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As opiniões de Nassif quando o PSDB era governo e o PT, oposição

Luis Nassif tem um blog em que, além de temas musicais, multimídias do dia e triviais os mais diversos, também fala de política. Ele é contratado, sem licitação, pela TV Brasil (falamos aqui sobre isso). E foi executado pelo BNDES, por inadimplência, tendo feito um acordo com o banco nos termos em que explicamos aqui. O BNDES é subordinado ao Governo Federal, que é credor de Nassif e ao mesmo tempo o contrata sem licitação, por meio da EBC/TV Brasil – além dos seminários da Petrobras, controlada pelo mesmo governo que comanda o BNDES.

 

Nova Mídia: o agora blogueiro Luís Nassif, que já foi colunista e participava do Conselho Editorial da Folha de São Paulo, atualmente questiona o que chama de “velha mídia”. Resta saber, sob essa perspectiva, se a TV Brasil é nova ou velha…

Nassif, em seu blog, emite opiniões sobre governo, oposição e que tais. É seu direito. Assim como exerceu tal direito quando estava na Folha de São Paulo e quem estava no poder era o PSDB. A seguir, uma coletânea interessante, especialmente ao pessoal gente boa da denominada “blogosfera progressista”. Vejam só:

NASSIF E PT (E LULA)

O bem e o mal do PT – Neste ano da graça de 1996, o mal maior do PT já foi seu maior bem: Luiz Inácio Lula da Silva. (…) Não aprendeu novos conceitos, não conseguiu se desvencilhar de velhos valores e, com um estilo acomodatício que lembra em tudo a contemporização existente nos partidos convencionais, impediu o deslanche do partido ao não se mostrar capaz de conduzir a travessia e não permitir o surgimento de outras lideranças nacionais. (…) O outro PT continua a brandir um radicalismo estéril. Não tem votos, não tem imaginação e não tem desprendimento. Seu único objetivo são os cargos e benesses do poder. Só sobrevive porque vive parasitariamente do PT moderno. O grave é que é esses setores passaram a ser estimulados dentro do partido como peça da estratégia de sobrevivência política de Lula contra as novas forças. (…) Mas Lula não ambiciona mudanças e não admite a aposentadoria. E, com isso, impede que o partido deslanche. Dentro dessa estratégia de sobrevivência, nos últimos tempos permitiu a veiculação das teses mais estapafúrdias -como o PT oferecendo um vice à candidatura de Itamar Franco ou apoiando o governador paranaense Jaime Lerner. Aparentemente, Lula não consegue admitir que o PT possa ser bem-sucedido sem ele. O operário que corria riscos em nome de uma bandeira não mais existe. A bandeira única de Lula chama-se Lula. E a barreira maior para o PT se firmar como o grande partido nacional chama-se Lula.

(aqui, aos 23/09/1996, sob o governo FHC, ano de eleições municipais)

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Morte de um quase partido moderno – Quanto mais se sente perto do poder, mais do poder o PT se afasta. Os recentes embates na executiva deixaram a mostra o principal vício do partido: a incapacidade de pensar estrategicamente e de sobrepor às disputas internas as lutas maiores do partido. Até algum tempo atrás, grupos minoritários não tinham espaço dentro do PT, por excesso de desunião e ausência de projetos nacionais. Foi a perspectiva de tomada de poder que provocou uma aliança tática, que acabou por juntar desiguais, permitindo-lhes tomar o controle da máquina. (…) O vício da luta armada levou esses grupos radicais a considerarem como objetivo final a dominação ou destruição de outros grupos de esquerda. Foi assim que se apossaram da campanha eleitoral de Plínio de Arruda Sampaio, candidato à prefeitura de São Paulo, e a destruíram em pouco tempo –por incompetência e incapacidade de entender o eleitor. Eleitoralmente, esses grupos não têm a menor importância. Intelectualmente, limitam-se a repetir velhas lições mal aprendidas. Sua única fonte de poder é o controle burocrático que exercem sobre a figura pública de Lula. Mas desde a campanha anterior, Lula tem revelado uma falta de energia, uma ausência de confiança no próprio taco, que dificilmente pode-se acreditar que irá se livrar do abraço de afogado desses grupos radicais. Justamente por isso, setores que apoiaram Lula contra Fernando Collor de Mello e mesmo setores mais moderados do petismo tenderão gradativamente a se afastar do buraco negro dessa radicalização estéril. Mesmo se Lula vier a vencer as eleições o PT será um partido morto, constituído apenas por esses radicais, agora devidamente amestrados pelos cargos públicos que eles disputaram com tanto afinco.

