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Comunicação

Confusão envolvendo mulheres de burca e bancos de ônibus era pegadinha armada por jornalista

Jornais expostos numa banca de jornal.

Por que a imprensa fez piada com tema tão sério e delicado como a imposição do uso da burca?

Foto: Pixabay

De repente as redes sociais foram tomadas por gargalhadas. No link compartilhado, noruegueses expunham o próprio preconceito ao confundirem bancos de ônibus com mulheres de burca. Da maneira que a notícia se espalhava, ficava a sensação de que a população local avistara o veículo nas ruas e alertara as autoridades. Mas teria sido mesmo assim?

Neste caso, começar a leitura pelo sexto parágrafo ajudava. Nele, confirma-se que, a exemplo de França, Bélgica, Bulgária e parte da Alemanha, leis locais passaram a restringir o uso de burcas e nicabes na Noruega. Porque os legisladores entenderam que a vestimenta, ao esconder quase por completo o corpo de quem a usa, configura algum nível de violência contra a mulher. E o ocidente é uma região do mundo que não mais tolera – ou pretende não tolerar – esse tipo de opressão.

Neste contexto, o jornalista Johan Slattavik elaborou uma pegadinha: num grupo do Facebook, publicou uma foto de bancos de ônibus que de fato se confundem com mulheres de burca. E, sem explicar que apenas se tratava de assentos vazios, perguntou a opinião dos militantes a respeito. Claro, houve muita reprovação. De gente que via ali um gritante descumprimento das leis locais, a quem temia por algo ainda pior, como o uso do traje como disfarce para criminosos ou terroristas.

Se o preconceito estiver na mera confusão proporcionada pela imagem, o próprio jornalista era preconceituoso, ou não teria visto naqueles bancos uma isca para a piada. Ao final, Slattavik confessou ter concluído o experimento “dando boas risadas”. Dali em diante, a situação forjada por ele seria reverberada na imprensa de todo mundo, incluindo a brasileira.

Mas só consegue dar “boas risadas” da burca quem não entende a seriedade da questão. Os mais simpáticos à causa enxergam nela apenas um traço cultural que não precisa ser contido, ou que merece até ser enaltecido. Mas há quem a aponte como uma prisão imposta pelos familiares da vítima. Aos poucos, a Europa endossa este entendimento – como mencionado, já são ao menos cinco nações se protegendo dela por meio de leis.

Há ainda uma questão de saúde: o uso contínuo pode causar deficiência de vitamina D nas mulheres. Não por outro motivo, até mesmo os presidiários mais perigosos têm direito a banho de sol diário.

Por que a imprensa trata com tamanho desdém problema tão sério e complexo? Porque talvez ela não entenda o que está em jogo. Ou não queira entender.

Fonte: UOL

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