Brasil

Antes do anúncio da privatização, a Casa da Moeda servia para compra do apoio de partidos

Ao menos 10 países da América Latina já entregaram à iniciativa privada a responsabilidade pela Casa da Moeda local

Foto: USP Imagens

Em junho de 2016, ainda na condição de interino, o governo Temer se preocupava em fazer acenos à opinião pública. Sabia que, se enxergassem na nova gestão uma continuação do governo Dilma, havia risco de o impeachment ser revertido no Senado. Desta forma, o presidente da República suspendeu a nomeação de cargos no governo.

De imediato, a base que o apoiava se rebelou. Conforme registrou o Estadão, o grupo estava de olho em 400 diretorias e 700 cargos de uma série de órgãos públicos que incluía até a Casa da Moeda:

A gritaria foi imediata. Afinal, estão em jogo 400 diretorias e outros 700 cargos em órgãos como Furnas, Conab, Eletrobrás, Cemig, Casa da Moeda.

Deputados se queixam que ocupavam esses cargos antes da votação pelo impeachment de Dilma Rousseff. E que somente foram dispensando porque se alinharam a favor da posse de Temer. Agora, cobram do Planalto a devolução do espaço perdido.”

Essa prática abjeta não era exclusividade do governo Dilma. Em março de 2007, quando o segundo mandato de Lula alçava os primeiros voos, a Folha de S.Paulo deu em manchete: “PT e PMDB agora miram Banco do Brasil, Casa da Moeda e Caixa“.

Em agosto de 2017, o governo Temer anunciou que privatizaria todo um pacote de estatais – incluindo a Casa da Moeda – no segundo semestre de 2018. De imediato, a esquerda brasileira buscou fazer barulho em cima da referida instituição, alegando uma perda de soberania nacional. Mas, claro, tudo não passa de exagero da oposição, sabe lá com qual intenção, mas suspeita-se.

Fundada em 8 de março de 1694 – sim, ela tem 323 anos –, a Casa da Moeda do Brasil é responsável pela impressão da moeda e papel-moeda oficiais. Ela também se encarrega de moedas comemorativas, selos postais e documentos que necessitem de alguma blindagem contra falsificação. E, apesar de seguir ligada ao Ministério da Fazenda, sua estrutura ainda atende a necessidades da iniciativa privada.

Em outras palavras, é um enorme parque gráfico público. Que deve passar para a iniciativa privada como já acontece em 10 de 18 países latinos pesquisados pela consultoria legislativa da Câmara dos Deputados. Restando evidente que a gritaria da oposição parece encontrar mais sentido na perda de mais uma estrutura pública que poderia ser depenada numa eventual volta ao poder.

Curtiu o texto? Siga o autor no Twitter ou Facebook, ou contribua com o crowdfunding (financiamento coletivo) dele clicando aqui e seguindo as instruções.
Nunca inseriu um código de desconto no Cabify? Experimente usar o código "IMPLICANTE" e ganhe 100% OFF (com desconto máximo de R$ 10) em até 2 corridas. Após ativado, o crédito terá validade de 30 dias.

Mais Lidas

Política & Implicância.

© 2011 implicante.org - Todos os Direitos Reservados

Para o Início