(aqui, publicado aos 20/02/1994, sob o governo Itamar, período eleitoral PT x PSDB)

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Um divisor de águas para o PT – O senador José Paulo Bisol não é vítima de conspiração ou massacre. A fogueira inquisitorial que o queima é a mesma da qual ele se valeu para assar os infiéis. A imprensa nada mais fez do que cumprir o mesmíssimo roteiro que seguia quando dava guarida às denúncias do PT e do próprio Bisol – e era erroneamente acusada de petista pelos atingidos. (…) Em sua entrevista ao repórter Carlos Eduardo Alves, da Folha, Bisol sustenta estar sendo vítima de uma armação dos donos do Estado brasileiro –como se os benefícios que auferiu, como juiz, não fossem prerrogativa de donos de Estado. Não há nada mais revelador desse espírito conquistador, do que a resposta dada por ele à pergunta: “O sr. acha que agiu corretamente ao aceitar empréstimos a que a maioria da população não teria acesso?”. A resposta: “O PT, o PSB e qualquer associação ou agrupamento ou coletividade brasileira, funcionários do Banco do Brasil, da Caixa Econômica Federal, do Ministério Público, funcionários da Justiça… todos eles tiveram e têm esses empréstimos”. É preciso mais? É sintomático que na questão do Orçamento, a integridade das idéias petistas, evitando emendas individuais, tenha sido preservada por aqueles parlamentares acusados de contemporizadores pelos radicais –como José Genoino e Paulo Delgado. (…) Ou Lula demonstra agora capacidade de administrar conflitos e de definir claramente o compromisso do partido com a cidadania e a nova ética, ou não se espere de seu governo –se a fogueira Bisol não liquidar antes com sua candidatura– mais do que a administração de favores àqueles que tornaram o Estado refém de seus privilégios…”

(aqui, publicado aos 18/07/1994, sob o governo Itamar, período eleitoral PT x PSDB)

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O PT e a síndrome do escorpião – Caso queira permanecer como partido estruturado, depois das eleições, o PT precisa urgentemente analisar seus erros e rever sua postura em relação ao país. Não se pode obviamente diminuir o papel do Real nessas eleições. Mas o PT de Lula começou a cavar sua sepultura antes mesmo da troca de moedas. (…) Na base, o PT é evangélico, passional, facilmente ludibriável pelos populistas de plantão. No meio campo, dispõe de cidadãos consequentes, mas sem espaço de atuação. No topo, de dirigentes que ascenderam manipulando as bases e que passam a instrumentalizar o partido em seu próprio benefício. No fundo, o PT é muito parecido com o Brasil. Tem saltado aos olhos campanhas de dirigentes do partido, eleitoralmente inexpressivos, com gastos muito acima da média partidária. Não será coincidência se o financiamento provir de corporações estatais anacrônicas. O partido pagou a conta de ter substituído o discurso da cidadania pelo do corporativismo. Mas os dirigentes garantiram o seu. No fundo, as práticas políticas internas do PT são filhas diretas da mesma estrutura mental que gerou coronéis nordestinos e toda a tradição corporativista brasileira.”

(aqui, publicado aos 21/09/1994, sob o governo Itamar, período eleitoral PT x PSDB)

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Salvo pela derrota – No próximo dia 4 de outubro o PT será salvo pela derrota. Será a única maneira de superar a atual crise de adolescência e cumprir um grande papel político nos próximos anos. O PT foi o primeiro partido brasileiro criado a partir das organizações sociais, com o compromisso de montar estruturas não-governamentais de controle do Estado. O partido vicejava graças a um não-dogmatismo e a uma repulsa a qualquer forma de centralização e de interferência estatal. “O Estado é intrinsecamente um inibidor do desenvolvimento da sociedade”, admite Luiza Erundina, uma de suas fundadoras. (…) Quando a campanha do impeachment mudou a ética pública, na hora de colher os frutos, de um dos pioneiros da nova ética, o partido passou a agir oportunisticamente. Julgando que a eleição de Lula eram favas contadas, abandonou os ideais parlamentaristas, descuidou-se da constituinte exclusiva, deixou para segundo plano as propostas de controle social sobre a saúde, trocou a cidadania pelo corporativismo. Se Lula tivesse vencido as eleições, esses vícios se estratificariam e o país teria de aguardar mais dez anos para aparecer outro PT…”

(aqui, publicado aos 30/09/1994, sob o governo Itamar, período eleitoral PT x PSDB)

