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Após desgaste diplomático com a Bolívia, Dilma demite Patriota

Sobrou desta vez para o agora ex-ministro das Relações Exteriores. Foi o que confirmou há pouco o porta-voz da Presidência da República.

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O governo brasileiro mais uma vez se vale de dois pesos e duas medidas em sua diplomacia. Aos pares ideológicos, toda a paciência necessária para se resolver qualquer imbróglio da forma mais serena. Aos destoantes, medidas enérgicas e urgentes. Já mandou de volta pugilistas cubanos, já recebeu de braços abertos terroristas italianos e agora parece não ter se comovido com situação de risco que estaria vivendo o senador boliviano.

Sobrou desta vez para Antonio Patriota, o agora ex-ministro das Relações Exteriores. Foi o que confirmou há pouco o porta-voz da Presidência da República, Thomas Traumann. O motivo teria sido a fuga do opositor do presidente Evo Morales, o senador boliviano Roger Pinto Molina, da embaixada brasileira em La Paz para o Brasil. O episódio causou um mal estar diplomático que findou na demissão do ministro brasileiro. Contudo, segundo a Veja, isso teria sido apenas a gota d’água:

Patriota substituiu Celso Amorim (hoje titular da Defesa), que foi seu principal padrinho na carreira diplomática, no Ministério das Relações Exteriores. Ao contrário de Amorim, no entanto, ele tinha estilo discreto e nunca agradou à presidente. O resgate do senador boliviano foi o último em uma série de episódios que fizeram Dilma avaliar que Patriota exercia mal e pouco sua liderança à frente da chancelaria brasileira.

(grifos nossos)

Independente do mau exercício de liderança do ex-ministro, uma matéria do G1 entrega que pode ter havido bem menos equívocos durante o translado do senador do que desconfia a nossa vã filosofia:

O encarregado de negócios da embaixada da Bolívia, Eduardo Saboia, estava no comando da embaixada com a ausência do embaixador, podendo tomar a decisão de trazer o senador boliviano ao Brasil, diz o coordenador de relações internacionais das Faculdades Rio Branco, Gunther Rudzit.

“Um diplomata é formado tecnicamente, ele não iria tomar uma decisão sem discutir. Eu acho que isso já estava sendo negociado mas, por algum motivo, o diplomata decidiu resolver fazer isso neste fim de semana, alguma coisa o levou a acreditar que era o momento certo. Não acredito que ele teria tomado esta decisão sem que houvesse algo encaminhado neste sentido“, afirma Rudzit.

(grifos nossos)

A Folha já adianta que o novo ministro segue uma linha mais dura, a exemplo da que seguiria a própria presidente do Brasil:

Escolhido nesta segunda-feira (25) novo ministro das Relações Exteriores, o embaixador Luiz Alberto Figueiredo Machado, 58, já embarcou dos Estados Unidos com destino ao Brasil para assumir o cargo. A previsão é que ele chegue em Brasília amanhã.

Tal qual a “chefe” Dilma Rousseff, Figueiredo é visto pelos colegas como “durão”, dono de um estilo mais incisivo de negociar. (…)

Figueiredo teve participação considerada fundamental Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável, no Rio de Janeiro. Ele foi o coordenador da Rio+20 no MRE e, na avaliação do Planalto, demonstrou habilidade para conseguir o aval dos participantes na elaboração da declaração comum.

(grifos nossos)

Todavia, ser ou não “durão” depende bastante do ponto de vista. Para uma nação que há menos de uma década estatizou uma refinaria da Petrobras e já voltou a receber investimentos da mesma, a atitude enérgica de Dilma na demissão de Patriota mais se assemelha à de quem teme o poderio boliviano, seja ele qual for.

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1 Comentário

1 Comment

  1. Mulholland

    28 de agosto de 2013 at 20:47

    Importante ressaltar:
    – Patriota tentou a defesa molusca do “eu não sabia” e foi demitido pela padawan do Jedi nonadáctilo .
    – Dilma “Casca Dura” esnobou que já apanhou muito mais que Molina no DOI-Codi. Esse é o novo argumento petista: “estou certo porque apanhei mais”. Não apanhou o suficiente.
    – O diplomata que trouxe Molina sem salvo-conduto da Bolívia agiu corretamente. Não só foi a decisão mais ética (trazer um futuro preso político que recebeu asilo), mas é permitida por tratado assinado pelos países da América do Sul, como explicou Reinaldo Azevedo.

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