facebook
...
Blog

A deliciosa realidade paralela de Marcelo Rubens Paiva

por Flavio Morgenstern

Marcelo Rubens Paiva, a cada dia mais parecido com o Gravataí (ou seria o contrário?), novamente resolveu falar mal “da direita” em seu blog no Estadão (mídia golpista). O texto começa assim:

DIREITA é como 1 avestruz, por vezes esconde a cabeça debaixo da terra.

Não entendemos por que trocar um artigo indefinido por um algarismo arábico na sentença. Se ainda fosse “um” de numeral, vá lá, dá preguiça digitar. Mas um um assim, um um que é um artigo indefinido, esse é outro um. Um sr. Um, um um que não merece ser transmutado em algarismo.

Marcelo Rubens Paiva (MRP, já que ele chama um de 1) é o famoso autor de Feliz Ano Velho. Lê-lo, de fato, é uma viagem no tempo. Podemos entender como era a vida antes dos intelectuais blogueiros. Ao invés de vários intelectuerdas em coro repetindo o mesmo, tínhamos um só na página de um jornal por já ter escrito um romance de algum sucesso. MRP quer ser uma espécie de Reinaldo Azevedo de esquerda, mas só consegue copiar mais o histrionismo espalhafatoso e nem 1% da informação e erudição. MRP consegue ser, no máximo, um Sakamoto que deu certo.

O texto de MRP também começa com uma imagem ilustradora:

Infelizmente, ilustra exatamente o que MRP não quer ilustrar. Isso aí é a “extrema-direita”? Um velhinho de suspensórios? É disso que MRP tem medo? Poderíamos falar sobre os extremistas nem tão extremos de esquerda. Mesmo antes de chegarem ao poder, já são um pouquinho mais… ahn… anti-sociais.

Mas não é apenas como piadinha que a imagem é um erro. MRP confunde o tempo todo “direita” com “extrema-direita”. Se nos EUA, onde curiosamente o vermelho é a cor da direita, afirmar que se é um extremista da right-wing significa afirmar que se é muito conservador – ou seja, defender posições religiosas e/ou muito moralizantes dentro do escopo democrático (com seus dois nichos, ou suas duas wings) – a chamada “extrema-direita”, como definimos o conceito em português, quer destruir a democracia e usar o Estado para instaurar uma ditadura voltada a promover idéias de alguma ordem geralmente fantasiosa.

Quando MRP explica por que não gosta da direita, dá como exemplos basicamente a extrema-direita, ou outros regimes autoritários de identidade ideológica incerta. Abundam exemplos adolescentes. Para ele, falar mal da direita não é criticar privatização, e sim autoritarismo. Não é falar mal da idéia de um Estado mínimo, e sim dos brucutus ultra-estatizantes da ditadura. Não é criticar o liberalismo, e sim o nazismo (cuja concentração de poder político e econômico surge do mesmo fator que faz a esquerda ser tão controladora, como já mostrava Friedrich Hayek, autor ipse dixit no que se refere à direita, em O Caminho da Servidão).

É uma divisão natural de posições, aceita tanto por um esquerdista como Norberto Bobbio (Direita e Esquerda – Razões e significados de uma distinção política) quanto pelo mais aguerrido defensor do livre mercado do planeta, Murray Rothbard (Psquerda e Direita: Perspectivas para a liberdade). Por fatores históricos, deram o nome de “direita” e “esquerda” a duas facções existentes em alguns regimes democráticos. Não significa que uma democracia precisa necessariamente ter ambas (o Brasil praticamente não possui uma direita no Congresso), pois os termos confundem. Não é só porque uma sala tem um lado direito e um esquerdo que, quando você a enche de políticos, necessariamente alguns defenderão idéias de justiça social através do Estado e outros serão tradicionalistas defensores do livre mercado. “Esquerda” e “direita” são apenas nomes, tais como “desenvolvimentista” ou “militarista” (notando-se que o segundo é o único que diferencia a política da ditadura da política do governo Lula). Não se deve confundir a metáfora do signo pelo seu significado.

É assim que Hannah Arendt define os dois termos (As Origens do Totalitarismo). É como Alain Besançon enxerga uma política mais tridimensional: os Estados totalitários que dominam tudo, as democracias liberais com sua esquerda e sua direita, os regimes autoritários que tentam passar por cima dos seus inimigos tomando o poder de todo, as eternas teocracias islâmicas se secularizando (e ficando mais violentas) justamente com auxílio até intelectual da extrema-esquerda (Michel Foucault que o diga). Tanto a extrema-direita quanto a extrema-esquerda querem tomar o Estado, concentrar todo o poder em suas mãos, “resetar” as instituições e impedir que alguma liberdade de atuação fora do Estado exista. A extrema-direita, portanto, é muito mais parecida com a extrema-esquerda do que com a direita. Basta pensar: quem são mais parecidos – Hitler e Stalin ou Hitler e Margareth Thatcher? Basta pensar que enquanto Stalin e Hitler assinavam seu Pacto Molotov-Ribbentrop, Churchill, para uma puritaníssima Inglaterra, vociferava que se Hitler invadisse o Inferno, não teria pudores em se aliar ao capeta.