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O PT e a mula-sem-cabeça – O 9º Encontro Nacional do PT significou uma abertura nas posições dogmáticas do partido, mas ainda longe se definir com clareza sua tendência final (…) Em relação à privatização, o PT enrola-se no mesmo dilema da área externa, de não definir uma posição clara e não conseguir avançar além do discurso da negação. Declara-se contra o Estado-empresário, mas sem nenhuma convicção. Ao mesmo tempo diz-se a favor do monopólio estatal nas únicas áreas relevantes (petróleo e telecomunicações), e a única proposta objetiva em relação ao tema é proceder a uma auditoria e anular privatizações já ocorridas, sem registradas irregularidades. (…) O acordo entre Lula e as facções mais radicais foi obtido em cima de argumentos táticos, o velho vício autoritário da esquerda radical, de balizar as ações pela “correlação de forças”. O recado que se passa é claro: aceitamos teses moderadas, mas apenas enquanto a tal correlação não nos for favorável

(aqui, publicado aos 04/05/1994, sob o governo Itamar, ano eleitoral)

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O fantasma do PT – À medida em que não aparecem nomes capazes de enfrentar a candidatura petista, o que pensa o PT entra na ordem do dia das análises de cenário. (…) Acreditam que a única maneira do Estado exercer papel regulador na economia é através de estatais –o que é um grosso equívoco. E julgam que a melhor política de distribuição de renda consiste em estimular a fabricação de produtos de terceira para consumidores de segunda –quando são produtos sofisticados, vendidos no mercado internacional, que garantem crescimento e geração de empregos bem remunerados. (…) A grande incógnita é Lula, apesar de sua envergadura como homem público e sua reconhecida idoneidade. Entregue o PT coeso a Lula e ele será capaz de enfrentar o mundo. Incumba-o de administrar um racha interno e ele trava. Além disso, em que pese sua inteligência, a visão que Lula tem dos problemas nacionais é mais intuitiva do que bem informada e mais recheada de preconceitos do que os sindicalistas da geração posterior. É esta postura que impede que se aceite tranquilamente a posição otimista dos intelectuais social-democratas do PT, de que a linha do partido já estaria decidida em seu favor.”

(aqui, publicado aos 04/05/1994, sob o governo Itamar, ano eleitoral)

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Os dilemas do PT – Pouco antes de iniciar a campanha eleitoral, ouvi de dois sólidos empresários modernos da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) uma afirmação até certo ponto surpreendente: “Entre Lula e Fernando Henrique ficamos com Lula, porque pelo menos ele representa uma esperança de ruptura com este modelo existente”. (…) Não os encontrei depois disso. Mas, se provavelmente aumentou seu desânimo com a candidatura FHC depois de suas últimas alianças, é duvidoso que continuassem mantendo as esperanças de que o PT representaria a ruptura com o estabelecido. No fundo, o PSBD é uma rocha de convicção perto das perplexidades do PT –e reside aí provavelmente a razão da queda de Lula nas pesquisas realizadas nos centros mais modernos. Pouco tempo de campanha foi suficiente para robustecer a sensação de que, no poder, o partido acabaria imobilizado por sua própria falta de rumos. O episódio Bisol foi tristemente sintomático. Primeiro, por revelar a falta de disposição de Lula de definir pendências internas do partido. Depois, por demonstrar o inacreditável poder de grupos que dominam a Executiva, de impor seus interesses internos sobre os interesses maiores do partido. (…) O grande compromisso com a cidadania foi substituída pela defesa da ampliação da ação do Estado, pelo fechamento do mercado, pela defesa das “conquistas históricas” das corporações. (…) enquanto o partido retomada a velha cantilena da crítica à ditadura militar –um fantasma que morreu há mais de dez anos e que só foi ressuscitado recentemente por obra de líderes do PT.”

(aqui, aos 12/08/1994, sob governo Itamar, período eleitoral PT x PSDB)

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As lorotas do deputado PaimÉ falsa a informação prestada pelo deputado Paulo Paim (PT-RS) de que o relatório de auditores do TCU (Tribunal de Contas da União) teria constatado a viabilidade financeira do aumento dos benefícios previsto no projeto de lei nº 02/95. A falta de senso crítico com que generalizadamente são aceitas as informações desse deputado, aliás, mereceria um estudo mais aprofundado. O deputado é um contumaz manipulador de informações. Mas suas jogadas são aceitas com uma certa complacência divertida, pelo prazer de vê-lo colocando em xeque o governo A ou B. (…) A maneira fácil com que se embarca sistematicamente nas petas do deputado Paim confirma uma velha verdade jornalística. Tome um relatório volumoso -desses que dá trabalho folhear- e coloque-o nas mãos de um deputado esperto -desses que conseguiram, sabe-se lá por que artes, entrar no circuito das pautas de jornais. E serão tiradas as conclusões que o deputado quiser tirar. Se espírito crítico fosse água, há muito o jornalismo brasileiro teria sido dizimado pela mais mortal das secas.”

