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A PL 122 e a KGB da “democracia socialista”

A PL 122 queria dar direitos aos homossexuais. Por trás de uma aparente boa intenção, esconde-se o maior mal que a civilização enfrentou no século XX.

pl122

 “Quando ficar ofendido dá poder às pessoas, elas ficam ofendidas mais facilmente.”
– John Stossel

A esquerda chama quem ela não gosta de “coxinha” (algo parecido com “almofadinha”). Policiais são “porcos”. Não gostar do PT ou de Lula te torna “golpista”. Ter uma opinião diferente da concentração de poder estatal total do socialismo bolivariano é motivo suficiente para tachar alguém de “reacionário” ou “reaça” (que, após ler The Superstition of School, de G. K. Chesterton, ou O Credo do Reacionário, de Erik von Kuehnelt-Leddihn, só pode ser tomado como elogio). Claro, dependendo da faixa salarial da sua família, Marilena Chaui pode simplesmente dizer que odeia você (ela ganha muito mais).

Mas se você não gostar de um esquerdista, ele quer te mandar para a cadeia. É assim desde o Gulag. É a força estatal penal usada para “corrigir” você e seus preconceitos que te fazem ser um mal para a sociedade. A sociedade, aquela que sempre é quem tem a culpa.

Como a esquerda, após a experiência do totalitarismo socialista, já não detêm mais o controle total do aparato estatal (a não ser em casos emblemáticos como Cuba, Líbia, Laos, Coréia do Norte, o Iraque de Saddam etc), não pode mais criar uma polícia política e nem prender por pensamentos anti-revolucionários quem lhe der na telha. Nasce, assim, o progressismo, o novo nome do comunismo.

Ao invés de proteger “os proletários” assim, todos de uma vez (mesmo porque quase ninguém mais é “proletário”), defende-se grupos específicos de vítimas, que passam a ser defendidos escolhidos a dedo pelo poder estatal. Se na Venezuela o alvo são “sabotadores” e quem ofenda a imagem de Hugo Chávez, no Brasil são escolhidos grupos pelo tripé gênero-raça-sexualidade, conforme foi comum à esquerda americana, embebida das teses de Michel Foucault sobre a “sociedade disciplinar”.

Assim, não se defende mais o direito à vida, à liberdade de opinião e de expressão, à liberdade de culto. Defende-se, muito ao contrário, uma hipersensibilização apenas de grupos específicos.

machismoNão se trata de defender o direito à vida, à propriedade e a viver livre de agressões, coações e ameaças – direitos estendidos a todos os seres humanos. Trata-se de uma hipersensibilização completa. Olhar de uma forma que a pessoa não goste já te encaixa em alguma forma de “agressão”. Fazer piadinha, não dar o mesmo nível de preferência (por exemplo, achar que um homem costuma dirigir melhor do que uma mulher), não “aceitar” em sua própria privacidade, ou mesmo elogiar de uma maneira que seja considerada desagradável – tudo isso deve ser criminalizado. Enquanto assaltos, assassinatos, latrocínios e mesmo estupro seguido de morte por desmembramento a facadas são relativizados.

Se você gosta de proteger a vida, a propriedade, a liberdade e a não-agressão violenta e dolorosa, você é um “coxinha” e pode ser xingado à vontade. Difícil mesmo, para a esquerda, é chamar um homossexual de “bicha” ou dizer que uma mulher é peituda. Aí tem de criminalizar muito mais do que tirar a vida de alguém. Afinal, esses coxinhas lá sabem como é ser xingado o tempo todo?

Todavia, estes grupos específicos que a esquerda quer proteger (mulheres, negros/índios e gays, enquanto a onda muçulmana não vira moda no Brasil) tampouco são munidos do direito de se defender. Nada de armas, nada de liberdade e preservação irrestrita da vida e da propriedade de cada um. Todos são tutelados em seus direitos específicos apenas, é claro, pelo Estado.

Foi com este espírito que criaram a PL 122, o projeto de lei de 2006 que pretende criminalizar a “homofobia” no país. O projeto foi apresentado pela então deputada Iara Bernardi (PT-SP) e sofreu inúmeras modificações nos 7 anos em que ficou indo de um lado para o outro da Câmara. O projeto que ainda pretende reformar o Código Penal via lei ordinária acatou pedido do senador Pedro Taques (PDT-MT) que exclui as referências a “gênero”, “identidade de gênero”, “identidade sexual” ou “orientação sexual”. Definições que só conseguem ser compreendidas mergulhando fundo nas mentes esquerdistas mais cavernosas de todas, de Valerie Solanas e Judith Butler a Laerte e Eli Vieira.