Se é para se compreender, afinal, o que é direita, esquerda e o que cada uma defende, como esse lindo Diagrama aí mostra, façam o teste de 2 minutos do Diagrama de Nolan, do excelente projeto Estudantes Pela Liberdade, e descubra qual é a sua.

Mas esse conhecimento histórico de primeiro colegial passa longe de MRP, que para falar mal da “direita” dispara:

No final da Segunda Guerra, o Holocausto e os horrores nazistas deixaram a direita em hibernação.

Pois é preciso avisar MRP que nunca as duas maiores forças conservadoras do mundo, o Império Britânico e os Estados Unidos, tiveram tanto peso na geopolítica mundial quanto depois da Segunda Guerra – justamente por combaterem o horror de um Estado gigante (ou em risco de se agigantar) desde o início, ao contrário da esquerda, já fragilizada, que teve de esconder documentos de sua própria população (alguns revelados uma década depois por conveniência de Kruschev, outros ainda sendo redescobertos mais de duas décadas após o colapso soviético) e agüentar o peso de um passado com pactos firmados pela união de estatismos contra o “imperialismo” do “capital”. Foi com o triunfo das forças da “direita” que o inglês se tornou língua mundial após a Segunda Guerra (mais importante que o francês, que só se mantém para a diplomacia). Foi com o desastre do New Deal posterior que os maiores nomes de estadistas das décadas posteriores foram os austeros Ronald Reagan e Margareth Thatcher – grandes responsáveis pelo maior ato de liberdade das décadas recentes: a queda do Muro de Berlim, feito para manter “em hibernação” forçada quem preferia correr para um sistema nitidamente mais direitista. John “Ich bin ein Berliner” Kennedy, o maior nome da esquerda do pós-guerra, é um político admirado por duas características famosas: um profundo anti-comunismo e uma forte campanha de corte de impostos. Soa muito “esquerdista” para MRP ou qualquer brasileiro?

Mas claro que MRP não tem uma realidade paralela assim tão boba quanto supor que a esquerda é a reunião de todas as pessoas boazinhas com preocupações com o planeta e outros seres humanos, e a direita seja composta por xenófobos (“A xenofobia continua a ser a tese que mais agrega”), violentos skinheads homofóbicos (“Lembra do bando skinhead que matou o adestrador de cães, Edson Neri da Silva, em 2000 na Praça da República, em São Paulo? Eram homofóbicos”) e saudosistas do estatista regime militar (“O fim da ditadura também deixou a direita piano piano.”) – ele até consegue encontrar algo além disso, em um exemplo de erudição ofuscante:

“Glauber nunca foi de direita. Como Gil, Caetano e alguns tropicalistas. Compunham outra força cultural que não fazia o jogo das esquerdas. Ou melhor, da esquerda mais ortodoxa.

Superada a dor da prisão e exílio, Gil cantava “realce, quanto mais purpurina melhor…”, enquanto a plateia cantava “quanto mais cocaína melhor…”, e Caetano cantava “deixa eu dançar, pro meu corpo ficar odara…”

Não denunciavam a perseguição política, a ditadura, a censura, os milicos. Mas jamais poderiam ser acusados de enveredar rumo à direita.

O tropicalismo é mais profundo do que a visão maniqueísta da vida: 2 lados, 2 ideais.

Não é marxista, stalinista, maoísta, leninista. O tropicalismo gostaria de inventar seu próprio ismo.”

(acredite ou não, grifos do original)

Com, ahn… “parágrafos” como estes, fica difícil desacreditar a tese de que Caio Fernando Abreu cansou de revisar o mais famoso romance de MRP antes de permitir sua impressão. E quando você precisa de Caio Fernando Abreu pra revisar seu livro, meu amigo…

Por sinal, o artigo de MRP se intitula “por que virou à direita? marketing, ora” (sic). Trata-se de referência ao livro recém-lançado “Por Que Virei À Direita”, com ensaios de João Pereira Coutinho, Luiz Felipe Pondé e Denis Rosenfeld. Livrinho muito interessante para aprender bastante em pouco tempo, que não tem pretensões de ser algo além de uma agradável leitura inicial para deixar o leitor com mais curiosidade com as ótimas referências explicativas. MRP nem faz menção ao livro, a não ser deixando a imagem de sua capa no texto.