(aqui, aos 19/04/1995, sob governo FHC)

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O sertão vai virar mar – (…) O dado pouco percebido é a maneira preocupante com que o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra vai gradativamente se excluindo do jogo político, e fugindo ao controle de suas lideranças mais sensatas. (…) Derrotados pela repressão, os grupos ultra-radicais foram se abrigar em diversas entidades, tentando conquistar seu controle político. Foi emblemática a tentativa recente de tomada do controle do PT por uma aliança de grupos ultra-radicais. (…) É por aí que entra o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra. Há o risco concreto de que se torne o palanque ideal para a aglutinação dos ultra-radicais expulsos das instituições políticas urbanas. Não há nada que justifique a selvageria da polícia. Mas as excepcionais imagens da repórter da Globo foram claras, mostrando os sem-terra partindo para o confronto, armados de paus, foices e, alguns deles, de revólveres. Os gatilhos das metralhadoras foram acionados por comandantes irresponsáveis, mas também por lideranças que não se incomodaram em colocar velhos, mulheres e crianças na linha de fogo. Não se trata de transformar vítimas em algozes

(aqui, aos 21/04/1995, sob governo FHC, sobre o caso Eldorado dos Carajás)

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Sem voto e sem mensagemO principal problema político do Brasil de hoje é a falta de um discurso político eficaz da oposição -entendendo-se como tal um conjunto de propostas alternativas claras e de largo alcance popular. (…) Assim, o cenário político das oposições, em períodos não eleitorais, acaba sendo ocupado pelos sem voto e pelos sem mensagem. Numa ponta, setores do Movimento dos Sem-Terra (MST) e outros grupos minoritários radicais de concepção revolucionária. O espaço dado pela mídia e a romantização das invasões têm permitido, inclusive, o aparecimento de aventureiros e radicais sem conta -como o caso dos grileiros que se apropriaram da bandeira dos sem teto de Itaquera. Na outra ponta, o espaço voltou a ser ocupado por setores dos anos 50, brandindo um discurso fortemente moralista e calcado em ícones nacionalistas dos anos 50. (…) Qualquer opinião contrária é colocada sob suspeita, e seus formuladores são “entreguistas” ou “corruptos”.”

(aqui, aos 23/05/1997, sob governo FHC)

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A derrota da reforma – (…) O caso PT e a CPEM – É evidente que há exploração política das denúncias por parte dos adversários do PT -como em toda denúncia contra qualquer partido político. Queimar Lula não é bom nem para o PT nem para a democracia. Mesmo assim, soa descabida a tentativa de desqualificar a denúncia e o denunciante -Paulo de Tarso Venceslau- com insinuações, sem nada de concreto, ao velho estilo das patrulhas políticas dos anos 70, e dos Rambos dos anos 90. 1) Paulo de Tarso era e continua sendo um valente lutador das esquerdas, que sempre manifestou dois tipos essenciais de coragem: a física, de sempre sair à frente nas grandes batalhas dos anos 60 e 70; e a coragem de consciência, de não subordinar suas convicções a patrulhamentos de grupos. 2) O ponto básico do CPEM não era apenas o fato de ter assessorado prefeituras do PT e de outros partidos. Quem tem conhecimento, tem o direito de vendê-lo pelo valor que julgar que vale. Ocorre que há um relatório da Boucinhas & Associados, encomendado pela própria Prefeitura de São José dos Campos, que demonstra que a CPEM recorria a falsificações de documentos, visando aumentar sua parte no bolo do município. Em um ano, chegou a levar mais de US$ 10 milhões, o equivalente a 10% da receita de São José. Enquanto preparar servidores municipais para desempenhar o mesmo trabalho do CPEM não exigia mais do que um dia de curso. 3) Essa empresa, que falsificava documentos para ampliar seus ganhos em cima das prefeituras, era vendida às prefeituras do PT por Roberto Teixeira, compadre e homem que emprestava sua casa ao presidente de honra do PT. 4) Lula e o PT poderiam alegar desconhecimento sobre as atividades da CPEM, mas só até o momento em que Paulo de Tarso fez suas denúncias ao partido. Depois da denúncia formulada, não havia como desconhecê-la. No entanto, foi varrida para debaixo do tapete. Se as denúncias agora estão sendo manipuladas por inimigos do PT, são outros quinhentos. Pretender avançar insinuações sobre as motivações de Paulo de Tarso, é covardia. Não se trata de homem de esquemas, nem de outros partidos. Trata-se de uma daquelas personalidades raras, solitárias, escoteiras. Ele e sua consciência, apenas.”