Apesar de parecer algo inócuo e que só diz respeito a gays, o projeto envolve a vida de todos. Não se trata apenas de criar uma lei que criminalize que um padre ou pastor evangélico, citando a Bíblia, diga que homossexualismo é pecado – ao mesmo tempo em que outra parte do Código Penal afirme que há direito à crença e também o crime de ultraje a culto, criando, assim, duas leis contraditórias que não vejam um “certo” e um “errado” numa disputa.

Sempre que um religioso e um gay estiverem em litígio – sem lei clara para definir o comportamento correto, resta apenas ao juiz aplicar penas e sanções tiradas de sua própria caçuleta para prejudicar alguém, optando-se sempre pela injustiça.

marcha das vadias jmjNessa situação, a própria lei, o próprio direito natural, a liberdade de expressão é comida aos poucos. Um católico não pode mais ser plenamente católico, um evangélico idem. Curiosamente, é o tipo de projeto lei que nunca se foca na religião islâmica, que mal existe no país – mas, tomado quase ipsis litteris de outros países que convivem com muçulmanos, tampouco em sua origem tentam entrar em conflito com muçulmanos, sempre protegidos pelo “multiculturalismo”. Seu alvo são unicamente os cristãos.

Assim, começa-se pelas beiradas: primeiro, leis que “criam direitos” para gays, cotas para negros, direitos exclusivos das mulheres. Parece uma boa intenção. Mas não é assim que se protegem gays, negros e mulheres.

Ora, religiosos podem simplesmente achar que o homossexualismo é pecado. Homossexuais que nem sequer são religiosos não têm por que se ofender. Algumas religiões também acham que é pecaminoso comer carne de porco, comer carne vermelha, usar poliéster, fazer cruzamento de raças de animais, (Levíticos 19:19), não semear a terra mais do que sete anos (Levíticos 25:04), morrer sem ter visitado Meca etc.

Isto se dá porque religiões não são apenas constructos metafísicos, mas formas de organizar a sociedade – os judeus, única sociedade pastoral a ter sobrevivido, mesmo entre os três mais sanguinários impérios da Antigüidade, viam com preocupação o consumo de carne de porco, já que porcos não transpiram e, para manter a temperatura, precisam de lama. Uma sociedade nômade, mesmo adorando bacon, deveria evitar tal carne para não dividir a tribo “pastando” com porcos. Era perigoso parar para porcos se refrescarem, enquanto o restante da tribo ia para mais longe. Os judeus de hoje sabem que só estão vivos porque seus ancestrais não comeram porco, e seguem o ditame, mesmo não precisando mais.

Da mesma forma, sociedades nômades em busca de uma terra para habitarem são muito mais preocupadas com a fidelidade e a reprodução do que uma sociedade não só “liberal” como até incentivadora do homossexualismo como Atenas, assentada e urbana.

moises_deuteronomioÉ assim que deve-se interpretar textos religiosos e mitológicos (a Ilíada e a Odisséia também acham “barbarismo” beber vinho sem misturar com água – mas é porque o vinho da Grécia antiga era horrível, e hoje nosso vinho é ótimo; ofendeu? quem é o bárbaro agora?). Se você quer ser gay e não é religioso, qual o problema de alguém crer que tal comportamento, anátema para uma sociedade de pastoreio, é pecado? Somos todos pecadores para outras religiões. E a religião atacada, sempre o cristianismo, tampouco nega que qualquer ser humano é um pecador. Nos belos dizeres de Kuehnelt-Leddihn, “há todos os tipos de coroas, a mais nobre delas, composta por espinhos”.

Se queremos garantir a liberdade às pessoas, não é apenas a liberdade de serem iguais a nós. É o velho conflito entre liberdade e igualdade. Do contrário, caímos na esparrela dos defensores da “igualdade”, que nunca se lembram de explicar se querem que todas as pessoas sejam iguais a quem.

Mesmo um fanático religioso pode ser chato, mas não é obrigação legal ser legal e agradável. Criemos um ambiente em que o fanatismo religioso não prolifere por haver opções melhores de conduta. Não se faz isso com leis.

De acordo com Marilena Chaui, “democracia é criar direitos”. Direitos, como explicou o filósofo Olavo de Carvalho, são sempre uma obrigação: obrigar alguém a algo ou proibir alguém de algo. Para isso, precisam de uma força maior e um poderio grandioso.