Talvez se o ler com atenção (ou, afinal, se o ler), vai entender que a direita como entendida é apenas a política do pessimismo – a política que quer um Estado apenas para que não nos matemos, pois concentrar o poder para atingir uma perfeição onde todos nos amaremos pelo que temos em comum causou os maiores morticínios da História mundial – sempre notando que o Estado é incompetente para nos infligir amor e fraternidade forçadas. e que a busca por uma “igualdade” artificial é infrutífera por ser, afinal, artificial, restando ao poder estatal caçar os “traidores” do empenho coletivo. Como não há espaço de ação fora do Estado na utopia esquerdista padrão, resta a extradição, a escravidão, a tortura em masmorras (igualzinho MRP critica na ditadura, que acredita ter muito a ver com “a direita”) e a morte. Por sinal, afora o esquisitíssimo racismo nazista e alguns socialismos com complicações culturais locais (como o vietnamita ou o norte-coreano), qual totalitarismo não tem explícitas as melhores intenções humanísticas?

MRP só critica indiretamente:

“Hoje, existe uma categoria de intelectual que descobriu que, se reproduzir o discurso da direita, ganha moral, destaque, prestígio e espaço.

Pois no debate sempre foi imprescindível ouvir o outro lado- poucos se dispunham a cumprir o papel de alvo fácil do meio acadêmico e jornalístico; papel de boi de piranha.”

Com vírgula mal-colocada, jura que se ganha prestígio defendendo a direita hoje, e que a esquerda é uma coitadinha preocupada em ouvir o outro lado, seja em meio acadêmico ou jornalístico, enquanto a direita, brucutu e intolerante, a trata como boi de piranha e nem quer saber do que a esquerda pensa. Será que é mesmo muito inteligente afirmar isso criticando um livro sem, bem, ler o outro lado? Será mesmo muito fácil encontrar conservadores, ou mesmo liberais da estirpe libertária (será que MRP sabe o que é isso?) – contrários ao Banco Central e a qualquer obrigação estatal sobre a população nas redações jornalísticas – mesmo na Veja, “pedra de toque” para um esquerdista definir o que são seus adversários?

Pior ainda: em meio acadêmico? Acaso o caro leitor, concordando ou não, ao menos já ouviu falar de nomes como Marx, Sartre, Foucault, Chomsky, Adorno, Habermas, Gramsci, Žižek, Chaui, Benjamin, Deleuze, Agamben, Mészáros ou Bauman? E que tal lembrar, sobretudo a turma de Humanas, de nomes como Sowell, Bastiat, Mises, Hazlitt, Kolakowski, Reale, Gasset, Rawls, O’Rourke, Croce, Soljenitsin, Rockwell, Voegelin, Horwitz, Tucker, Peyrefitte, Mencken, Chesterton, Muggeridge ou Santayana? Quantos desses nomes são, no mínimo, familiares aos ouvidos de pós-adolescentes universitários? Pedindo ao acaso, quantos nomes “de direita” MRP, algum jornalista do veículo de sua preferência ou algum universitário consegue citar? Afinal, quem é que não ouve o outro lado, e se tem coragem de abrir a boca, vira “boi de piranha”? Acaso MRP alguma hora vai se preocupar em descobrir, afinal, o que é a direita e o que ela defende, ao invés de não ouvir o outro lado e, como um meninão do DCE, dizer que só ele é democrático, pechando todo mundo que não seja o seu lado direta ou indiretamente de fascista? Como diz o próprio MRP, ao se ir contra a maioria, quem é “patrulhado” – a esquerda ou a direita?

Para MRP, a realidade fácil, onde é só acabar com o pensamento de direita que tudo vai ser uma maravilha (de preferência sem antes dar uma checada no que é que, afinal com mil diabos, esses caras pensam, pra evitar contaminar a sua pureza esquerdista) tem até um adendo:

O escândalo do Mensalão, o fim da pureza petista- a prova de que é preciso colocar a mão na merda quando se quer o Poder- deu a munição que precisavam.

Enfim, se hoje a direita “está na moda”, é graças ao mensalão. Talvez tenha até algo de verdade nisso. De fato, ficou claro para quem quiser ver que a esquerda sabe bem distribuir renda – e que o distribuidor nunca vai lembrar de que aqueles 90% de renda devem ficar com alguém que não ele próprio. Quem já deu uma olhadela em Jouvenel ou Nozick sabe bem. Mas, já que a culpa é “do Poder” (sic, com letra maiúscula), por que o partido adversário do PT (que de direita não tem nada) não possui um escândalo tão grande assim para ser denunciado? Está mais fácil acreditar que MRP é que consegue prestígio defendendo a justiça social bocó e que foi o PT que destruiu as instituições – e não o contrário.

 

Flavio Morgenstern é redator, tradutor e analista de mídia. Entre fazer um pacto com Stalin ou com Churchill, prefere Churchill – e é perseguido na faculdade por isso. No Twitter, @flaviomorgen

Nunca inseriu um código de desconto no Cabify? Experimente usar o código "IMPLICANTE" e ganhe 50% OFF (com desconto máximo de R$ 20) em 3 corridas.

