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A forma como o PT manipula números e se beneficia do erro

Agora foi a vez de Lula, em discurso que visava ganhar de volta a confiança de empresários, usar uma porção de dados convenientemente incorretos.

"não esquece o protetor e toma cuidado"

A maquiagem de números vem se tornando uma rotina na administração petista. Como alguns fatos não se mostram favoráveis ao trabalho por eles desenvolvido, seus aliados procuram a todo custo formas de exaltá-lo, nem que para isso recorram a inverdades. O mais recente caso foi protagonizado pelo ex-presidente Lula. Em discurso para reconquistar a confiança do empresariado, usou vários dados que, segundo análise do Globo, não condizem com a realidade.

Indicadores como investimento externo direto, dívida bruta e corrente de comércio, citados por Lula como “êxitos dos últimos 12 anos”, na verdade pioraram durante o governo Dilma.

O ex-presidente se enganou ainda ao citar dados sobre reajuste salarial, informações sobre exportação de alimentos e também a posição do PIB do Brasil no mundo, em especial na comparação com outras nações emergentes.

Lula afirmou que o Brasil tem o segundo melhor PIB entre os países emergentes, quando na verdade aparece em quarto, atrás de China, Índia e Rússia; disse ainda que o país é o segundo maior exportador de alimentos, ignorando que na sua frente figuram Estados Unidos, Holanda e Alemanha.

O ex-presidente também errou ao falar que o Brasil está entre os cinco maiores destinos de investimento externo direto do mundo. Segundo a ONU, em 2013, o país caiu da quinta para a sétima posição. Outro alvo de equívocos foi a dívida pública. De acordo com ele, ela está estabilizada em torno de 57% do PIB, mas, na verdade, cresceu durante o governo Dilma, de 53,3% para 57,7%.

Mas a própria presidente se presta a esse papel. Em seu mais recente pronunciamento no rádio e na TV, Dilma Rousseff quadruplicou números sobre a redução da miséria no Brasil, afirmando que em uma década 36 milhões de brasileiros saíram dessas condições, mas logo foi desmentida pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada).

Estudo publicado pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, vinculado ao Palácio do Planalto) aponta que, de 2002 a 2012, o número de miseráveis (ou extremamente pobres) caiu de 14,9 milhões para 6,5 milhões.

Trata-se, portanto, de uma queda de 8,4 milhões no número de pessoas que vivem na miséria ao longo dos primeiros dez anos da administração petista, abaixo da cifra mencionada por Dilma.

Outros mitos propagados constantemente dizem respeito aos índices de desemprego no Brasil. Segundo Dilma, o país vive uma situação próxima do pleno emprego, possui uma das menores taxas de desocupação do mundo e apresenta o menor desemprego da história. Dados do IBGE, no entanto, desmentem essas afirmações.

Sobre o pleno emprego:

A pesquisa ampliada que começou a ser divulgada neste ano mostra taxa mais alta, de 7,1% na média de 2013, e, sobretudo, desigualdades regionais: no Nordeste, o desemprego médio do ano ficou em 9,5%.

Sobre a taxa de desemprego:

O desemprego no Brasil é menor que o de importantes países europeus, mas supera o de emergentes como Coreia do Sul (3,9%), China, (4,1%,), México (4,7%) e Rússia (5,6%), além de ricos como Japão (3,6%), Noruega (3,5%) e Suíça (3,2%).

Sobre o menor desemprego da história:

A base da afirmação é que a taxa apurada em apenas seis metrópoles é a menor apurada pela atual metodologia, iniciada em 2001. Já foram apuradas no passado, com outros critérios, taxas iguais ou mais baixas.

O governo ousou manipular dados até mesmo sobre o trem-bala, cujo funcionamento estava previsto para 2014. No balanço do PAC 2, a obra, que ainda nem foi licitada, consta como “em dia”.

Erros ocorrem e seres humanos estão sujeitos a eles. Contudo, chama atenção o fato de que tais erros sempre surgem de forma a beneficiar o trabalho do PT, Dilma e Lula. Ou, ainda, medidas do interesse do discurso governista, como quando uma pesquisa do IPEA errou em 39% dados sobre o machismo no Brasil. Ao eleitor, restam duas opções: acreditar que tudo isso não passa de uma enorme coincidência, ou que de fato o governo age de má fé quando propaga tantos equívocos que de alguma forma lhe são convenientes.

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