“Criar direitos”, como se direitos fossem coisas a ser inventadas, e não apenas se reconhece o direito natural de cada um, é uma concepção de democracia clássica – ou seja, negativa, prejudicial, corrosiva. Oposta à politéia de Platão (o governo para muitos, dentro de padrões de conduta aceitáveis, sem agressões e prezando a boa convivência), o demokratos é apenas o grito da maioria. “Direitos” roubados em número, à força, da maioria. Se 51% de uma cidade escolhe esfolar vivo os outros 49%, estamos diante de um “direito democrático” em sentido clássico (que perdurou do séc. V a. C. até o séc. XVIII). Não parece ser isso que queremos.

Ao se “criar direitos” assim, separamos grupos que ontem conviviam pacificamente. Afinal, ninguém defendia que homens pudessem agredir mulheres, ou que heterossexuais tivessem o direito de agredir homossexuais. Mesmo assim (e mesmo com o homossexualismo sendo cada vez mais aceito), do começo de 2000 até 2013, pessoas que pensavam o mesmo que pensavam em 2000 agora se dizem “feministas”, ou ativistas do movimento LGBT ou LGBTTTs. Andamos “perdendo pessoas para o feminismo” da mesma forma que perdíamos para drogas pesadas dos anos 90 para trás.

Isso tudo porque essa mentalidade da esquerda impregna, por ser uma hegemonia, e não uma mera opinião. Essa hegemonia invariavelmente nos leva ao totalitarismo, e não a um autoritarismo. É o que pregava Gramsci, autor lido e defendido pelo militante LGBTTT, o deputado e ex-BBB Jean Wyllys (PSOL-RJ).

Jean Wyllys acha que terem recusado a PL 122 foi uma “crônica de uma morte anunciada”, porque o Senado cedeu “à chantagem dos fundamentalistas”. Na verdade, Jean Wyllys, que, socialista como Marilena Chaui, tem motivos para odiar a classe média, divide as pessoas em apenas dois grupos: quem quer proibir religiosos de abrir a boca e “fundamentalistas”.

Para Jean Wyllys, dizer que um gay é um pecador deve ser criminalizado. Também é proibido fazer piada com o gay, um pai declarar que prefere que o filho seja hétero, chamar o gay de bicha, viado, boiola, baitola, bofe – aquelas palavras que os próprios gays usam entre si o tempo todo dando risada.

Contudo, quem discorda dele é coxinha, reacionário, conservador, fundamentalista, “não-preparado” para um “debate amplo”, um “debate sério”, chantagista, promotor do discurso do ódio, do preconceito, e até opositor do reconhecimento da “cidadania” para a população LGBT (sic), como se as leis existentes não garantissem direitos para os gays de não serem agredidos, difamados, mortos etc.

Nenhuma dessas palavras, claro, passou pela cabeça de Jean Wyllys e seu movimento pela hipersensibilização como uma ofensa a alguém – algo que deva ser criminalizado. Ele também é o deputado que chama seus desafetos de “deputado e pastor evangélico”, mas parece pouco confortável em que nos refiramos a ele apenas como “deputado e ex-BBB”. O esquerdista por definição é o cara que odeia a Globo e adora Jean Wyllys.

menace_herdClaro, ficaremos reféns de leis contraditórias decididas pelo que der na caixola de um juiz. Cada vez mais – primeiro com os gays, depois, como no ObamaCare, exigindo que todos financiem programas pró-aborto, depois ainda proibindo o Natal (que agora deve ser chamado apenas de Happy Holidays) e as árvores enfeitadas e assim prosseguirá. O roteiro já foi feito em outros países e está seguindo até a mesma ordem aqui.

Isto é criar direitos específicos apenas para grupos escolhidos pela hipersensibilização. É usar o aparato estatal para perseguir e obrigar apenas quem Jean Wyllys acha fundamentalista. Apenas quem o gramscista Jean Wyllys acha “conservador” demais para viver na futura sociedade perfeita que ele planeja. Apenas quem Jean Wyllys dá o direito (que precisa ser “dado”, como se fosse um presente) de não gostar, ou de preferir outro.

É impedir a KGB, a Stasi, a Securitate, a Tcheka, a Milítsia, a GPU e demais polícias políticas 2.0 do gramscismo de nos “reformarem” e impedir projetos como a PL 122 de “criar direitos” ou o caminho para sermos “corrigidos” por estes engenheiros sociais será o mesmo: o Gulag, e as mortes aos milhões. Ou você acredita que algum dia simplesmente disseram: “Vamos matar todos os judeus!” e foram aplaudidos, ou passaram uns bons anos os chamando de fundamentalistas, coxinhas, preconceituosos, sabotadores e demais apelidos antes?