31 Comentários

31 Comments

  1. Vítor Bonini

    29 de maio de 2012 at 14:01

    No meu entender , atualmente , segundo a vesga , infantil e limitada visão dos esquerdistas , qualquer um que não apoie Cuba , que não veja em Chavez um estadista exemplar , que tenha a capacidade de afirmar que o comunismo é um fiasco e que se sinta bem vivendo no capitalismo e na democracia , passa automaticamente ser um direitista extremista .
    Quem ve o mundo por uma ótica limitada ,obviamente descreve o mundo de acordo com a sua falta de visão .

  2. Hueber

    29 de maio de 2012 at 12:55

    Estou lendo As Seis Lições do Mises, e ele diz muita coisa que ia deixar os esquerdistas birutas, pq ele não se encaixa no “rótulo” comum de direitista. Não iriam saber em que grupo “colocar” ele.

    • flaviomorgen

      29 de maio de 2012 at 13:26

      O maior problema de ser esquerdista é exatamente esse. Não é que eles se acham mais certos do que a direita – é que eles não têm nem a mais remota idéia do que é a direita, o que ela defende e por quê.

  3. paulo

    28 de maio de 2012 at 12:32

    o que acho engraçado é que o pensamento de um direitista é:
    estado não se envolver na vida das pessoas = direita
    estado se envolver na vida das pessoas = esquerda

    o pensamento do esquerdista é:
    matou? é politicamente incorreto? = direita
    é perfeito? = esquerda

    estado se envolve na vida das pessoas = isso não está em discussão, direita mata, rouba, é homofóbica, etc…

    qdo será que poderemos ter um diálogo inteligente?

  4. Ronaldo

    28 de maio de 2012 at 06:24

    Eu li o texto do MRP (se é que podemos chamar aquilo de texto) e gostaria de fazer algumas considerações:

    Primeiro: Quem é ele para criticar Nelson Rodrigues?
    O próprio escreve que o Nelson “pagou um preço caro por suas contradições”.Vamos ver quanto o MPR vai pagar pelas dele.

    Segundo:Desde quando ser de direita virou moda?
    No Brasil ser esquerdista sempre foi uma moda (vide “nossos” artistas e estudantes de universidades -principalmente da área de humanas-).O próprio Peréio disse, em uma entrevista para a revista Playboy, que ía para as reuniões do “partidão” não para prestar atenção no discurso, mas sim para fazer sexo.

    PLAYBOY Mas você já havia sido militante do Partidão, ou seja, sua relação com a esquerda é antiga, certo?

    PEREIO Quando eu era guri. Eu era romântico, sabe? Ia nas reuniões, mas não prestava muita atenção. Ia para comer as mulherzinhas, porque as comunistas davam. Fui membro do Partidão, assinei ficha, e fui filiado ao PDT também, tinha uma relação com o Brizola desde a Cadeia da Legalidade.

    https://ilusaodasemelhanca.blogspot.com.br/2007/03/paulo-csar-pereio-porra.html

    Terceiro:Desde quando ser homofóbico é algo exclusivo da direita?
    Para vocês terem uma idéia, o maior ídolo da esquerda festival, o sr. Che Guevera, era homofóbico.Na Revolução cubana ele prendeu qualquer pessoa que fosse gay, anarquista ou hippie, alegando que eles íam contra a revolução.
    Cuba é um país homofóbico (podem agradecer a dupla Fidel e Guevara) e os homossexuais de lá encontram dificuldades até hoje.

    https://noticias.terra.com.br/mundo/noticias/0,,OI5582694-EI8140,00-Partido+Comunista+cubano+enfrenta+desafio+de+acabar+com+homofobia.html

    O mais curioso foi essa parte:

    “Os horrores dos porões, os relatos de sobreviventes, os crimes contra a humanidade tornaram indefensáveis as teses da direita, que defendia o regime.”

    Sim, e os Gulgas, o massacre de Katyn (assassinato de civis poloneses feito pelo exército soviético), o Holodomor (Holocausto Ucraniano), a Primavera de Praga, a Revolução Húngara de 1956, a desertificação do Mar de Aral, a submissão do Tibet pela etnia Han ou ao regime de escravidão da Coréia do Norte?Será que o autor tem algo que possa defender todos esses genocídios cometidos por regimes de esquerda?
    E olha que são alguns exemplos.