(aqui, aos 12/06/1997, sob governo FHC)

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O jornalismo de insinuações – O artigo do ombudsman da Folha, Mario Vitor Santos, sobre o caso Paulo de Tarso Venceslau é capítulo importante na grande luta atual da imprensa de reavaliação de procedimentos anacrônicos e de consolidação de novos valores. Militante histórico do PT, Venceslau tinha denúncias sobre pessoas próximas a Lula. Durante três anos, tentou tratar do caso internamente, no âmbito do partido. Não conseguindo, trouxe-o à tona. Suas denúncias vieram no momento em que o governo federal era alvo de outras denúncias e foram aproveitadas por adversários do PT para desviar o fogo do governo e centrá-lo no partido. A iniciativa de Venceslau é passível de julgamento político. Conhecendo a vida de Venceslau e sua luta interna para esclarecer o episódio, algumas das principais lideranças do PT evitaram julgamentos morais. Principal atingido pelas acusações, Lula buscou razões pessoais em sua atitude. Tratou-o como ressentido e personalista. Mas não avançou em condenação moral. Pouco importa. Nos dias seguintes, Venceslau foi submetido a um linchamento moral poucas vezes visto, baseado exclusivamente em insinuações.”

(aqui, aos 24/06/1997, sob governo FHC)

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NASSIF E O PLANO REAL

A manipulação dos crédulos – Depois de dez anos de pacotes econômicos, de fracassos reiterados de planos autocráticos, de manipulações de economistas preocupados unicamente em agradar a seus chefes políticos, insistir que basta ter fé para o Plano Real ser bem sucedido é de cabo de esquadra. Em economia, ceticismo ou fé não se constituem em postura filosófica ou em estilo literário. Pode-se ser mais ou menos otimista, mais ou menos cético, mas sempre tomando-se por base a análise dos fatos, não formulações idealizadas da realidade (…) Esse Plano Real não é íntegro, é oportunista; não é racional, é eleitoreiro; não é plano, é mera troca de moeda. Seus autores aceitaram participar desse jogo de cena, abrindo mão do compromisso com as reformas, porque há muito a economia, neste país, deixou de ser ciência, para servir apenas à manipulação da opinião pública, com objetivos eleitorais.

(aqui, aos 03/07/1994, sob governo Itamar)

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Uma obra de arte política – O presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, é mais popular que o plano que o elegeu. Faz lógica. (…) Tudo isto não é suficiente para nublar a constatação de que o país caminha em direção às reformas, e que, felizmente, a coluna se equivocou sobre o fôlego e a vontade política do presidente da República -quando criticou acerbamente, no ano passado, o abandono das propostas de reformas pela campanha eleitoral. Fernando Henrique Cardoso mostrou uma determinação e uma visão estratégica que lhe permitiram montar a maior obra de engenharia política do país, desde o acordo PSD-PTB que garantiu a governabilidade do governo JK. (…) O pacto de FHC foi feito em cima das idéias das reformas e da modernização. Utiliza barganhas, ainda que de maneira mais moderada, mas (até agora) como instrumento para alcançar os objetivos propostos -as reformas. Seria farisaísmo julgar ser possível entrar na lama sem respingar. Mas só não se deturpará o processo, transformando mais uma vez meios em fins, se a imprensa prosseguir firmemente na denúncia da politização do Estado. A obra política fundamental foi ter conseguido recuperar a bandeira da modernização -desfraldada e, depois, comprometida pela arrogância política e pela corrupção do governo Collor- e articular amplos interesses em torno do tema. O país volta a ter um rumo, em torno do qual todos os setores da vida nacional precisam obrigatoriamente se situar, seja oposição ou situação. (…) O mais homogêneo apoio ao governo parte da imprensa, que passou a encarar o plano com o temor reverencial que os índios dedicavam a Caramuru. Na maior parte dos casos, não se entende a lógica do real nem se se dispõe de capacidade de analisar seus erros. Mas o apóia com a coesão de uma torcida organizada de futebol -ou de um linchamento público, como ocorreu com a recente greve dos petroleiros.”