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27 Comentários

27 Comments

  1. Felipe

    24 de dezembro de 2013 at 10:10

    Flávio, bom dia!

    Esta é a primeira vez que escrevo neste site, apesar de acompanhar as notícias e textos do Implicante a bastante tempo.

    Gosto muito de seus textos e da maneira como expõem sua opinião.

    Infelizmente sou um leigo em Ciências Políticas, e gostaria muito de entender mais sobre o assunto, a fim de compreender o cenário nacional e mesmo opinar e “participar” dos comentários neste site!

    Como disse respeito sua opinião, e gostaria de saber se pode me indicar alguns livros para que possa me iniciar nesse campo!
    Por onde começar? Quem ler?

    Muito obrigado!

    • Flávio Morgenstern

      3 de janeiro de 2014 at 13:12

      Felipe, sempre recomendo “As Seis Lições”, de Ludwig von Mises, por ser um resumo para não-economistas das vantagens do liberalismo. Sempre dê uma pesquisada nos autores antes, porque às vezes o que aparenta ser o sentido de “liberal”, “democracia”, “capital” pra um é o inverso pra outro. Procure também por Ortega y Gasset, Thomas Sowell, Frédéric Bastiat e Russell Kirk que acho que eles são excelentes para se iniciar. E dê sempre uma olhada no catálogo da editora É Realizações, eles que publicam quase tudo o que precisamos no Brasil.

  2. Eliel da Fonseca

    24 de dezembro de 2013 at 09:36

    parei de ler na menção: “…o filósofo Olavo de Carvalho…”

    • Flávio Morgenstern

      29 de dezembro de 2013 at 20:41

      Aposto que você também parou de ler qualquer livro dele no título, e portanto sabe criticá-lo de cabo a rabo, não?

  3. Tiago Kloeckner

    23 de dezembro de 2013 at 18:48

    Excelente texto. Direto ao cerne da questão.

  4. Lucas

    23 de dezembro de 2013 at 19:42

    O problema é quando esses valores são impostos há minorias . Engraçado , isso me lembrou os 4 ateus Christopher Hitchens , Richard Dawkins , Daniel Dennet e Sam Harris , com esse discurso religioso de vitimização . ( Ora, religiosos podem simplesmente achar que o homossexualismo é pecado ) podem completamente , o problema é quando por conta desses discursos e do pensamento filosófico cristão você perde amigos , e fracamente esse discurso de Olavo de Carvalho e Reinaldo Azevedo de que cristãos são perseguidos e blá blá blá , típico discuso da maioria opressora que impõe seus ditos valores a sociedade . Infelizmente nesse mar de ‘ esquerda progressista’ vs ‘ Conservadorismo religioso ‘ vai ainda perdurar por muito tempo , eles não abrem mão do Casamento Gay , aborto e etc , acredito que nunca haverá um dito acordo haha , Ta aí um coisa certa que olavo falou , pela que ele pertence ao lado errado da história . Não acuse a esquerda de ser totalitária , quando a sua direita faz diga-se de passagem muito bem esse papel.

    Tirando os seus delírios de guerra fria a la olavo , o resto tá muito límpido e coerente

    • Flávio Morgenstern

      29 de dezembro de 2013 at 20:41

      Eu gosto do Dennett. E aí, pareço um cara que delira com a Guerra Fria? Pelo contrário, acredito que ela foi no máximo aquecimento. ;)

  5. Jefferson Souto

    22 de dezembro de 2013 at 16:57

    Parabéns pelo post. Você escreve muito.
    Tens algum blog?

    • Flávio Morgenstern

      22 de dezembro de 2013 at 17:16

      jefferson, muito obrigado! Meu blog está desativado, logo volta ao ar. Por ora, meus artigos estão compilados por aqui, em meu Twitter (@flaviomorgen) e na minha página do Facebook: https://www.facebook.com/flaviomorg

      • Jefferson Souto

        22 de dezembro de 2013 at 20:52

        Obrigado… Serei um assíduo leitor…

      • Flávio Morgenstern

        23 de dezembro de 2013 at 11:45

        A honra é minha!

  6. pABLON

    20 de dezembro de 2013 at 20:16

  7. Lothar von Puttkamer

    20 de dezembro de 2013 at 08:00

    Como sempre, excelente artigo.

  8. Eredhel

    19 de dezembro de 2013 at 15:37

    Parabéns, Flávio. Ótimo texto. Eu considero você uma das cabeças mais brilhantes do meu círculo social no Facebook junto com Olavo de Carvalho.