    O que eu acho mais cômico nisso tudo é quando aparece algum petista e chama a nossa imprensa (ou grande mídia, no jargão esquerdista) de conservadora (citando jornais como Folha, Estadão, O Globo e a Veja).
    Quem já leu algum desses jornais ou revistas sabe que seus conteúdos estão muito mais próximos da social-democracia (centro-esquerda) do que do conservadorismo.A Veja seria a única exceção, mas não pode ser chamada de conservadora quando se nota que seu conteúdo é de característica liberal.
    O próprio Globo, que volta e meia é chamado de conservador pela esquerda, está cheio de pessoas com pensamentos esquerdistas (Arthur Dapieve, Arnaldo Jabor, Elio Gaspari e Mirian Leitão são alguns exemplos).
    Imagina se a nossa imprensa não fosse conservadora.

  5. Napolioni

    28 de maio de 2012 at 00:33

    É impressionante como a esquerda faz a inversão da situação. Direitistas quase inexistem nesse país ( tanto liberais quanto conservadores).

  6. wilson1

    27 de maio de 2012 at 17:22

    O cara que não é dos extremos, tanto da direita como da esquerda, não é esquerdista, principalmente petista, não gosta da revista Veja e nem do Reinaldo Azevedo? Para tudo que eu quero descer. O Reinaldo é espalhafatoso? Pode até ser um pouco, mas como deve ser tratada esta corja capaz de qualquer golpe baixo para tirar vantagem? Com artiguinhos leves e açucarados? Fala sério, oh.

  7. João

    27 de maio de 2012 at 03:22

    Qual o problema de eu ser um dos maiores comentadores? O novo patrulhadorzinho da Veja está se sentindo patrulhado?

    • flaviomorgen

      27 de maio de 2012 at 12:13

      Que mania de vocês dizerem que eu sou da Veja… deve ter uma dúzia de olheiros do Estadão, Folha, Globo, Correio Brasiliense e Meia Hora doidos pra me contratar, aí vêem vocês falando e pensam: “Ah, mas esse já é ‘quinta-colunista’ da Veja…”

  8. Otávio

    26 de maio de 2012 at 21:29

    MRP apelou para Hitler (me pergunto por que não usam Mussolini como “o” exemplo de extrema-direita, mas sempre Hitler), “movimento skinhead” (como se todos fossem “de direita” ou racistas), tortura na ditadura, com a superficialidade de quem não precisa explicar muita coisa, porque escreve para quem quer ler só algo que apenas ratifique essas opiniões.
    Ele deve concordar com os livros do MEC que dizem que Bin Laden era extrema-direita.

    Falou de Nelson Rodrigues (dizendo implicitamente que este tolerava tortura desde que não fosse com familiares – PQP!) mas se esqueceu de Paulo Francis (que passou da esquerda para o outro lado) por quê?
    Mencionou artistas vermelhinhos, mas e “reacionários” como Lobão, que foi em cana sem nunca ter pedido indenização?

    E aí vem a grande cagada: afirmou que Pondé, Coutinho e cia, não têm méritos, vendem apenas porque preenchem são oportunistas.
    Para ele, o fato de ter MEIA DÚZIA, não mais que isso, de polemistas da direita na imprensa é algo tão espantoso que só pode ser mentira, são esquerdistas espertos vendendo livros se passando por reacionários.
    Começam os adjetivos (“figuras de segundo escalão”, “secundários”, “desprezados”) e aí ele se esqueceu de argumentar, de demonstrar estar certo.
    E finaliza dizendo que o mensalão foi necessário em nome do poder, embora o PT até então fosse puro.

    Mas, sei lá, peregrinando pela net não vejo muita diferença entre essas coisas e certos “conservadores”, na maioria religiosos, relativizando tudo (tipo: “Putin até que não é tão ruim”, “Le Pen é a nova Thatcher”, “no tempo da ditadura é que era bom”…). Formaram uma seita e não aceitam divergências sob pena de te mostrarem a língua, fazerem beiço e te rotularem de abortista, gayzista, militante ateu, gramsciano, etc.

    Flávio, seu texto tem um erro também: a foto da S.E. Cupp é pequena demais e as outras são grandes demais.

    Discordando, com o devido respeito, do Thiago Lara, internet é o caminho, chega a milhões, sem intermediários, com liberdade de expressão (talvez uns processinhos aqui e ali), mais “atraente” aos jovens, interação, agilidade… E, lançando livros, inevitavelmente venderá ebooks, divulgados na net, não tem como fugir :)

    • flaviomorgen

      27 de maio de 2012 at 02:11

      Otávio, muito me agrada ler seu comentário, irretocável! Imaginei que ninguém soubesse quem é a moça e alguma hora iriam acabar me perguntando. Lembrei dela por aparecer no programa do Bill Maher recentemente. Deixei de curiosidade, mas parece que esse povo nem se animou pra perguntar quem é a bonitona…

  9. alexandre

    26 de maio de 2012 at 15:50

    Se um dia vc for para a Veja, seja igual ao Ricardo Setti : educado, aceita divergências, não censura e tem enorme credibilidade. Aliás, divergências à parte, vc tem algumas dessas características.
    P.S.: Viu com tem coisas na Veja que eu elogio !!! Não é muito mas tem.