(aqui, aos 03/07/1995, sob governo FHC)

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NASSIF E O PSDB

Serra e o desafio da Saúde – O presidente Fernando Henrique Cardoso e o senador José Serra são amigos que não se bicam. Respeitam-se intelectualmente um ao outro, têm história política em comum e até se gostam. Mas trabalhar em conjunto é um suplício para ambos. Particularmente, FCH incomoda-se com a forma obsessiva com que Serra defende suas posições e ocupa espaços e, principalmente, o espicaça para a ação. (…) Serra traz, sobre seu antecessor Carlos Albuquerque, a vantagem de ter estatura política para defender adequadamente os interesses de sua pasta perante a área econômica. Também não terá dificuldades em se relacionar com a parte mais atuante do Sistema Único de Saúde (SUS). (…) Sendo bem-sucedido, esse jogo garantiria ao segundo governo FHC um espectro de aliança mais condizente com sua formação política. E a Serra, a possibilidade de lançar-se a vôos mais altos -provavelmente o governo de São Paulo, nas próximas eleições.”

(aqui, aos 24/03/1998, sob FHC, ano eleitoral)

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A viagem relevante de FHC – A visita do presidente da República Fernando Henrique Cardoso aos Estados Unidos tem tudo para se transformar em acontecimento diplomático da maior relevância. (…) Agora, tem-se um presidente intelectualmente preparado, um embaixador em Washington -Paulo Tarso Flecha de Lima- que conhece como ninguém a arte da promoção e da recepção diplomática e o fim da utopia argentina e mexicana no imaginário do mundo financeiro local. Melhor: não se vai atrás de esmolas dos organismos multilaterais. O que se pretende é “vender” as oportunidades do país para os investidores e para o governo americano. Pode ser que a visita se dilua na grande caixa de ressonância que é a mídia americana. Mas tem tudo para se transformar em um dos grandes momentos da diplomacia brasileira.”

(aqui, aos 18/04/1995, sob governo FHC)

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Aproxima-se a grande batalha – No segundo semestre será travada a maior batalha constitucional da moderna história do país, quando se tentará extirpar os elementos básicos de alimentação da fisiologia política, que marcaram desde sempre a vida nacional. Do resultado desta disputa dependerá não apenas o sucesso do governo, mas também as próprias chances do país de romper definitivamente com seu subdesenvolvimento político. As reformas do primeiro semestre ajudaram a quebrar monopólios públicos. (…) As análises de conjuntura política da “Agência Dinheiro Vivo” indicam quatro frentes básicas de batalha para se alcançar essa modernização política (…) A decisão do governo de encarar essa luta no segundo semestre é significativa por vários motivos. Primeiro, por conferir perfil de estadista à atuação de Fernando Henrique Cardoso.”

(aqui, aos 23/07/1995, sob governo FHC)

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O Bismarck brasileiroQuem acusa o ministro do Planejamento José Serra de beneficiar São Paulo, ou setores da indústria, não tem a mínima informação sobre sua natureza. Serra é essencialmente homem de Estado (não necessariamente um estadista), uma espécie de líder do lobby incumbido de defender as contas públicas. Não é pouco para um país em que nas obras públicas viceja o paradigma de Maluf (…) Serra continua acreditando firmemente no Estado como o grande condutor dos projetos econômicos. A partir daí, persiste em manter intocados os modelos centralistas do BNDES e do FGTS, e em preservar seu poder de arbítrio sobre os recursos e o modelo da privatização. (…) Ao contrário de tantos colegas “estruturalistas” dos anos 70, Serra continua acreditando piamente nas reformas estruturais, e no papel do Estado na área social. O que é fundamental. Mas se não compreender a tempo a dinâmica das relações do Estado com a nova economia, irá desperdiçar uma grande carreira de homem público. E o Brasil não está em condições de desperdiçar as poucas vocações públicas autênticas de que dispõe.”

(aqui, aos 26/07/1995, sob governo FHC)

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Sem dúvida alguma, meu trecho favorito é esse, de 1996:

“Mas Lula não ambiciona mudanças e não admite a aposentadoria. E, com isso, impede que o partido deslanche. Dentro dessa estratégia de sobrevivência, nos últimos tempos permitiu a veiculação das teses mais estapafúrdias -como o PT oferecendo um vice à candidatura de Itamar Franco ou apoiando o governador paranaense Jaime Lerner. Aparentemente, Lula não consegue admitir que o PT possa ser bem-sucedido sem ele. O operário que corria riscos em nome de uma bandeira não mais existe. A bandeira única de Lula chama-se Lula. E a barreira maior para o PT se firmar como o grande partido nacional chama-se Lula” (grifos nossos)

Toda vez que Nassif escreve um texto analisando a política nacional, especialmente quando faz seus prognósticos, gosto de lembrar esse DIAGNÓSTICO – nem mesmo era uma profecia, mas pura “análise”. Lula, vejam só!, era a “barreira” que impedia o PT de “se firmar como o grande partido nacional” e também “impede que o partido deslanche”.