    • Flávio Morgenstern

      19 de dezembro de 2013 at 16:46

      A honra é minha, Eredhel!

  9. Vânia Santana

    19 de dezembro de 2013 at 13:43

    Pense num povo onde todos os seres se respeitem, onde não exista separação de gêneros/classe/religião/sexo/cor. Não entendo muito de política e perto de você, estou no jardim de infância no assunto. Mas poderia algum governo exercer poder sobre um povo unido? Acho que não. Nem o mais armado deles. E esse é o objetivo de manter acesa qualquer chama de separatismo, ou procurar qualquer brasa que possam acender para promover a discórdia.
    Obrigada pela aula que me deu em seu texto. Abraços

    • Flávio Morgenstern

      19 de dezembro de 2013 at 14:37

      Mas como o povo todo vai se unir em torno de uma única coisa? Difícil até concordar com a trilha sonora que vai tocar às 9 da noite em um prédio…

  10. Kevin

    18 de dezembro de 2013 at 19:37

    Como dizia Walter Benjamin, o ideal revolucionário se alimenta da imagem de antepassados escravizados, não de descendentes liberados. Por isso é importante criar o mito do “opressor” e do “oprimido” estáticos, facilmente definidos.

    O final dessa história é sempre o mesmo, 99% dos genocídios são cometidos contra “opressores” reais ou imaginários. Armênios, gregos e assírios eram comunidades de comerciantes prósperos no Império Otomano, kulaks eram os camponeses “ricos” na Ucrânia, judeus na Europa Oriental eram agentes da nobreza absentista, tutsis em Ruanda eram a elite e por aí vai.

    • Flávio Morgenstern

      19 de dezembro de 2013 at 12:33

      Minutos antes de abrir o painel para ver seu comentário, estava lendo sobre o massacre de cristãos armênios por muçulmanos e lembrei que muitas vezes ele é citado nos corredores da FFLCH. Mas nunca dizem que foram muçulmanos que mataram cristãos por motivos religiosos. É sempre “mais um holocausto do séc. XX…” como se eles estivessem contra isso.

      • Diogo R Santos

        19 de dezembro de 2013 at 12:42

        “Mas nunca dizem que foram muçulmanos que mataram cristãos por motivos religiosos. É sempre “mais um holocausto do séc. XX…” como se eles estivessem contra isso.”

        E depois os caras da FFLCH reclamam da “grande mídia” ser manipuladora

      • Flávio Morgenstern

        19 de dezembro de 2013 at 13:14

        Exatamente…

  11. Julio

    18 de dezembro de 2013 at 18:59

    Texto muito bom, como sempre. Parabéns.

    Uma pergunta, Flávio: você considera Kuehnelt-Leddihn seu autor favorito?

    • Flávio Morgenstern

      19 de dezembro de 2013 at 12:31

      Julio, muito obrigado! Não é não, meu guru espiritual ainda deve ser H. L. Mencken. Kuehnelt-Leddihn talvez eu consideraria como o cara mais conservador que já vi – e está provavelmente no Top 3 entre os mais cultos.

  12. Fabrício

    18 de dezembro de 2013 at 17:50

    Flávio, seus textos são muito bons.

    • Flávio Morgenstern

      19 de dezembro de 2013 at 13:14

      Muito obrigado, Fabrício!

  13. Eduardo

    18 de dezembro de 2013 at 16:43

    Parece que não importa o quanto você diga que esse poder de calar a expressão é perigoso, o totalitário irá alegar que você só quer liberdade de expressão para…. xingar os outros.
    O sarcasmo deles é “ai, que pena que não poderei ser homofóbico e odioso com essa nova lei”;
    É um nível tão grande de estupidez e desonestidade que é difícil debater.

    O que mais esperar do mesmo tipo de gente que alegava que conservadores americanos estavam fazendo uma guerra contra as mulheres ao se recusarem a pagar por contraceptivos?
    Uma mente que confunde “não quero pagar contraceptivos para os outros” com “quero proibir todos de usar contraceptivos” ou é impermeável ao bom-senso, ou descaradamente quer poder político.

    Acho que infelizmente o que podemos esperar é uma tesoura cada vez maior podando a liberdade de pensamento, de expressão e de associação (curiosamente, três DIREITOS ignorados pelos defensores dos infinitos direitos que nem são direitos), e o estado transferindo propriedade privada para os injustiçados.

    Vide a cirurgia de mudança de sexo pelo SUS. Eu, que não sou homem e nem mulher, me identifico como um ciborgue, aguardo meu direito de virar o Megaman pelo SUS na conta de vocês. Abraços.

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