    • flaviomorgen

      26 de maio de 2012 at 16:04

      Você citou só quatro e disse que tenho “algumas”. Já tive mais valor de mercado. :P

  10. Míriam Martinho

    26 de maio de 2012 at 11:56

    Cara, se quer refutar a má imagem da direita nesse nosso paíseco, não vai ser citando o Olavo de Carvalho que conseguirá tal feito. O astrólogo-filósofo é o esterótipo perfeito da direita que a esquerda pediu a Deus. Melhor citar apenas o Pondé ou o Coutinho que pelo menos são mais civilizados, embora o Pondé seja bem chatinho em muitas aspectos.

    No mais, bom artigo. Aqui ou em qualquer lugar, deve-se lutar contra a hegemonia esquerdiota que vem de longe no Brasil.

    • flaviomorgen

      26 de maio de 2012 at 12:00

      Miriam, nem pergunte a opinião do Olavo a meu respeito que não vai sair coisa boa (ou com poucos palavrões, creio). A única questão que fica clara é que o Olavo, com as teorias pancadas dele, mostra saber absurdamente mais do que qualquer esquerdista desse país. E se eles não gostam do Olavo, não consigo conceber humilhação melhor do que essa. E muito obrigado pela parte que me toca! :)

  11. Aldrin L

    26 de maio de 2012 at 06:42

    Flavio, excelente texto.

    Eu sei que você já tá saindo na veja, e certamente serás o próximo Diogo Mainardi.

    Quando este momento chegar, eu vou parar de te ler, e clamar que preferia o Morgen Arte, o Morgen de Várzea, Morgen Moleque, e o Morgen de raiz haha.

    Parabéns!

  12. João

    26 de maio de 2012 at 04:59

    Aprendi bastante. Não com o artigo que é uma merda e traz confissões de ignorância explícita tais como

    ** “Esquerda” e “direita” são apenas nomes, tais como “desenvolvimentista” ou “militarista” (notando-se que o segundo é o único que diferencia a política da ditadura da política do governo Lula) **

    Eu aprendi mesmo foi com o comentário do Thiago Lara. Depois dele, o seu subtexto faz muito mais sentido.

    • flaviomorgen

      26 de maio de 2012 at 11:42

      Pois deve estar aprendendo bastante mesmo para estar entre nossos maiores comentadores por aqui.

  13. Thiago - RJ

    26 de maio de 2012 at 02:13

    Excelente ensaio, Flávio, apesar da desnecessária e deselegante alfinetada no estilo do Reinaldo Azevedo.

    Você pode não gostar, tenho certeza que há outros que também não gostam – eu, particularmente, não chego a gostar, mas também não vejo problema algum; simplesmente não ligo -, mas foi gratuito. E ele já deu a você (e à “Reação”) o devido espaço no blog dele, além de ter sido extremamente elogioso na única vez em que se referiu diretamente a você (um post em que ironizava os que afirmavam que você trabalhava para ele). Achei, data venia, um tanto desrespeitoso. A recente pinimba entre Rodrigo Constantino e Olavo de Carvalho só demonstra que os integrantes da(s) direita(s) precisam segurar um pouco mais a onda de seus egos; esse tipo de rusga só diminui o que há de sério, vestuto e meritório no trabalho de cada um (e, no caso, há coisas valorosíssimas no que vocês quatro já escreveram).

    Quanto ao artigo em si, mais uma vez você está de parabéns. Eu também fui aluno de uma “extrema-humanas” (apesar de não parecer que assim o é à primeira vista e de longe) e sei exatamente do que você está falando. É a boa e velha “estratégia das tesouras”: a “crítica” da esquerda vem da própria esquerda, o máximo de direita que se considera como existente é a direita da esquerda, e ficam os intelectuais orgânicos gramscianos lá, discutindo se o Estado deve ser enorme ou gigantesco, se liberam maconha enquanto proíbem biscoito com gordura trans, se as mulheres virgens maiores de 18 são ou não uma minoria oprimida que merece ser beneficada com algum tipo de ação afirmativa… Enquanto isso, sequer se menciona a simples existência daqueles autores todos que você e o Olavo de Carvalho, no texto indicado, mencionam. Não conta para ninguém mas, apesar de ter outro nome e outra cara, o tal “direito alternativo” (i.e., Gramsci vai ao fórum) é, hum, hegemônico…

    Mas o maior agradecimento que te faço é o link para o “Caminho da Servidão” em epub. Só por isso eu te pagaria uma cerveja! ;-)

    Abraços!

