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Artes

A classe artística precisa se focar nos próprios problemas antes de dar lições ao mundo

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Estudo de 2015 demonstrou que, por exemplo, músicos vivem em média 25 anos a menos que o resto da população

Foto: Stefan Brending

O que Robin Williams, Chorão, Prince, George Michael, Fausto Fanti, Champignon, Philip Seymour Hoffman, Peu, Amy Winehouse e Chris Cornell têm em comum? Todos estes artistas tiveram o encurtamento de suas vidas narrado já na era das redes sociais. Mas a “glamourização” da morte na arte é antiga, vem de séculos, do “mal do século”, do romantismo, do sentimentalismo. Tornou-se pop quando o rock’n’roll teve toda uma leva de ídolos indo a óbito aos 27 anos. Mas não descansou ali no final dos anos 1960. Por mais impactante, triste e trágico, o suicídio de Chester Bennington, vocalista do Linkin Park, foi só mais um.

É um problema grave, mesmo que a classe artística tantas vezes prefira venerá-lo. E Dianna Theadora Kenny já tentou decifrá-lo, ainda que tenha se focado na música. Em 2015,  a professora de psicologia da Universidade de Sydney tabulou sete décadas de óbitos de músicos famosos. Não é o levantamento definitivo sobre o assunto, mas conseguiu chegar a constatações alarmantes.

No geral, musicistas americanos que alcançam a fama vivem vinte e cinco anos a menos que a média da população. A situação chegou a melhorar nos anos 1980, mas a década seguinte seria trágica para a categoria: enquanto músicos morriam com menos de 50 anos, a população masculina já superava os 70 com tranquilidade. Na primeira metade da década atual, essa fatia artística vem proporcionalmente enfrentando 143% mais mortes acidentais (incluindo as overdoses), 189% mais suicídios, e 600% mais homicídios.

Os estudos de Kenny concluíram que “o clube dos 27 anos” é um mito, pois 56 foi o recorte que mais contabilizou casos no levantamento. Mas confirmou que o estilo musical faz toda a diferença.

Enquanto o blues, o jazz e o country permitem ao músico uma expectativa de vida até superior à medida na população americana, a coisa desanda quando entra no pop/rock e gêneros que dele descenderam. No punk, a morte chega para o artista entre 40 e 45 anos; no metal, entre 35 e 40; no rap e no hip hop, entre 25 e 30 anos. Nestes últimos, mais da metade dos óbitos teve por causa o homicídio – é o que faz com que um rapper viva menos da metade da vida de um jazzista.

Um quarto dos rockeiros morre acidentalmente, ou no recorte que inclui overdoses, mas no punk e no metal essa fatia supera os 30%. Um quinto dos metaleiros morre vítima de suicídio. No blues, o que preocupa são os óbitos ligados a problemas cardíacos (por volta de 28%). Mas a principal causa de morte da classe ainda é o câncer — entretanto, a doença se concentra em estilos nos quais a longevidade não cai tanto (jazz e folk).

Infelizmente, estudos mais abrangentes sobre o tema são raros. E mesmo este poderia ser mais amplo. Mas resta nítido que a classe artística, cada vez mais politizada e disposta a bandeirar causas alheias, possui graves problemas internos que se prolongam por décadas – ou séculos – sem solução. 

Talvez por isso, mostre poder cada vez menor para formar opinião, e enfileire derrotas eleitorais recentes.

Fonte: The Conversation

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