Lula e seu carisma permitiram ao PT deslanchar – para o bem ou para o mal. Lula só chegou ao poder quando rompeu com o discurso retrógrado do PT e investiu totalmente em seu carisma, com auxílio luxuoso de Duda Mendonça. A tese de Nassif não estava apenas errada, mas equivocada do começo ao fim, valendo para efeito prático o exato oposto do que ele pregava.

E ele continua falando de política. E também de economia.

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23 Comentários

23 Comments

  1. BobJegg

    11 de dezembro de 2011 at 14:19

    Engraçado…lendo seus textos antigos tenho a impressão que você e Nassif trocaram de time. :)))

  2. João

    10 de dezembro de 2011 at 23:02

    Excelente trabalho, Gravz! E deve ter dado um senhor trabalho mesmo recolher todos esses textos, mas valeu a pena ver como a opinião de nassif (…) é independente. Independente de quem está no poder, ele está junto – e com um banner da Caixa para reforçar seus serviços hehe

  3. Wilsoleaks Alves

    9 de dezembro de 2011 at 14:00

    Isto só vem comprovar a teoria da evolução.
    Luiz Nassif era um reacionário, agora já é um progressista.
    A fila andou…

  4. @nortonlimajr

    28 de novembro de 2011 at 02:41

    hahahahahahahahahahahahaha

  5. A Carioca

    25 de novembro de 2011 at 21:52

    Aí você pega um texto desse: https://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/serra-o-rato-que-ruge-da-politica-nacional e vê que o argumento é o mesmo, só muda o personagem.
    E tem gente como o Athalyba,a criança catita e risonha, que vem falar em “vexatorimente” ( que diabo de palavra é essa, senhor??) obrigado.

  6. A Carioca

    22 de novembro de 2011 at 20:56

    Athalyba, minha criança risonha!
    Mudar de opinião é normal, na adolescência eu era comuna, por exemplo. Difícil é engolir o cara mudar de opinião A FAVOR depois que o PT virou situação no caso do Lula e CONTRA , depois de ter sido demitido da TV cultura, no caso do Serra. Meio esquisitinho isso, você não acha? Faz a gente ficar pensando…divagando…
    Assim fica facinho de você entender ou quer que a gente desenhe bem bonitinho com canetinha colorida e tudo o mais?

  7. caio gomide

    22 de novembro de 2011 at 10:12

    Obrigado por fazer este excelente blog, Implicante!!

    A credibilidade deste nassif eh (…). Nao eh o blog dele que ostenta um banner da Caixa?? Precisa dizer algo mais (…)?? Athalyba, por favor, caia na real, cara!!!

  8. Ronaldo Tiradentes

    21 de novembro de 2011 at 22:47

    Eu sou o Ronaldinho, crítico do Nassif (…). Temos interesses em comum. Favor entrar em contato comigo.

  9. athalyba

    20 de novembro de 2011 at 22:33

    kkkkkkkkkk

    Que texto tosco Santo Senhor Misecordioso !!! Além de não opinar nada e não oferecer nenhuma análise, é vexatoriamente obrigado a voltar MAIS DE 15 ANOS NO PASSADO para buscar algo que dê alguma pálida sustentação aos “argumentos” do texto.

    O autor, além do primarismo dos argumentos, com certeza

    1) não lê o blog do jornalista, pq ele tem muitos posts críticos ao governo Lula;
    2) não consegue entender que opiniões de quase 20 anos atrás podem mudar.

    Vcs que são amigos do Ronaldinho podiam ser mais inteligentes ao ser vir de coluna auxiliar de suas diatribes, né não ???

    (Gravz: Vexatoriamente obrigado? O texto trata de quando o PSDB era governo, não há outra forma de fazer isso sem… VOLTAR A QUANDO ISSO ACONTECEU. Não é possível, ainda, prever o futuro – sobretudo quanto às variações de opiniões etc. Mas que raio de ronaldinho é esse? É alguma piada com o jogador de futebol?)

  10. Ludo

    20 de novembro de 2011 at 17:32

    Se a oposição voltar ao poder, o nassif (…)

  11. renato

    18 de novembro de 2011 at 15:34

    Muito bom!!! fico curioso pra saber como agirá num futuro governo que não o PT…

  12. Ronaldo Tiradentes

    18 de novembro de 2011 at 12:18

    Caros colegas,

    Gostaria de fazer uma troca de informações com vocês sobre o Luiz Nassif. Favor entrar em contato comigo.

  13. Tita

    18 de novembro de 2011 at 08:44

    Agora que passei a admirar ainda mais o Nassif! Pessoas inteligentes podem, e em muitos casos, DEVEM mudar de opinião.