    • flaviomorgen

      26 de maio de 2012 at 11:57

      Obrigado, Thiago! Não dei uma alfinetada não. O Reinaldo tem não só um estilo que burilou com esmero e um objetivo definido, como, afinal, tem um papel a cumprir. Ele é bom por ser chocante, conquista muito público a entender o que é essa tal de direita por saber o que sua audiência gosta e quer, e tascar mais umas doses cavalares de erudição no meio de tudo. Nem sempre gosto do estilo dele (que todo esquerdista, por só conhecer autores reoluças e ter como única “referência” do outro lado o Reinaldo, jura que eu copio), acho que há um excesso de exclamações e de primeira pessoa, mas é justamente o que o marca e o que esperam dele. Eu também tenho um profundo respeito, admiração e agradecimento para com o Reinaldo e aprendo muito com ele, tenho seu livro autografado e não canso de lhe fazer as mais honrosas referências por aqui.

      Aliás, talvez os termos tenham te chocado justamente por mostrarem o humor dele (assim como adorava o Alborghetti, que faz o Reinaldo parecer uma freira). O humor deve ser espalhafatoso e histriônico, ou ao menos ter essa possibilidade de ser. Humor bonzinho é coisa politicamente correta ou, justamente, piada de convento – o que, por increça que parível, cada vez mais é o que a esquerda faz (a famosa frase do Henfil é prova viva). O Reinaldo sempre lembra que se houvesse algum colunista no Brasil que fizesse piadinhas como as introdutórias de toda noite do programa de David Letterman (e acrescentaria eu: Bill Maher ou Chris Rock), ele seria preso em um único dia. Na verdade, por gritante que seja, o Reinaldo e quem mais apareça ainda têm de andar na primeira marcha nesse país. Chamar um presidente de “estúpido” ou tascar um suabilíssimo “fuck him” para se referir a um grande nome como JFK, como Bill Maher faz em menos de 2 minutos de programa, fariam a Carta Capital publicar 3 meses de acusações grotescas contra o “baixo nível” de qualquer pessoa que expresse o que pensa de autoridades que lhes roubam. Lembra do quanto até citam em processos contra o Mainardi uma piada dele em que ele dizia pedir uma moedinha para sua mulher para dar opiniões?

      O livro está disponível gratuitamente no Instituto Mises, como quase tudo que eles publicam. Vale sempre dar uma conferida. A biblioteca vai aumentar bastante, farei um esforço para ajudar. Abraço! :)

  14. Airton

    26 de maio de 2012 at 00:43

    E como a Cynara Menezes sabe que o artigo é chato e longo ? ( Twitada dela )

  15. Thiago Lara

    26 de maio de 2012 at 00:30

    Flávio, eu sou seu fã. Eu sou um cara de subúrbio que descobriu a biblioteca com 20 anos e não tinha ninguém pra pedir ajuda. Passei dez anos lendo pra conseguir entender o que tinham feito com a minha cabeça, malditos coletivistas.

    Eu te admiro profundamente, aprendi muito com vc, pra vc ter uma idéia eu fui conhecer o Ortega Y Gasset no seu formspring. :D

    Mas cara, peloamordedeus, pára de discutir com qualquer idiota que aparece! Fica nessa de eleição de diretório, esses bundas moles de partido, aí começa a andar com esse Gravataí aí, porra cara, esse cara é o jovem Cláudio Tognoli, pistoleiro pra caralho…

    Nessa vc foi indo, e agora taí batendo em aleijado.

    Já era cara, eles venceram. O povo não quer saber de porra nenhuma, e nessa situação o negócio é mesmo o capitalismo de estado. Vc quer puxar o freio disso como? Vai importar um povo novo? Porque aqui no Brasil as pessoas não colaboram nem com faixa de pedestre.

    Vc tinha que escrever alguma coisa assim mais extensa, mais continuada, com pretensão de registrar que a despeito da merda que está acontecendo no Brasil ainda há vida cultural e tem gente (humanos) vendo. É fornecer o testemunho da tradição pra que no momento certo ela tenha de onde se restabelecer.

    Se vc ficar aqui nessa porra de internet vai virar o Reinaldo Azevedo, ou pior, vai virar o Vovô Olavo, hein!

    Só tem maluco nessa porra de internet, e em política tb só sobraram os marionetes, nossa época já era e o debate é uma ilusão. Não vê aí na usp como é?

    Vai pra História, Flávio! Pára de discutir com idiota e vai pra História!

    O Pondé velho e careca ganhando milhões e comendo todas as menininhas com aquele livro politicamente correto que ele escreveu sobre o politicamente correto, e vc aí, todo amante latino, discutindo com idiota. Quando for discutir com quem interessa já vai ter perdido o ímpeto.

    Vai pra História, Flávio! Livro! Discute com o problema, não com os carrapatos do problema! Relaciona o momento desgraçado que a gente tá vivendo com a tradição, sei lá, arruma um mote aí.

    Senão a História que vai ficar é da comissão.

