do paraíso igualitário dos Castro. Inventou e patenteou o “one click buy”, que hoje facilita a vida de qualquer pessoa que faz compras online.

A lista poderia continuar indefinidamente. Todas essas pessoas jogaram o jogo – algumas vieram de baixo, outras herdaram, mas todas ofereceram produtos e serviços que melhoraram as vidas de todo mundo. O jogo que eles jogaram (o da livre iniciativa) é o mesmo que os governos de todo o mundo mandam a gente jogar (sem atividade econômica não tem imposto pra viabilizar as ideias brilhantes dos políticos), com um detalhe: parece que você pode ser bem sucedido nesse jogo, mas ser EXCEPCIONALMENTE bem sucedido é INTOLERÁVEL. Se você gera um pouco de riqueza está bom, mas se você gera muita riqueza você é um criminoso.

Ninguém é obrigado a comprar o que eles vendem, mas são tratados como ladrões, como espoliadores. Já políticos como Ted Kennedy, que nunca teve outro trabalho na vida que não o de fazer leis pra tirar dinheiro das pessoas sem o consentimento delas, são tratados como heróis do povo.

Convenhamos – no fundo, no fundo, o socialismo (que é o que está por trás de qualquer conversa moderna sobre desigualdade, agora com o verniz bonito da “justiça social” e da igualdade material) pode ser resumido a uma só palavra: inveja. E é bom que se diga: liberdade gera desigualdade. TODO regime que se pretendeu igualitário nasceu e morreu como uma ditadura totalitária. O único local onde não há conflito nem disputa, e onde a paz reina, chama-se PASTO, e a única forma de promover igualdade material é escravizando e transformando povos inteiros em gado de abate.

E uma nota final: a OXFAM, fundada na Inglaterra durante a 2ª Guerra Mundial para prover alívio a refugiados gregos através de doações voluntárias, é hoje um conglomerado de 17 organizações que atuam em mais de 100 países. São milhares de pessoas pagando suas contas e ganhando muito dinheiro pra espalhar uma retórica venenosa contra os que ganharam dinheiro inventando e vendendo produtos e serviços que EFETIVAMENTE melhoraram a vida de bilhões de pessoas.

Quem diria, uma das atividades mais lucrativas hoje no mundo é difamar o lucro.

Capitalism always wins.

Rafael Rosset é advogado há 15 anos, especialista em Direito Ambiental, palestrante e articulista; perfil no Twitter; e no Facebook. Escreve no Implicante às quartas-feiras.

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