  14. Marina C. Silva

    17 de novembro de 2011 at 23:52

    Caramba, onde vocês vivem, na cidade dos Flintistons? 60 milhões de brasileiros mudaram de opinião a respeito do FHC e de sua quadrilha que leva o nome de Psdb. Eu sou uma delas, depois de ver tantas besteiras e sangrias causadas à nossa pátria mãe gentil. Está na hora de vocês descerem do palanque e deixar o país seguir seu novo caminho. Caminho que está se mostrando ser de prosperidade e inclusão, coisas que que o brasileiro não conhecia. Para o bem do Brasil, por favor, fiquem quietos!

  15. ROBERTO MARINHO FALCÃO

    17 de novembro de 2011 at 14:52

    Ouvi falar desse site e achei que valia a pena ver se tinha algum valor.
    Quando vi quem é o autor dele, percebi o ENORME ENGANO!!!
    Você não vale o trabalho de pesquisar “suas transformações” ao longo do tempo e expor o quão ridículo você é!!!

  16. Jorginho

    17 de novembro de 2011 at 05:36

    Minhas preferidas, que mostram bem a “capacidade de análise” e solidez do pensamento:

    “Esse Plano Real não é íntegro, é oportunista; não é racional, é eleitoreiro; não é plano, é mera troca de moeda. Seus autores aceitaram participar desse jogo de cena, abrindo mão do compromisso com as reformas, porque há muito a economia, neste país, deixou de ser ciência, para servir apenas à manipulação da opinião pública, com objetivos eleitorais.“”

    “Quem acusa o ministro do Planejamento José Serra de beneficiar São Paulo, ou setores da indústria, não tem a mínima informação sobre sua natureza. Serra é essencialmente homem de Estado …”

    É, nassifetes, cadê seu deus agora? [2]

  17. Marcelo Rabelo

    16 de novembro de 2011 at 22:11

    kkkk hilário. já vi muita gente questionando nassif sobre as opiniões passadas dele. ele sempre responde:”fui enganado. passei 30 anos sendo enganado por esse pessoal do psdb.achei que eles eram partidários da social democracia progressista.só agora abri meus olhos”. há menos de 2 anos ele ainda dizia que serra era o maior economista do brasil e há menos de 6 meses dizia que aécio era um gênio da política. hoje diz que serra é uma nulidade e aécio não tem cacife para enfrentar a disputa presidencial.aguardemos as próximas revisões do pensamento nassifiano..hauha enquanto isso, os leitores dele ficam sem entender a intenção de vários posts do jornalista. as mudanças são muito rápidas e abruptas.

  18. danir

    16 de novembro de 2011 at 20:21

    Sem contar que enquanto os tucanos estavam no poder, ele foi um apologista do estadista FHC, e do potencial de grande carreira de homem público que José Serra apresentava. Depois… com a ascenção do Lula, parece que suas convicções mudaram um pouco e suas percepções tambem. Nada que não seja justificado pelo impul$o dado pelas esferas petistas quando no poder. Como analista em política e economia, sem dúvida ele é um grande especialista em Chorinho e outras manifestações musicais. Alem de mostrar firmes convicções políticas.

  19. edmar

    16 de novembro de 2011 at 19:30

    Está faltando agora uma análise do Paulo Amorim, aquele que fala do sensacionalismo e da falta de qualidade da mídia mas trabalha em uma emissora em que sensacionalismo é a ordem e qualidade não é o forte, alem da mesma plagiar tudo e todos, inclusive a emissora concorrente. Sem falar no dono, um cidadão Kane das igrejas fabricadas.
    Pergunta ao PHA: seria o pastor dele um capitalista??

  20. edmar

    16 de novembro de 2011 at 19:27

    Nassif, Nassif, vai falar de música que vc (e a gente) ganha mais…

  21. alexandre

    16 de novembro de 2011 at 18:53

    Gravataí e seu amor platônico pelo Nassif. Ele não consegue ficar um mês sem falar do Nassif.

    (Gravz: Alê, Alê… Você vem aqui TODO DIA, deixa uns cinco comentários, quando não publicamos na hora ainda dá um chiliquinho pela atenção… E agora fala em “amor platônico”. Poxa, aí fica difícil não pensar o óbvio sobre você, meu caro…)

  22. A Carioca

    16 de novembro de 2011 at 16:24

    Interessante que o modus escrevendi ( neologismo) não difere em nada dos textos que hoje falam mal de Serra e, ocasionalmente, de Aécio.

  23. A Carioca

    16 de novembro de 2011 at 16:18

    É, nassifetes, cadê seu deus agora?

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