    Esquece essa porra de blog, termina com essa piranha desse Gravataí que isso não é mulher pra vc, e vai fazer alguma coisa importante com essa cabeça que na internet todo o teu esforço não dá 1% do que dá uma Carolina Dieckeman.

    Porra tava querendo te falar isso tem um tempão, mas não tinha coragem. :)

    Abraço e tudo de bom pra vc aí!

    • flaviomorgen

      26 de maio de 2012 at 02:12

      Quanta revolta em tão pouco espaço, meu caro… Mas reparou numa coisa curiosa: você quer um livro meu antes mesmo de saber o que vou escrever justamente porque pessoas como o Gravataí tornaram meus textos minimamente conhecidos por aí? E é por aprender a debater com a liga Dentinho de Leite que aprendi o que é bom pra toda a Eternidade. Não se preocupe, logo tem coisa grande (pra desespero da Cynara, pelo visto…) saindo do forno.

  16. Doutor Gori

    25 de maio de 2012 at 22:19

    https://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/animais/avestruz-7.php

    https://www.noticiaanimal.com.br/bicho-do-dia.php?idbicho=59

    Avestruzes, não importam se um ou 1, não enterram a cabeça para se esconder. No máximo, acocoram-se rente ao chão com o pescoço esticado e rente ao solo. É preciso checar as fontes, qualquer que seja a afirmação.

    Abraços primatas

  17. alexandre

    25 de maio de 2012 at 20:27

    Concordo com vc que não existe lógica em comparar a Churchill, Thatcher com Hitler e Mussolini. Mas só tem uma coisa que vou discordar de vc : não foi o Reagan e a Thatcher que derrubaram o muro de Berlim. Ele caiu por causa de um homem chamado Gorbatchov (esse sim, o maior estadista da segunda metade do século XX). Esse papo que o Gorbatchov só abriu o regime por não acompanhar os gastos militares da era Reagan é mito. O cara abriu o regime por que quis. Quantos países comunistas estão falidos e mesmo assim não abrem sua economia e política ? Coréia do Norte e Cuba (começou uma abertura mas ainda é muito tímida) são exemplos. Se o Brejnev tivesse no lugar do Gorbatchov, haveria perestroika e glasnot ? Duvido. E eu acho a Thatcher um pouco supervalorizada. Ela ficou conhecida por enfrentar os sindicatos e a Argentina nas Malvinas(o que não considero um grande feito). A Grã Bretanha não mudou tanto assim no governo dela. O que é a Grã Bretanha hj ? Está atrás da França nos rankings de maiores economias mundiais. E olhe que a economia francesa não cresce há muito tempo. A Grã Bretanha é decadente e isso vem bem antes da Thatcher e ela não mudou isso.

    • flaviomorgen

      25 de maio de 2012 at 21:56

      Gorbachev aprendeu tudo o que fez com o Reagan. Quem diz isso? Ele próprio. Até hoje. E não cansa de repetir. Inclusive o fim da era atômica: hoje dirige uma ONG para desarmamentismo nuclear mundial onde celebra os pactos que fez com Reagan. A era Thatcher manteve a Inglaterra nos eixos. Assim como os EUA de hoje pouco ou nada têm a ver com Reagan, a Inglaterra de Blair e Gordon pouco ou nada têm a ver com Thatcher. Deu no que deu.

  18. Conservatore

    25 de maio de 2012 at 20:09

    Flavio, não sei ai na USP, mas, na federal onde estudo, a maioria dos meus professores doutores(com exceção de dois, apenas, dois) argumentam mais ou menos na mesma linha do MRP. Talvez com um pouco mais de desenvoltura e “argumentos”. Todavia, a direita é sempre chamada de extrema-direita, a revolução de 64 é chamada de golpe, dado pela direita, é claro(talvez naquele tempo não desse ibope falar de extrema-direita), enfim, tudo de mal que acontece no mundo é culpa da religião, dos conservadores, da direita, dos burgueses e o bolo da cereja: o capital(que é o resumo de tudo isso, na ótica da esquerda).
    Se você é perseguido, imagina eu, um neófito em direita e conservadorismo.O consolo é estudar(os dois lados), mesmo correndo o risco de não ser ouvido(mesmo se eu ficar “bom”), afinal, eu estou do “outro lado”.

    • flaviomorgen

      25 de maio de 2012 at 20:11

      O problema é que tudo que se pode saber sobre direita temos de aprender escondido, como quem vai comprar cigarro sem os pais saberem…

  19. Bruno Castanho

    25 de maio de 2012 at 18:16

    “No final da Segunda Guerra, o Holocausto e os horrores nazistas deixaram a direita em hibernação.”

    Como é que o sujeito pode afirmar isso quando a própria Alemanha foi reconstruída sob a liderança do conservador Adenauer?

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Mais Lidas

To Top